Complexo de Édipo no rapaz revisitado

Pretende-se, neste artigo, revisitar o Complexo de Édipo no rapaz, avançando-se com algumas consecuções à resolução desse mesmo Complexo.
Idealmente, no Édipo do rapaz, tem-se amor à mãe e ódio ao pai. Idealmente, para resolver o Édipo, no seguimento, deve haver ódio à mãe e amor ao pai. Referi-me primeiro ao Édipo positivo e depois ao Édipo negativo. O ódio à mãe evita e responde à agressividade transmitida intergeracionalmente, pela mãe, que é fundadora da depressividade e da depressão, que é mais característica nas mulheres, portanto, na mãe, e, ainda portanto, nas características edipianas da mãe.

O amor ao pai responde à sexualidade transmitida intergeracionalmente, pelo pai, que é fundadora, digo eu, da ansiedade, que é mais caracterísitca nos homens, portanto, no pai, e, ainda portanto, nas características edipianas do pai. Pressupõe-se a depressividade, e a depressão, como mais presente nas mulheres, e enquanto originada por agressividade interiorizada na relação com a mãe. Pressupõe-se a ansiedade como mais presente nos homens, e enquanto originada por sexualidade interiorizada na relação com o pai, ou seja, no Édipo negativo. Tem-se, desde o início, o Édipo positivo, com agressividade em relação ao pai, e, depois, o Édipo negativo, com sexualidade em relação ao pai. Passa-se, então, a uma posição homossexual, que deverá ser resolvida, a ambivalência homossexual do rapaz em relação ao pai deverá ser resolvida, portanto, para que o Édipo seja total, integrado e íntegro. Freud ( citado por Laplanche & Pontalis, 1990 ) indica que o Édipo positivo e o Édipo negativo encontram-se em graus diversos no mesmo rapaz.

Já em Vocabulário da Psicanálise, Laplanche & Pontalis ( 1990 ) referem que a resolução do complexo de Édipo, ou sua superação, é feita na adolescência, com maior ou menor êxito, num tipo especial de escolha de objecto. Tem-se, pois, como fulcral na resolução do Complexo de Édipo, e para que este seja integrado e íntegro, a escolha de objecto.

Nas sociedades mais ocidentais, pelo menos estas, essa tendência tende a ser a escolha de objecto sexual para o sexo oposto e a escolha de objecto de ódio tende a ser para o mesmo sexo. Sendo essa apenas uma das fases do Complexo de Édipo, a positiva, deveremos desenvolvermo-nos para que a fase negativa seja estabelecida, mais abrangentemente, ou seja, com amor do rapaz em relação ao pai e com ódio em relação à mãe.

Optimalmente, e para uma boa consecução na sociedade, o rapaz deverá resolver a ambivalência sexual em relação ao pai, e, resolvendo, sublimar suas consequências. Uma das consequências da resolução da ambivalência sexual do rapaz em relação ao pai é a eliminação da ansiedade na relação com o pai. Já que a ansiedade está relacionada com o porvir, com o que ainda vem, é de realçar o valor desta consequência.

Resolverá a ambivalência, com sentimentos ternos e amorosos em relação ao pai e com a sublimação das energias daí advindo, interiorizando anteriormente o sentimento de ser um ser sensual e amável. Outra das importantes consequências dessa resolução deverão ser a assertividade e a capacidade de liderar homens e mulheres. Por outro lado, o ódio em relação à mãe deve ser consciencializado, e sublimado, tornando a relação enquanto relacionamento não depressivo, não se entrando em depressão, pois.

A sublimação deverá dar origem a elaborações mentais do mais alto nível, tendo por fundamento a figura da mãe e suas substitutas, como também a figura do pai e seus substitutos. " São as musas e os musos "!

Bibliografia

Laplanche, J. & Pontalis, J. B. ( 1990 ). Vocabulário da Psicanálise ( tradução portuguesa) 7ª edição. Lisboa. Editorial Presença.

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