Desenvolvimento da personalidade histérica para uma verdadeira estrutura de personalidade

Neste artigo, pretende-se enunciar a personalidade histérica enquanto organização pseudo-genital, sem uma verdadeira estrutura, genital, portanto, com características pré-edipianas predominantes, como por exemplo marcadas fixações e regressões oro-fálicas, e enquanto desenvolvendo-se, a personalidade histérica, para uma estrutura genital, através da resolução da ambivalência homossexual e da resolução do Complexo de Édipo.
Segundo Bergeret (1997), a personalidade histérica é uma estrutura verdadeira de personalidade, com angústia de castração predominante, e com recalcamento predominante.

Mas, através da observação clínica, quotidiana, análises de conteúdo das observações de histéricos, em particular, e de sociedades histéricas ( como a capitalista ), em geral, e comparando com, essa sim, uma verdadeira estrutura de personalidade genital, como a obsessiva, ficamos com a impressão de que aquela personalidade histérica é, outrossim, pseudo-genital.

Tem fixações e regressões oro-fálicas predominantes, o recalcamento, que é o mecanismo de defesa predominante, indica um menor desenvolvimento da personalidade, já que o indivíduo histérico tende a não lidar conscientemente com as problemáticas que lhe são mais conflituais – ao contrário do mais evoluído juízo de condenação do obsessivo (Laplanche & Pontalis, 1990), e muitas das características genitais que são apontadas, por exemplo, por Bergeret (1997), como reciprocidade, valoração do outro e constância objectal, não estarão presentes no histérico, se tivermos em consideração aquelas observações referidas.

Em termos de Édipo, isto significa que a histérica ainda está a lidar, no seu pseudo-Édipo positivo, com a ambivalência homossexual pré-edipiana, que desenvolveu-se na relação pré-edipiana com a mãe. Como indicado no meu artigo, publicado na Rede Psi, Semelhanças e Diferenças do Complexo de Édipo entre rapaz e rapariga (Resende, 2008), deverá haver o seguimento, a passagem, de amor à mãe e ódio ao pai para ódio à mãe e amor ao pai.

Ora, isto na práctica, significa que a histérica deverá ter efectivamente uma fase de contactos e relações amorosas e sexuais de nível homossexual, portanto com amor à mãe e ódio ao pai, passando, porventura, por aqueles radicalismos feministas, em que evidenciam ódio aos homens. Isto para que a histérica lide efectivamente e resolva a ambivalência homossexual em relação à mãe.

Posteriormente, para resolver o Édipo, e como indicado no meu artigo acima referido, deverá haver a passagem para ódio à mãe e amor ao pai.

O ódio à mãe lidará com a agressividade, habitualmente interiorizada na relação com a mãe, e que origina e fomenta a depressividade, e porventura, a depressão, e que é mais característica na mulher, trabalhando a triangulação e rivalidades edipianas, enquanto que o amor ao pai permitir-lhe-à estabelecer relações mais maduras com o outro sexo, completando-se a triangulação e, por fim, a resolução edipiana.

Este, neste artigo, foi o caminho que o histérico deve seguir para resolver o complexo de Édipo, particularmente a histérica, já que é mais frequente o histerismo nas mulheres, e para que vivencie e viva em uma verdadeira estrutura de personalidade.

Bibliografia

Bergeret, J. (1997). A personalidade normal e patológica (tradução portuguesa). Climepsi Editores

Laplanche, J. & Pontalis, J. B. (1990). Vocabulário da Psicanálise (tradução portuguesa) 7 ª edição. Lisboa. Editorial Presença

Resende, S. (2008). Semelhanças e Diferenças do Complexo de Édipo entre rapaz e rapariga in www.redepsi.com.br em secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 05/12/2008

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