A proposta de uma ética Skinneriana

7ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar. 2008

Castro, Marina S. L. B.[1](PG); De Rose, Júlio C. C.[1](O)
marinaslb@gmail.com

[1]Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos 

A afirmação importante e em questão aqui é a possibilidade de uma ciência fundamentar uma ética. Skinner afirma que a ciência do comportamento também pode ser uma ciência dos valores, isto é, pode explicar o que significam os valores e o que é ser ético. Além disso, o autor argumenta que, a  partir do Behaviorismo Radical e de seu modelo causal da seleção por conseqüência nos três níveis, é possível eleger um valor primordial que possa ser o guia para alguém  que planeje práticas culturais de forma deliberada. Isso pode significar que, a partir da ciência do comportamento e de sua filosofia, Skinner defende que é possível derivar uma ética. Desse modo, nos perguntamos até que ponto é possível basear uma ética em uma ciência, esse é o objetivo do trabalho. A afirmação de Skinner de que juízos de fatos e juízos de valor não são ontologicamente diferentes leva à conclusão de que a ciência do comportamento pode analisar os valores. Skinner se preocupa com futuro da humanidade, que se encontra ameaçada por guerras, poluição etc. Ele argumenta que a ciência do comportamento está numa posição privilegiada para intervir e modificar esse futuro, pois possui a tecnologia necessária para isso. Um indivíduo que estivesse no papel de planejador de práticas culturais deveria ter um valor que guiasse seus comportamentos de planejar a cultura. Esse valor deveria ser o bem da cultura. Práticas que ajudam a cultura e a humanidade a sobreviver têm valor de sobrevivência por definição. Nesse sentido, o autor assume  uma postura prescritiva, ao mesmo tempo em que tenta reduzi-la ao âmbito descritivo. Aí reside uma certa tensão no texto skinneriano, pois, ao mesmo tempo em que descreve o bem da cultura, o autor elege esse bem como o valor primordial. Tenta justificar essa eleição  utilizando argumentos descritivos, mas, ao fim, não encontra nenhuma "boa razão". O resultado a que chegamos até o momento é que é possível derivar preceitos éticos a partir do Behaviorismo Radical, entretanto, essa filosofia não é suficiente para justificar a escolha de um ou outro preceito. Não podemos, a partir apenas de seus pressupostos, escolher o bem da cultura, ou o bem dos outros, ou os bens pessoais como o principal valor. Se quisermos explicar por que escolhemos este ou aquele preceito, sob  o ponto de vista da própria análise do comportamento, devemos olhar para a história de contingências de quem faz a escolha.

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