Condições de risco determinando o desenvolvimento de bebês

7ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar. 2008

Yoshida, Maria Lídia de A.[1](IC); Rodrigues, Olga M. P. R.[1](O)
mlayoshida@gmail.com

[1]Departamento de Psicologia, Universidade Estadual Paulista (Bauru) 

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento da criança, uma vez que este é o período em que ocorre maior plasticidade neuronal, devendo-se atenção especial aos bebês que trazem consigo fatores de risco, ou seja, crianças com
maiores chances de apresentar algum tipo  de atraso em seu desenvolvimento motor, mental, sensorial ou emocional. Bebês em  condições de risco são aqueles com mal-formações congênitas detectáveis nas primeiras 48 horas, bebês prematuros com idade gestacional inferior a 37 semanas, bebês com peso igual ou abaixo de 2.500 gramas, bebês com infecção congênita (rubéola, sífilis, citomegalovirose), bebês de mãe HIV positivo e filhos de mães adolescentes. Este projeto avaliou o desenvolvimento de bebês de risco do primeiro até o sexto mês de vida, utilizando, para tal, o Inventário Portage Operacionalizado (IPO). Alguns bebês que  não apresentam condição de risco, denominados de “controle”, também foram avaliados. O IPO é um instrumento que tem por objetivo avaliar o repertório comportamental de crianças de zero a seis anos. Neste projeto foram avaliados 154 comportamentos distribuídos nas áreas de Socialização, Cognição, Linguagem, Autocuidados e Desenvolvimento, incluindo os 45 comportamentos originalmente previstos no Protocolo de Estimulação Infantil, específicos para bebês de zero a quatro meses, para a faixa etária de zero a um ano. Participaram do projeto 36 bebês, sendo 20 do sexo masculino e 16, do feminino. A análise dos resultados indicou diferenças entre o repertório de comportamentos de meninos e de meninas.Além disso, observou-se, também, diferenças entre o desenvolvimento dos bebês relacionadas  à condição de risco que apresentam, considerando cada área de avaliação do IPO. Os resultados analisados indicaram que, dentre os meninos, as médias de desempenho mais baixas são a dos bebês prematuros; no caso das meninas, essa condição de risco também foi a que apresentou as menores médias, embora a diferença para bebês com baixo peso tenha sido muito pequena. Já as médias mais elevadas, para ambos os sexos, foi a dos bebês controle. Deve-se considerar que a diferença das médias dos bebês controle em relação as demais condições de risco foi maior para o sexo masculino que para o sexo feminino. Tais resultados indicam que bebês de risco devem ter seu desenvolvimento monitorado, como forma de prevenir atrasos futuros.  
 
FAPESP 

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