Contribuições dos pressupostos teóricos de Emília Ferreiro à equivalência de estímulos: um estudo de caso

Melo, Patrícia S.[1](G); de Lima, Débora C.[2](PG); Rocca, Julia Z.,[3](PG).
pati.s.melo@hotmail.com

[1]Graduanda em Pedagogia,
[2]Programa de Pós-Graduação em Educação Especial,
[3]Programa de Pós-Graduação em Psicologia; Universidade Federal de São Carlos. 

As perspectivas teóricas da Equivalência de Estímulos e de Emília Ferreiro convergem em relação ao fato de que a aprendizagem é um processo gradual e sobre a importância de avaliar o progresso em termos da trajetória realizada pelo aprendiz. Segundo a abordagem de Emília Ferreiro, o desenvolvimento da aprendizagem ocorre em quatro fases: pré-silábica, silábica, silábica-alfabética e alfabética. O presente estudo analisou o desempenho de um menino de seis anos em um programa de ensino individualizado e informatizado, elaborado de acordo com o paradigma da equivalência de estímulos. O aluno realizou as atividades de  ensino no contra turno das aulas, em um laboratório que investiga procedimentos de ensino de leitura e seus requisitos imediatos para escolares em risco de fracasso escolar. O procedimento de ensino era composto por sucessivas discriminações condicionais a fim de que a aquisição do repertório de leitura ocorresse por meio da formação de uma classe de equivalência de estímulos entre figuras, palavras impressas e  palavras ditadas. O software empregado para gerenciar os procedimentos de ensino também continha procedimentos para avaliação dos repertórios de leitura e escrita, bem como permitia a introdução de novas palavras, além das já armazenadas no banco de dados, possibilitando a elaboração de novas atividades de ensino. Neste estudo, o aluno realizou dois tipos de atividades, denominadas intervenção 1 e intervenção 2. Em ambas as intervenções, utilizaram-se palavras inseridas especificamente para investigar duas questões de pesquisa: a familiaridade das palavras como uma variável para aquisição de leitura e a generalização do ensino de palavras na situação do computador para o contexto de leitura de  livros infantis. Foram realizadas três avaliações de leitura e escrita: a primeira avaliação precedeu o início da intervenção 1, a segunda ocorreu imediatamente após o término da intervenção 1 (e também constituiu-se como repertório de entrada para a intervenção 2) e a terceira avaliação foi aplicada ao término da intervenção 2. As análises tiveram caráter qualitativo, baseadas nos pressupostos teóricos formulados por Emília Ferreiro, e procuraram distinguir a evolução do aluno. Os resultados das três avaliações indicaram a passagem da fase de escrita pré-silábica para o início da fase alfabética e a aquisição de leitura de uma palavra, no contexto da avaliação informatizada, talvez porque o número de palavras ensinadas tenha sido pequeno para permitir generalização. Esses dados enfatizam a eficácia do procedimento de ensino baseado na equivalência de estímulos e demonstraram que para este caso, a  aquisição da escrita precedeu a aquisição da leitura, pois no mesmo período de tempo, o aluno atingiu progresso mais significativo na habilidade de escrita. O  ensino eficiente de leitura e escrita  se beneficiaria da busca de convergência nas análises conceituais e na integração de dados gerados por ambas as perspectivas teóricas, considerados e respeitados os limites epistemológicos envolvidos. 

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