Estudo mostra que homens e mulheres têm padrões de sono diferentes

"Homens tendem a apresentar mais sonolência durante o dia; o estudo sugere que hormônios como a progesterona (hormônio feminino) tenham papel importante nos mecanismos reguladores do sono, uma vez que a análise de mulheres pós-menopausa mostrou queda na qualidade do sono e no número de minutos de sono…"

"Homens tendem a apresentar mais sonolência durante o dia; o estudo sugere que hormônios como a progesterona (hormônio feminino) tenham papel importante nos mecanismos reguladores do sono, uma vez que a análise de mulheres pós-menopausa mostrou queda na qualidade do sono e no número de minutos de sono…"

Estudo realizado pelo Departamento de Psicobiologia da Unifesp explica por que as mulheres sempre reclamam que seus parceiros "desmaiam" imediatamente ao deitar, enquanto elas querem conversar sobre como foi seu dia.

Também esclarece a causa dos bocejos frequentes do marido e que podem ser erroneamente interpretados como desinteresse ou preguiça.

A confirmação de que os sexos têm diferenças importantes nos padrões de repouso noturno vai muito além da terapia de casais e pode mudar a forma como a medicina encara e trata os distúrbios do sono.
O estudo foi realizado com 2.365 pacientes do Instituto do Sono (1.550 homens e 815 mulheres), detectou que pessoas do sexo feminino demoram mais tempo para conseguir dormir, porém, depois, passam mais horas em sono profundo (NREM) e reparador.

De seu lado, os homens ficam mais tempo nos estágios iniciais do sono e têm seu repouso noturno prejudicado mais vezes por distúrbios como o ronco e a apneia – interrupção da respiração por um período longo – causados possivelmente por sobrepeso ou disfunções respiratórias e musculares.

Especialistas dividem uma noite de sono em cinco estágios, que evoluem – em função do tempo e da interferência de fatores externos ou fisiológicos – de etapas mais superficiais até o sono profundo. Nessa última fase, que corresponde aos estágios 3 e 4, ocorre o chamado sono de ondas lentas.

Hormônios e novos tratamentos

A descoberta da Unifesp explica por que homens tendem a apresentar mais sonolência durante o dia e sugere que hormônios como a progesterona tenham papel importante nos mecanismos reguladores do sono, uma vez que a análise de mulheres pós-menopausa mostrou queda na qualidade do sono e no número de minutos de sono NREM.

O levantamento indicou que os homens têm índice de apneia-hipoapneia (falha ou redução na frequência respiratória) maior que as mulheres e que o padrão de sono também muda nas diferentes faixas etárias.

Outra conclusão é que as mulheres relatam ter mais pesadelos e que os homens apresentam mais movimentos involuntários de pernas durante a noite. Surpreendentemente, o grupo feminino foi o que reportou maior volume de queixas quanto a distúrbios do sono.

Os resultados da pesquisa foram obtidos por meio de questionários e análise de exames de polissonografia realizados no Instituto do Sono, instituição que mantém parceria com o Departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Para os pesquisadores Marco Túlio de Mello, Monica Levy Andersen, Lia Bittencourt, Sergio Tufik e a aluna de mestrado Andressa da Silva, que foram os coordenadores do trabalho, a grande novidade do estudo é a concepção de que cada sexo tem um padrão de sono diferente, o que altera a perspectiva do tratamento e pode levar à introdução de novos elementos terapêuticos, como os próprios hormônios.

Ainda segundo os autores, a pesquisa permite melhor separação entre características de sono inerentes a cada sexo e distúrbios verdadeiramente ligados a alguma patologia ou disfunção. Também abre a possibilidade para outras formas de intervenção, de acordo com o sexo e a idade de cada indivíduo.

Adalberto Tripicchio

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