Distúrbios psicológicos podem desencadear automutilação, dizem especialistas

A polícia suíça defende que a brasileira Paula Oliveira, 26, cometeu automutilação. Ela, no entanto, afirma que foi atacada por supostos skinheads e teve o corpo marcado por símbolos nazistas feitos com estiletes.

A polícia suíça defende que a brasileira Paula Oliveira, 26, cometeu automutilação. Ela, no entanto, afirma que foi atacada por supostos skinheads e teve o corpo marcado por símbolos nazistas feitos com estiletes.

O diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär, afirmou que a brasileira não estava grávida, como havia sido informado, e que teria ela mesma feito os ferimentos em seu corpo.

De acordo com a psicoterapeuta Maura de Albanesi, diretora do Instituto de Psicologia Avançada de São Paulo, a automutilação é um distúrbio comum que pode ser provocado por uma série de patologias psicológicas.

"Normalmente a automutilação surge da culpa. A pessoa muitas vezes nem sabe de onde surgiu essa culpa, mas sente a necessidade de se ferir", afirma Maura. "Em alguns casos avançados [de depressão], a pessoa se mutila para deixar de sentir aquela tristeza toda."

A psiquiatra Jackeline Giuspi, coordenadora do Ambulatório de Transtornos do Impulso, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, também relaciona os casos de automutilação com diferentes problemas psiquiátricos que podem variar desde esquizofrenia e transtorno bipolar até depressão.

Ela ainda destaca que "as pessoas que praticam automutilação fazem isso de forma consciente e não tem relação com qualquer impulso suicida".

Essas lesões são normalmente feitas em locais que não permitam familiares e amigos verem os ferimentos. "Geralmente eles fazem essas lesões em locais que não possam ser vistos, mas pode acontecer de fazerem isso para conseguir algum ganho, ou para chamar a atenção", afirma Jackeline.

No caso da brasileira, Jackeline destaca que é muito raro casos de pessoas que praticam a automutilação fazerem desenhos. "Geralmente a automutilação corresponde a cortes simples feitos em locais como braços e pernas".

Marcas

Segundo Maura, a automutilação pode ocorrer até mesmo em casos de ciúmes. "É quando o ciúme se transforma em uma patologia psicológica, e a pessoa se fere para atingir o outro", diz.

Já em casos de surtos psicóticos, por exemplo, o paciente pode ter delírios e fantasiar uma agressão. "A pessoa realmente acredita naquilo. E quem não sabe que a pessoa tem um problema psicológico acredita na versão dela, porque para ela aquilo é uma realidade e ela conta como se realmente tivesse acontecido, até com detalhes", afirma Maura.

Gravidez psicológica

De acordo com a família da advogada brasileira, Paula estava no terceiro mês de gestação de gêmeos. Porém, a polícia e a perícia negam a versão da família.

Segundo Maura, não é raro o caso de mulheres desenvolverem uma gravidez psicológica. "Na gravidez psicológica a barriga cresce, o corpo muda. É como se o corpo respondesse aos estímulos enviados pela mente", afirma.

Tanto no caso da gravidez psicológica, quanto na automutilação, Maura recomenda o tratamento medicamentoso –sempre com o indicado por um médico– e o tratamento psicológico. Segundo a especialista, em alguns casos é recomendada a internação.

Fonte: Folha Online

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