A nova edição do manual de distúrbios mentais – DSM

A Associação Americana de Psiquiatria prepara uma nova edição do manual de distúrbios mentais, a bíblia dos psiquiatras, que deve incluir comportamentos como a compulsão por compras ou por comida como novos transtornos mentais.

A Associação Americana de Psiquiatria prepara uma nova edição do manual de distúrbios mentais, a bíblia dos psiquiatras, que deve incluir comportamentos como a compulsão por compras ou por comida como novos transtornos mentais.

A atual edição do manual, conhecido por DSM ("Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders"), foi publicada em 2000 e descreve 283 distúrbios psiquiátricos –quase o triplo da primeira edição, de 1952.

O manual não é apenas um guia rotineiro para o diagnóstico dos médicos de todo o mundo, mas também uma referência para os planos e seguros de saúde e para os governos.

A nova publicação deve sair em 2011, mas já causa polêmica. Pela primeira vez, foi pedido aos médicos que participam de sua elaboração que assinem um acordo de confidencialidade –para evitar, por exemplo, pressões dos laboratórios.

Porém, o que mais gera discussão é a possível inclusão no novo manual de transtornos como vício em compras ou em comida, de doenças infantis –como o transtorno bipolar e a esquizofrenia– e de questões ligadas à identidade de gênero.

Para o psiquiatra Theodor Lowenkron, que coordena o departamento de diagnóstico e classificação da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, o DSM atual já traz um número excessivo de categorias diagnósticas. "Há uma tendência de psiquiatrização dos comportamentos."

O psiquiatra Miguel Roberto Jorge, professor associado da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), tem a mesma opinião. "Não acreditamos que existam 300 doenças mentais. Esse sistema [DSM] precisa sofrer um processo de validação, que é muito complicado de ser feito. Precisaria conhecer tão mais a respeito das doenças psiquiátricas para poder dizer que "essa aqui é a mesma coisa daquela outra ali'".

Lowenkron avalia como polêmica a possível inclusão da esquizofrenia e do transtorno bipolar no rol de transtornos infantis. "São diagnósticos precoces e inadequados para serem feitos na infância."

Já o psiquiatra infantil Fábio Barbirato defende que a nova DSM será um avanço importante porque vai trazer mais segurança aos profissionais, já que existem muitos diagnósticos errados na infância. "Hoje atendi um paciente de 12 anos que é bipolar e foi diagnosticado há oito anos como TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade]. O DSM é em prol das crianças, não é para vender remédio."

Fonte: ABP
Adalberto Tripicchio

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