Para além das posições de Melanie Klein

Neste artigo, argumentarei que as posições esquizo-paranóide e depressiva de Melanie Klein (Laplanche & Pontalis, 1990) são insuficientes para explicar as vivências psicológicas de muitos indivíduos adultos. Isto, particularmente, na sociedade capitalista, na qual predominam indivíduos histéricos.
É de começar por referir que o objecto total da posição depressiva é-o, mas enquanto objecto total depressivo, que é interiorizado pelo histérico enquanto objecto total depressivo materno, que é a característica que predominará na mãe do histérico, também, sendo depois, transmitido intergeracionalmente.

No histérico, o objecto paterno é parcial, com falta de constância objectal, sendo, pois, um objecto parcial esquizo-paranóide paterno, que se caracteriza pela predominância de sentimentos persecutórios e clivagem.

Considere-se o predomínio dos homens no poder e em lugares de decisão nas sociedades, em geral, o que deverá confirmar este sentimento persecutório nas mulheres, o que faz pensar que se confirma o medo do maior poder dos homens, derivado da inveja do pénis, como, por exemplo, Kernberg (1995) nos indica.

Importantemente, relacione-se o que já foi dito, com o facto de a histeria predominar nas mulheres, e de na mulher, ou melhor, na rapariga pequena, haver a necessidade de mudança de objecto de amor, da mãe para o pai.

É como se a evolução da internalização da relação com a mãe estivesse mais evoluída, na posição depressiva, portanto, enquanto que a evolução da internalização da relação com o pai estivesse mais dificultada, na posição esquizo-paranóide, portanto.

Para uma evolução saudável, deverá haver o acesso a lugares de poder e de decisão por parte das mulheres, para, nesta iniciativa, reduzir os sentimentos persecutórios, não obstante ter-se que trabalhar analiticamente na resolução da problemática da inveja do pénis, que é de suma importância neste capítulo. Assim, haverá uma evolução para uma posição depressiva, em que dadas as características não tão depressivas nos homens, deverá haver uma internalização de um objecto total paterno já não tão depressivo, mas a caminho de uma completa integração dos sentimentos persecutórios e depressivos. Repare-se que, como é sabido, Klein indicava que os indivíduos durante a sua vida oscilavam entre a posição esquizo-paranóide e depressiva.

O que aqui é sugerido é uma integração dessas fases pelo indivíduo.

O mesmo caminho deverá ser estabelecido analiticamente relativamente à imago materna.

Desta maneira, se caminhará para uma mais saudável integração e internalização das imagos paterna e materna, com verdadeira triangulação.

Poderíamos chamar a esta fase ou posição, posição integrativa.

Referências bibliográficas

Kernberg, O. F. ( 1995 ). Love relations – normality and pathology. Yale University Press. New Haven and London

Laplanche, J. & Pontalis, J. B. ( 1990 ). Vocabulário da Psicanálise (tradução portuguesa) 7ª edição. Editorial Presença. Lisboa

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