A influência do relacionamento com os pais nos massacres cometidos por adolescentes

Nesta semana assisti uma reportagem que me chamou a atenção. Na Alemanha, um rapaz de 17 anos, anunciou pela internet que promoveria um massacre em sua escola. Geralmente pergunta-se: o que motiva um adolescente a cometer tamanha brutalidade?.
A maioria dos adolescentes que comete este tipo de crime apresenta um comportamento introspectivo, ótimo desempenho intelectual e pouca, ou nenhuma, popularidade social. Estes, muitas vezes, são rotulados de maneira pejorativa, sofrendo o que se chama de Bullying, termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

O adolescente em questão avisou seus pais a respeito de não suportar o sofrimento, porém seus pais não lhe deram atenção. Pode-se levantar a hipótese de que o adolescente anunciou o massacre como um pedido de ajuda ou uma tentativa de obter atenção, tanto dos pais, quanto da sociedade, já que divulgou sua intenção em rede internacional. Seria uma tentativa de ser popular, o que, em sua concepção, não conseguiria de outra maneira.

O suicídio também pôde ser visto como uma forma de chamar atenção. Sugere-se também que o fato de matar os alunos e professores seria uma tentativa de eliminar seu sentimento de rejeição, já que sentia que não conseguiria fazer parte do grupo. Pode-se pensar também que seria a única forma de “vencê-los”, já que o rapaz possuía um jogo que se chamava: “Vence quem matar mais pessoas”.

Há a hipótese de que a motivação para o massacre foi o recente término do relacionamento amoroso com uma garota, devido o fato de que 8 das 9 pessoas assassinadas eram mulheres, assim como as professoras, o que sugere também uma dificuldade de lidar com a figura feminina. Pois as vivências de feminilidade de um bebê com sua mãe são as responsáveis pelos processos introjetivos que promoverão um sentido de consistência interna, e estes só podem se dar mediante uma presença. No caso do adolescente, esta mãe era ausente. As professoras, no caso, podem ser vistas como a mãe, quando a mesma não está presente, portanto, o adolescente as utilizou para projetar sua revolta contra o sentimento de rejeição.

Conclui-se, portanto, que o papel dos pais é essencial para a saúde mental do adolescente, pois quando este estabelece uma boa relação com seus pais, projeta este sentimento para os outros relacionamentos de sua vida, tais como: amoroso, social, profissional e pessoal.

Os pais precisam reconhecer as potencialidades de seus filhos, imporem limites e fazer observações positivas e construtivas para os mesmos desde a infância, para que o futuro adulto tenha auto-estima e respeito pelo outro.
    
Também é importante a participação dos pais no cotidiano do adolescente, estes devem estar atentos ao comportamento de seus filhos, verificando se há atitudes de isolamento ou agressividade. Deve-se procurar conversar com seus filhos a respeito dos sentimentos dos mesmos e de seus relacionamentos, além de procurar participar de reuniões destinadas aos pais, promovidas pela escola.
    
A falta de motivação para os estudos também pode ser um dado relevante.
Aproveito para deixar um alerta aos pais, para nunca menosprezarem ou subestimarem os pedidos de ajuda de seus filhos, procure uma orientação profissional.

Autora: Marcella Quadros Moretti
Psicóloga
CRP 06/ 94541

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