Mencanismos Neuróticos

– O nascimento da neurose.
– Introjeção. -Projeção.
– Integração.
– Retroflexão.
* O Nascimento da Neurose

O homem necessita estar vivendo com outros para existir como um.

Sua sobrevivência física e emocional busca serem continuamente satisfeitas, e isto só pode ocorrer junto de seus semelhantes, o contato com outros seres humanos, dá sentido as relações que ele cria e se tornam parte natural dele, o grupo, estimula-o no sentido de identificação, e consequentemente mantém ¨aceso¨ seus impulsos mais primitivos de sobrevivência.

Temos então o individuo formado pela relação do campo que se cria entre organismo/meio, tendo como conseqüência expressa o comportamento que será um reflexo de sua integração ao meio, dentro destro do campo existente, dando a ele a ¨consciência¨ de sua ¨identidade¨, e da sociedade a sua volta. Mostrando que o que existe é a continua interação entre os dois, dentro de uma estrutura que está em constante mutação. E uma vez que as mudanças ocorrem e são a única constante invariável entre os dois, elas os afetará, assim se o ¨movimento¨ relacional for fluido, verificamos que as mudanças serão integradas ao individuo de forma positiva.

Quando um individuo se torna incapaz de alterar seu comportamento atuante, em um meio que apresenta mudanças as suas ações, a interação estará prejudicada, resultando assim na neurose. Quando a ação que ele produz, apresenta uma fixação, num modo de atuar obsoleto, pela incapacidade cada vez maior de ir de encontro a satisfação de qualquer uma de suas necessidades (inclusive as sociais…), temos um individuo doente.

E o extenso numero de pessoas alienadas e isoladas, desesperadas em busca de algum sentido para tudo que se mostra a sua volta. É a maior evidencia. Ambos se mostram doentes.

Uma sociedade constituída por grande parte de indivíduos neuróticos, é uma sociedade neurótica. O homem que vive em contato com algo assim, acaba tragado por ela, mas sem ela, afastando-se de tudo, sua existência se anula como tal.

Ele necessita estar integrado. A compreensão de sua relação com a sociedade, como parte de um ¨corpo¨, dos princípios que atuam na interação ocorrente, reconhecendo limites que se mostram no contato entre ele e a sociedade.

É o grande objetivo disto tudo, a verdadeira expressão da ¨saúde mental e física¨. O principio da auto-regulação, do ¨isomorfismo¨ e homeostase, também regulam e governam a sociedade, respondendo as necessidades dominantes de sua própria existência, os membros da comunidade e seus administradores deveriam se identificar mutuamente, identificando-se entre si como indivíduos iguais, mas não é o que ocorre.

Sem integração com a sociedade, não existe o próprio reconhecimento de si, através da identidade que ele tem expressado em sua personalidade.

O problema ocorrerá, quando a sociedade com influencia constante sobre o individuo, o subjuga-o, com suas exigências, levando a retirar-se mais e mais de suas necessidades, para não separá-lo do convívio social, pressionando-o e moldando-o passivamente, e classificando-o como neurótico. Deixa de distinguir adequamente o seu ¨eu¨, e sua posição como individuo no mundo. O que permite que tais distúrbios no equilíbrio surjam?

Desequilíbrio (que são classificados por neurose…), surge quando simultaneamente o individuo e o meio (cidadãos…), que forma o campo total (expresso pela sociedade…), vivenciam necessidades diferentes, e o individuo, perde a capacidade de distinguir a dominante.

Na situação de conflito de necessidades, o individuo tem que ser capaz de se adaptar, de forma consciente isso se expressa ¨em sua tomada de decisão¨. Se o ¨faz¨… Ou ¨fica¨… em contato, ou foge, sacrificando as necessidades que tem em si dominantes, pela a do meio, que possui força maior.

Nem ele, nem o meio sofrem conseqüências, mantendo o campo total estável e em continuo desenvolvimento, mas quando não pode discriminar, quando não pode tomar uma ¨decisão¨, tanto ele quanto o meio ficam afetados.

O valor do grupo para o individuo é de grande peso, tem a capacidade de interromper ou promover o funcionamento dos processos funcionais e espontâneos do individuo, que ser torna intimamente relacionado com o grupo em questão, através de um ¨engajamento¨ ativo por parte do individuo. A maior concentração, como convém a uma necessidade dominante ganha o reconhecimento necessário para a continuidade no organismo, através de sua integração a totalidade de seu meio, ocasionado pela participação de toda a sua personalidade, que resultara num sentimento, que posteriormente gerará uma emoção relacionada, sem diminuição de sua consciência da identidade unitária que possui, e a do grupo a sua volta.

Mas tal processo necessita continuar de forma ininterrupta, se isto ocorrer (a interrupção…), desaparece o significado e a integração de toda a sua atividade.

Todos os distúrbios neuróticos surgem quando o individuo não consegue manter o equilíbrio de sua relação, de forma adequada entre ele e a sociedade em que vive na neurose o funcionamento entre o organismo e o social, se fixam de forma distorcida durante tempo demais.

O neurótico é o homem sobre quem a sociedade influi demasiadamente, sua neurose é uma manobra defensiva para protegê-lo contra a ameaça de ser barrado por um mundo esmagador, se este lhe dar o reconhecimento que idealiza do que é ideal para si, isto ira ocorrer quando sente que independente da forma que aja as probabilidades de ter sucesso são nulas.

Quatro mecanismos ocorrem, e são distorcidos pelas neuroses em sua múltiplas expressões, são diferentes, mas em sua atuação integrados resultarão nas expressões e sintomas neuróticos, que afetam principalmente o contato, e o comportamento posterior.

Independentes da intensidade do distúrbio causador resultam em um padrão internalizado, que se torna parte do individuo, que muitas vezes não tem consciência de sua forma plena e direta de atuação, com a freqüência se tornam importunos, crônicos, interferências diárias no processo habitual de crescimento e desenvolvimento do individuo integrado, através da qual deveria encontrar sustento e maturidade para continuar como individuo na sociedade que vive, de forma plena, o que ele tem na verdade é uma continua confusão entre o seu ¨eu¨ e os ¨outros¨.

* Introjeção

Todos possuem a capacidade de ¨discriminar¨, esta função nos permite as bases dos limites que ocorrem no contato entre o ¨eu¨ e o ¨outro¨, assimilamos algo do meio, aceitando ou rejeitando o que o meio oferece, no processo de tomar, digerimos completamente, ou somos forçados a ¨engolir¨ inteiramente.

O resultado é que algo do meio se torna parte nosso que sempre resultará em uma propriedade que produzira uma função especifica para o nosso ¨eu¨ em contato com o ¨outro¨, podemos ¨rete-lo¨ ou ¨devolve-lo¨ em uma nova forma adaptada pelo ¨eu¨, de acordo com suas orientações individuais. Mas aquilo que trazemos inteiros, aceitando indiscriminadamente, ou mesmo quando ingerimos e digerimos, de acordo com nossos mecanismos, e instala em nós, não é parte de ¨origem¨ embora pareça, é ainda parte do meio.

Conceitos, fatos, padrões de comportamento, a moral, os valores éticos, estéticos ou políticos, todos nos chegam, originalmente do mundo externo (mais precisamente da sociedade atuante do imediato…), não a nada em nossa ¨mente consciente¨ que não venha do meio, e não a nada no meio que não apresente uma propriedade, que pareça ao individuo ser apropriada à satisfação de uma necessidade que ele apresente orgânica, física ou psicológica.

Estas devem ser incorporadas e de alguma forma ajustadas, para se tornarem nossas verdades e realmente fazerem parte da nossa personalidade.

Quando algo é forçado, e fica impossibilitada a digestão e de alguma forma pressentimos que pareçam corpos estranhos dentro de nós, temos a introjeção, que pelos fatores que ela representa em sua ação, não contribui de forma integrada ao desenvolvimento de sua identidade individual.

Pelo contrário, nos torna algo semelhante a uma casa tão superlotada com coisas de outras pessoas que não sobra nada, nenhum lugar para as coisas do dono. Transforma-nos em latas de lixo de informações estranhas e irrelevantes, às vezes com grande conteúdo, mas superficiais.

Os perigos da introjeção são:

– a perda da capacidade de se identificar com a própria personalidade integrada, ficando ¨fixado¨ aos corpos ¨estranhos¨ que ficam limitando sua iniciativa individual.

– desintegração da personalidade original e integrada, ocasionados pelos conflitos que ocorrerão entre as ¨propriedades assimiladas¨ (próprias do seu ¨eu¨ integrado…), e as ¨introjetados¨ (próprias do meio externo ¨forçado¨…). E esta é uma experiência bastante comum hoje em dia.

A introjeção, pois, é o mecanismo neurótico pelo qual incorporamos em nós mesmos normas, atitudes, modos de agir e pensar, que não são verdadeiramente nosso (não foram ¨digeridos¨ e integrados ao eu¨…). Os limites entre o ¨eu¨ e o ¨outro¨ ficam difíceis de distinguir, não sobrando nada da nossa identidade individual única. É quando o ¨eu¨ realmente quer dizer ¨eles¨.

* Projeção

Quando ela está em ação, temos um comportamento que tem uma tendência especifica de fazer do meio responsável pelo que se origina da pessoa e as conseqüências sobre ela (é o que a introjeção mostra de forma inversa…).

Um exemplo típico de sua atuação no comportamento é a paranóia, caracterizada por um sistema altamente organizado de ilusões em constante desenvolvimento e em um padrão especifico. Mostra que o individuo adota uma personalidade agressiva, que incapaz de suportar responsabilidades, de seus próprios desejos, e sentimentos relacionados às vontades do que quer fazer, põe a responsabilidade em uma ligação com pessoas e objetos do meio.

¨Sua convicção de que está sendo perseguido, é de fato de que gostaria de perseguir os outros… ¨

Mas ela usualmente existe em outras formas menos extremas. Quando integrada em funcionamento com a totalidade do individuo, se mostra nas suposições necessárias para um comportamento eficiente a conquista de suas necessidades, ela se encontra ajustado com o meio em seus limites de contato.

Planejar, antecipar, escaramuçar as manobras que deverão ser feitas para o próprio sucessos, são características inatas de sobrevivência, todas atividades que envolvem comportamentos e suposições sobre a sociedade em geral e o mundo que nos cerca, mas estas suposições, são reconhecidas como tal pelo individuo integrado com seu funcionamento.

Por outro lado, as hipóteses formuladas tem origens em fantasias do individuo e este recusa em reconhecê-las como tal, quando são postas a ¨prova¨ , não buscando sua verdadeira ¨origem¨, temos a projeção neurótica.

O neurótico não usa o mecanismo de projeção como um intercambio com o mundo a sua volta, mas com ele mesmo também, desapropria partes das reais propriedades dos objetos a sua volta, pelos quais tem um impulso genuíno, mas também partes de suas características que os torna único em sua identidade pessoal.

¨Tem uma existência fora de si, deixa de se um individuo de carne e osso… Torna-se um objeto passivo, que destrói tudo, por ser vitima das circunstancias… ¨

A barreira no contato, no caso da projeção, pende de modo excessivo a nosso favor, de modo que se torna possível, negar e não aceitar as partes da personalidade que considera difícil de lidar, ofensivas ou sem atrativos, ¨culpando os outros¨ ( o que as liga com as introjeções que fortalecem a baixa-estima, e a forma de encararmos nosso ¨eu idealizado¨…).

A introjeção ¨neurótica¨, que se torna um campo de batalha para idéias contrárias, não assimiladas é acompanhada da projeção ¨neurótica¨, que faz do mundo o campo de batalha em que seus conflitos estão e devem ser vencidos, destruídos.

¨A pessoa que diz que quer ser amada, é merecedora disto, melhor que os outros que tem… E ao mesmo tempo diz que não pode confiar em ninguém, que todos estão a fim de ¨sacanear¨ a todos que puderem… É o exemplo clássico. ¨

* Integração

Quando o individuo não sente nenhuma barreira entre si e o seu meio, quando sente que ele próprio e o meio são um, estão integrados, as partes e o todo estão indistinguíveis entre si (um exemplo simples são os recém-nascidos…).

Em momentos de extrema concentração, após o orgasmo, existe a integração com tudo que nos cerca a convivência com grupos específicos (como nos rituais religiosos, torcer por um time, etc).

Normalmente sentimos de forma extremamente aguda as barreiras entre nós e os outros expressa em um acumulo de tensões generalizadas, ocasionadas pela relação entre o organismo e o meio que forma o campo total, sua dissolução temporária é sentida consequentemente, como uma coisa extremamente impactante no sentido de aliviar as tensões acumuladas, o que é extremamente benéfico ao individuo.

Mas quando este sentimento de completa identificação, é crônico e o individuo tornar-se incapaz de ver a diferença entre si mesmo e o resto do mundo, está doente.

Não pode vivenciar a si mesmo porque perdeu todo o sentido de si, como um ¨eu¨ único e próprio.

Quando a integração se torna um estado patológico, não podendo a pessoa distinguir entre os limites individuais e os do meio (e as pessoas que fazem parte dele…), o contato não é eficiente, não existe movimento na relação entre o seu ¨eu¨ e os ¨outros¨. O homem que está em integração patológica, amarra suas necessidades, acumulando emoções e atividades num amontoado confuso, até que não se dá conta do que quer fazer e de como está se impedindo em fazê-lo. O que produz um variado grupo de doenças já reconhecidas como ¨psicossomáticas¨ (mesmo que alguns busquem explicações na química cerebral…). Alguns exemplos:

– Catatonia.

– Asma ¨emocional¨.

– Paralisias com origem indefinida.

Desvios sociais também podem provir da integração neurótica, a pessoa nesta condição exige semelhança e não tolera diferenças. Um exemplo disto é o comportamento que alguns pais tem em relação aos filhos. Tais pais não levam em consideração que os filhos tendem a ser diferentes deles, pelo menos em alguns aspectos, e se estes não aceitam as exigências se identificando com os desejos dos pais, encontrarão rejeição e alienação.

¨Você não é meu filho…

Não gosto de criança malcriada!!!¨. Quando o homem que está integrado de forma neurótica diz ¨nós¨ não se pode dizer sobre que ele esta falando, sobre si ou sobre o resto do mundo. Perdeu completamente todo o sentido de barreira.

* Segregação

De forma geral a segregação, significa literalmente voltar-se contra, separar-se. O segregado sabe a linha divisória entre ele e o mundo, e faz questão de esboçá-la nitidamente expressando-a de forma clara e direta, de uma forma que resulte sempre em sua destruição.

Relembrando:

– ¨O introjetado faz o que os outros querem e justifica elogiando a eficiência deles… ¨.

-¨O projetado faz aos outros o que os acusa de fazerem a ele, justificando sua ação contra… ¨

-¨O integrado não sabe quem esta fazendo o quê a quem, evitando se expressar sobre a situação… ¨.

-¨O segregado faz consigo o que gostaria de fazer aos outros, colocando a culpa em sua destruição na maldade dos outro… ¨.

Quando uma pessoa segrega-se, através de um comportamento especifico, trata a si mesmo, como gostaria de tratar a outra pessoa ou objeto, inicialmente idealiza em ter reconhecida suas necessidades, e que estas serão supridas sem que tenha que demonstrar iniciativa de um contato integrado.

Para de dirigir suas energias para fora, na tentativa de manipular a situação e provocar as mudanças desejadas no meio que o satisfaçam em suas necessidades; ao invés disso, redirige sua atividade para dentro, e se coloca no lugar do meio como alvo do próprio comportamento idealizado de ¨retaliação¨.

À medida que faz isto, cinde e fragmenta sua personalidade em agente e paciente da ação. Torna-se literalmente seu ¨pior inimigo¨. A introjeção se apresenta pelo uso do pronome ¨eu¨, quando o significa real é ¨eles¨. No caso da projeção quando se expressa o pronome ¨eles¨ significa que está dizendo ¨eu¨. Já na integração só se expressa o pronome nós. Quando falamos da segregação temos uma série interminável de afirmações baseadas na concepção de que ele e ele mesmo, são duas pessoas diferentes. ¨O herói e o vilão…

O bandido e o mocinho… O inteligente e o burro¨. A confusão entre o ¨eu bom¨ e o ¨outro mal¨ que é a base de sua neurose, também se apresenta na base de sua identidade idealizada. Quando se expressa sobre si, ou é um anjo ou um demônio, mas o verdadeiro ¨eu¨ nuca aparece.

A própria confusão da identificação é de fato a neurose. E se ela se apresenta inicialmente pelo uso da introjeção, ou projeção, ou integração e até mesmo na segregação, sua resultante é sempre a desintegração da personalidade e a falta de coordenação entre pensamento e ação.

* Referências

-STEVENS O. JOHN: ¨GESTALT IS¨, EDIT. SUMMUS, 1.975, 359 PAGS.

-WERTHEIMER MAX: ¨UBER GESTALTTHEORIE¨, SYMPOSION, 1.927, I (TAMBÉM PUBLICADO EM SEPARATA COMO ¨SONDERDRUCKE DES SYMPOSION¨, FASC. I).

-GOLDSTEIN KURT: ¨DER AUFBAUS DES ORGANISMUS¨, HAI: NIJHOFF, 1.934, 363 PAGS.

-LEWIN KURT: ¨A DYNAMIC THEORY OF PERSONALITY¨, NOVA YORK: MCGRAW-HILL, 1.935, 286 PAGS.

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