Breve comentário sobre o artigo: PRÁTICAS “PSI” NO BRASIL DO “MILAGRE”:  Cecília Maria Bouças Coimbra

Colado de <http://www.cliopsyche.uerj.br/livros/ … spsinobrasildomilagre.htm>

(…) devemos interpelar todos aqueles que ocupam uma posição de ensino nas ciências sociais e psicológicas, ou no campo do trabalho – todos aqueles, enfim, cuja posição consiste em se interessar pelo discurso do outro.  Eles se encontram numa encruzilhada política e micropolítica fundamental.  Ou vão fazer o jogo dessa reprodução de modelos que não nos permitem criar saídas para os processos de singularização, ou, ao contrário, vão estar trabalhando para o funcionamento desses processos na medida de suas possibilidades e dos agenciamentos que consigam pôr para funcionar.  Isto quer dizer que não há objetividade científica alguma nesse campo, nem uma suposta neutralidade na relação.” (GUATTARI e ROLNIK, 1988, p. 29)

A ditadura, censura e torturas no Brasil da década de 1970 produziu uma manipulação das subjetividades gerando dois grupos fortes de resistência anti-produtiva e, através do controle e dominação pela mídia, fez a instituição familiar se sentir causadora e responsável por esses indivíduos que se desviavam do sistema. O psicologismo, o psicanalismo e o incentivo ao intimismo, o auto-conhecimento como fim em si em vez de meio para o conhecimento e participação no mundo colaboraram para reiterar essa forma disciplinar de dominação.
 
Os dois grupos fortes falados acima referem-se aos ‘subversivos’ e aos ‘drogados’. O saber psi foi usado como forma de poder para justificar os abusos políticos, ideológicos e econômicos do governo. Muitos psiquiatras e psicanalistas – que estavam no auge com o avanço farmacológico e grande aceitação e interesse pelo inconsciente – foram depois cassados profissionalmente por incitar e até treinar formas e grupos de tortura, fora a conivência e cumplicidade com o que sabiam e preferiam fingir que não tinham nada com isso por comodismo e reprodução do individualismo privado como prioridade fundamental em detrimento do coletivo e público. Isso perpetua até os dias atuais, ainda que de maneiras mais sutis porém reproduzindo a manipulação das subjetividades e colaborando com a idealogia do hipercapitalismo, hiperconsumismo, hiperindividualismo, hiperalienação.
 
Tania Montandon
Fragmentário de Inspirações
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About Tania Montandon

graduação: Psicologia Clínica pela Universidade FUMEC em 2002

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