Relação a dois: da escolha do parceiro ao relacionamento maduro.

Este artigo trata da interessante percepção dos motivos psiquicos que nos levam a buscar determinado tipo de parceiro.

Há diferentes formas de relacionamentos, algumas mais primitivas ou neuróticas- que levam a vivências de angústias e constantes conflitos- e as mais maduras e desenvolvidas- baseada na troca e na aceitação.

Interessante refletir sobre os valores e as características que nos levam a escolha de nosso parceiro. Existe uma grande influência dos modelos parentais na escolha e estabelecimento de vínculos conjugais e familiares, sendo este transmitido de uma geracão para outra. Repetidamente vemos homens e mulheres procurarem em seus parceiros características semelhantes da mãe e do pai, assim, inconscientemente, este casal terá suas bases no triângulo edípico. No édipo o desejo pelo o impossível, inatingível e pelo o perfeito permeiam a relação. Para o garoto a mãe, a Grande Mulher, nunca será sua, e para a garota o Pai Perfeito não poderá ser seu. A procura constante por homens e mulheres inatingíveis ou com as características de perfeição (guardada em nossa memória), torna a procura árdua e contínua.

No par existe duas pessoas  repletas de subjetividades e heranças familiares. A história familiar herdada das gerações anteriores está presente na formação do psiquismo de cada um.  Dependendo de como esta herança é recebida, você pode tornar-se prisioneiro ou herdeiro de grande valores. Toda a história familiar de cada membro do casal forma a bagagem que cada um traz para a relação, em todos os aspectos positivos e negativos.

No casamento mais primitivo, ou neurótico, o par é formada pela questão da fusão, com a recusa das individualidades e pelo desejo que um seja o espelho do outro, com mesmos valores e comportamentos. A autonomia é inconcebível. Os afetos gerados neste tipo de casal é de irritação, ciúmes constantes, violência diante a qualquer tipo de individualidade e hostilidade. Ou existe desacordos constantes ou submissão total de um do par.

No casamento maduro existem duas diferentes individualidades discriminadas com um projeto em comum:  compartilhar e conviver juntos. Não há mais necessidade de fusão para a manutenção do par.

A busca por homens e mulheres inatingíveis, perfeitos (muitas vezes casados), pode ser comum na adolescência, uma forma de lidar com os conflitos edípicos, mas a persistência, repetição e especialmente a intensificação deste amor não correspondido pode indicar a necessidade de resolução desta fixação. Mulheres que repetem esta busca pelo o inatingível tem a tendência a cair em relacionamentos perversos, que lhe causam muitas dores e frustrações.  Resolver conflitos e traumas do passado, desamarrar as amarras que te prendem a estes comportamentos é a forma de construir uma relação saúdavel a dois.

Na fase de ínicio de namoro é natural uma maior fusão e idealização do parceiro. Faz parte da paixão. A escolha do parceiro está cercada por conteúdos inconscientes e projetivos. Aquelas características valorizadas ou desqualificadas no parceiro podem ser suas! O que acontece com aquele homem perfeito que depois se transforma em um grande monstro? Ele mudou? Tua visão mudou? Em ambos os polos, do amor cego ao ódio desmedido, é tudo projeção. Aprender a ver a pessoa que escolhemos em seu todo, com suas individualidades, potencialidades e dificuldades pode ser o ponto certeiro para encontrar o teu par. 

Ápos este momento se faz necessária a passagem para a diferenciação do parceiro. A aceitação das diferenças e idiossincrasias de cada um. Intimidade não é sentir a mesma coisa que o parceiro, mas a capacidade de partilhar do nosso profundo ser com o outro, resguardando o lugar diferente de cada um.

A Alternância entre momentos de fusão e de diferenciação é que denotam a harmonia de uma relação. A possibilidade de se espelhar e diferenciar do parceiro, a liberdade de ir e vir, de tornar-se um com o parceiro sem não deixar de ser dois, facilita o amadurecimento da relação e de cada um do casal. Relações estabelecidas na fusão geram estagnação e paralização do crescimento psiquico do casal.

Sem relacionamento não há desenvolvimento. A entrega na relação a dois pode fazer imergir conflitos internos e escondidos que há tempos estavam recalcados. A busca por olhar primeiro para si, para tuas próprias dificuldades e para teu próprio valor interno é o primeiro passo para buscar uma relação estavél, baseado no amor e aceitação.

Na Psicoterapia de casal o objetivo principal é a saúde emocional dos membros do casal, as possibilidades de transformação e estabelecimento de um vínculo harmônico.

Se teu relacionamento anda difícil, procure ajuda. Dificuldades são comuns nos relacionamentos. São tantas as transformações que o casal passa assim como cada um individualmente; que chega o momento de reavaliar e ponderar, destruir e reconstruir, mergulhar nestes conflitos para emergir mais fortalecido e nutrido.

Sugestão de leitura: Uma Clínica específica com casais, de Isabel Cristina Gomes.
Acesse:  www.mariebize.com.br

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