Antipsicótico faz criança engordar 8 kg em 12 semanas

Crianças e adolescentes estão ficando obesos ou com sobrepeso em razão do uso de antipsicóticos. O alerta vem de dois estudos, um deles financiado pelo Instituto de Saúde Mental dos EUA, que apontam ganho de peso de até 8,5 kg com 12 semanas de tratamento.

Crianças e adolescentes estão ficando obesos ou com sobrepeso em razão do uso de antipsicóticos. O alerta vem de dois estudos, um deles financiado pelo Instituto de Saúde Mental dos EUA, que apontam ganho de peso de até 8,5 kg com 12 semanas de tratamento.

Os chamados antipsicóticos atípicos (drogas que modificam a atividade das células nervosas) são indicados para tratar vários transtornos psiquiátricos, entre eles, a esquizofrenia, o autismo e o transtorno bipolar com ou sem hiperatividade.

Um dos trabalhos, publicado ontem no "Jama" (jornal da Associação Médica Americana), revela que, além do ganho de peso provocado pelos medicamentos, as crianças também apresentam aumento das taxas de colesterol, triglicérides e insulina no sangue, principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares no futuro.

Foram estudados 205 pacientes com idades entre quatro e 19 anos, tratados com quatro antipsicóticos –os princípios ativos são olanzapina, quetiapina, risperidona ou aripiprazol– durante 12 semanas.

Após 10,8 semanas de tratamento, as drogas tinham levado a ganhos de peso entre 4,4 kg e 8,5 kg. No grupo controle (que não recebeu os medicamentos), o aumento de peso foi insignificativo, segundo o estudo –menos de 200 gramas.

"Cada um dos antipsicóticos avaliados esteve associado a um significante aumento de gordura e da circunferência abdominal nas crianças. No geral, de 10% a 36% dos pacientes estavam com sobrepeso em 11 semanas", escreveram os autores do estudo, que foi tema de editorial no "Jama".

As drogas olanzapina e quetiapina também contribuíram para o aumento dos níveis de colesterol total no sangue, triglicérides e glicemia. Com a risperidona, houve elevação dos triglicérides. Com a aripiprazol, as mudanças metabólicas não foram significativas.

Segundo a pediatra Isabela Giuliano, professora da Universidade Federal da Santa Catarina e especialista em cardiologia infantil, os antipsicóticos também têm provocado quadros de hipertensão infantil.

Ela conta ter atendido um garoto de nove anos cuja pressão arterial estava elevada, em 15 x 9 (o normal para a idade é uma pressão de 11 x 7). A criança usa antipsicótico em razão do diagnóstico de hiperatividade e deficit de atenção severo. Agora, o menino passou a precisar também de anti-hipertensivo.

"Essas alterações metabólicas provocadas pelos antipsicóticos aparecem muito rapidamente. São crianças que ganharam seis, oito, dez quilos e têm o quadro metabólico todo bagunçado. A obesidade nesses casos é mais difícil de tratar em razão da falta de autocontrole desses pacientes", explica.

Para ela, um dos caminhos é selecionar bem os casos que mereçam ser medicados: "Minha percepção é que estão indicando antipsicóticos mais do que deveriam". Outro é investir em prevenção desde o início do tratamento. "Incentivar a atividade física funciona bem."

Compulsão

O psiquiatra infantil Fábio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro, explica que a maioria dos antipsicóticos causa aumento de peso tanto em crianças quanto em adultos. "Essas drogas aumentam a compulsão alimentar. O que a gente indica é uma reeducação alimentar, para diminuir a ingestão de calorias, e um aumento de atividades físicas. É a maneira que a gente tem para minimizar os efeitos", afirma.

Na avaliação do médico, outra alternativa são as novas drogas, como o aripiprazol, que causam menos efeitos cardiometabólicos. Por outro lado, chegam a ser 40% mais caras. O tratamento mensal com o aripiprazol, por exemplo, custa R$ 500, enquanto com as outras drogas, sai em torno de R$ 300.

O aumento de peso em crianças e adolescentes relacionado ao uso de antipsicóticos também foi verificado em estudo financiado pelo governo dos EUA, que ainda está em desenvolvimento. Resultados preliminares foram apresentados no último congresso de psiquiatria nos EUA, em maio.

Após 12 semanas de tratamento, houve elevação da gordura corporal, de triglicérides no sangue e uma diminuição na sensibilidade à insulina (primeiro passo para o diabetes).

Os pacientes tinham entre seis e 18 anos. Os primeiros 57 casos avaliados mostraram que houve aumento de 14,8 pontos percentuais no IMC das crianças, além da elevação nas taxas de triglicérides no sangue.

Fonte: BOL Notícias

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