Escolaridade é arma contra a demência, aponta pesquisa

Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) mostraram que a escolaridade pode fazer com que uma pessoa com demência não sinta os efeitos da doença – como perda de memória e dificuldade de raciocínio – e viva como se tivesse o cérebro sadio. Mais importante: para ocorrer a melhora não é preciso um grande currículo acadêmico. Alguns anos na escola e hábitos de vida que estimulem o cérebro podem blindá-lo contra os sintomas.

Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) mostraram que a escolaridade pode fazer com que uma pessoa com demência não sinta os efeitos da doença – como perda de memória e dificuldade de raciocínio – e viva como se tivesse o cérebro sadio. Mais importante: para ocorrer a melhora não é preciso um grande currículo acadêmico. Alguns anos na escola e hábitos de vida que estimulem o cérebro podem blindá-lo contra os sintomas.

A demência pode surgir por vários fatores, como diabetes, hipertensão, hereditariedade e envelhecimento natural. Cerca de 60% dos casos resultam no mal de Alzheimer, doença degenerativa que provoca manifestações como a perda de memória, dificuldades na fala, irritabilidade, agressividade e leva o paciente a se desligar da realidade. O que a escolaridade pode fazer não é evitar o aparecimento da doença, mas o desenvolvimento dos sintomas.

Geriatra do HC, José Marcelo Farfel analisou 141 cérebros de idosos mortos com mais de 80 anos e entrevistou os familiares deles sobre os hábitos escolares dessas pessoas em vida para chegar à conclusão. Foram criados três grupos: um dos que tiveram demência em estado avançado e sofriam de perda de memória ou incapacidade para realizar atividades básicas; o segundo, de pessoas normais e com cérebro saudável; a descoberta estava no terceiro grupo – de quem tinha o cérebro danificado pela demência mas que, segundo relatos dos parentes, sempre foi lúcido.

Farfel descobriu que pessoas desse terceiro grupo tinham cerca de quatro anos de escolaridade – mais que a média do grupo que apresentou os sintomas. "Mostramos que o indivíduo que estuda mais tem mais chance de aguentar as lesões (provenientes da demência) sem desenvolver os sintomas", disse Farfel. "A média de estudo encontrada é pequena, mas mesmo poucos anos já oferecem muito mais proteção do que se a pessoa fosse analfabeta." Aos benefícios da escolaridade, Farfel chama de reserva cognitiva. Quanto mais, melhor.

Estimular o cérebro

Só que não são apenas os anos na escola que dão essa reserva cognitiva, que é acumulada ao longo da vida, diz o geriatra do HC e professor da USP Wilson Jacob. "Muitos indivíduos usam o intelecto, a criatividade e a capacidade de raciocínio sem que isso seja decorrência da escola", diz. "A escolaridade é apenas um marcador." Ou seja, o importante é manter o cérebro estimulado durante a vida inteira.

O ideal, segundo Jacob, é fugir de rotinas e variar as atividades. "O que estimula o funcionamento cerebral é o aprendizado", diz. "Um músico, por exemplo, deve ler partituras diferentes das que está habituado. E uma cozinheira, fazer sempre novos pratos." As informações são do Jornal da Tarde.

Fonte:
BOL Notícias

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