Famílias Homoparentais: Uma nova forma de ser famíla na contemporaneidade e a influência dos movimentos sociais para constituição desta

O assunto que será tratado nesse artigo se refere a uma das formas de famílias alternativas, a mesma formada por casais homossexuais. Trata-se com importância o assunto, pois a organização familiar depois de todas as suas modificações ocorridas de épocas em épocas, ainda é vislumbrada como algo necessário para a sociedade, percebe-se que as pessoas em todos os âmbitos culturais e sociais procuram formar uma família e fazer parte dela.
No entanto em um momento de angústia na história surge a pós-modernidade e uma ideologia igualitarista em relação a valores especificados à família que se contrapõe ao caráter tradicional da sociedade, embora tal sistema familiar patriarcal ainda exista, é preciso reconhecer que suas leis e noções internas não dão mais conta das demandas relacionais criadas nas sociedades liberais e democráticas, onde os cidadãos criam e recriam mais livremente suas experiências afetivas. (Passos, 2005).

O que percebemos de fato é que o âmbito familiar vem sendo reinventado sempre no momento em que se precisa, quando a organização familiar estabelecida já não consegue dar conta das demandas que aparecem, percebemos este fato quando nos deparamos com o momento patriarcal onde a família era um “depósito” opressor, que as mulheres não tinham direito a nada e da mesma forma as crianças, pois a liberdade era um privilégio apenas aos homens, até o devido momento pós moderno onde percebemos uma grande desconstrução e reconstrução de novos significados para poder ser possível a contenção da demanda de seus indivíduos.

As mudanças ocorridas na instituição familiar chamam a atenção de todos, inclusive de alguns autores como   Freud, Foucault, Roudnesco e outros que serão mencionados nesse artigo, tais autores tem evocado questões relativas a contemporaneidade e a família, tentando esclarecer o que de fato veio a implicar nessa mutação, tentando suscitar com clareza como percebem essas mudanças tratando-as de maneira cientifica, pois segundo os mesmos essas mudanças foram ocasionadas espontaneamente para a própria adaptação de seus integrantes. A princípio o que percebemos é que a técnologia e a evolução humana caminham juntas e adjacentes, para que a subjetividade do ser humano tenha seu espaço para se reconhecer desejante.

A homossexualidade desde o princípio reprimida busca o seu lugar e para além de simplesmente ter o seu lugar e ser vista como uma forma de se relacionar “normal” alguns casais homossexuais reivindicam sua legalidade perante a lei e a sociedade para constituírem suas próprias famílias, mas para chegarmos a este momento muitas modificações ocorreram para que os próprios homossexuais tivessem a princípio este espaço reivindicatório o qual antes não era nem pensável.

Movimentos sociais que sucederam a partir de 1960, além do surgimento da psicanálise
e da própria psicologia são de certa forma também responsáveis por tais mudanças, por isso a importância de mencioná-los através de um estudo relacionando diversos autores e momentos históricos, onde movimentos políticos e sociais tornaram possíveis e facilitaram a decorrência de alguns momentos onde a família teve de ser reinventada em seu momento histórico de angústia. (ROUDNESCO, 2003), e as pessoas passaram a encontrar possibilidades de escuta para poder fazer ouvir suas reivindicações.

As psicologias através de sua relação com a psicologia social contemporânea e com a psicanálise se envolvem com esse tema, pois vêm a tratar de aspectos que demarcam a vida e a história do ser humano. Elizabeth Roudnesco historiadora e psicanalista tratou muito bem em sua obra “A Família em desordem” o que sucedeu com o modelo familiar a mais ou menos trinta anos, penetrando no segredo de tais distúrbios, tal bibliografia faz parte desse trabalho.

As gerações confrontam-se, e a igreja tem feito de tudo para tentar fazer permanecer o modelo patriarcal, mas não tem conseguido, a família tem se modificado e se reinventado a cada instante decorrente a isso surge uma questão que permanece no discurso de muitos referindo-se a estas mudanças como uma forma de desordem, ainda mais tratando da questão dos homossexuais constituírem suas próprias famílias,  alguns deixam aparecer em seus discursos uma pergunta: “qual seria o futuro da família heterossexual” se é que podemos assim dizer já que a mesma é vista como a única “correta”. Tais divergências serão tratadas nesse artigo, para tentarmos perceber juntamente com a história o que é na verdade a família já que tais indagações têm surgido e a cada dia novos arranjos familiares.

No entanto tratando com peculiaridade a constituição familiar formada por casais homossexuais, tentando fazer pensar e de forma ética explicitar sobre tais mudanças, percebendo os indivíduos na história juntamente com suas subjetividades e suas formas de ser. O tema discutido nesse artigo ainda é percebido como polêmico, quando se fala de homossexualidade as pessoas reagem de uma forma, mas quando se fala de constituição familiar percebemos muito mais resistência. Mudanças sociais vêm ocorrendo a cada momento, em alguns países o casamento e a adoção homossexual já foram liberados, mas a resistência ainda permanece, são questões para se pensar e se questionar.

Alguns Movimentos Sociais e sua Relevância na Modificação da Estrutura Famíliar

O presente pós-modernismo caracterizado pela evolução histórica decorrente de algumas modificações sucedidas na esfera pública incitados por movimentos sociais que vêm desde sempre a incidir com a minoria, estes reivindicam suas questões que de certa forma vêm a representar suas subjetividades, estabelecendo então a participação destas demandas socialmente e politicamente para que sejam repensadas e vinculadas ao meio social, tais movimentos vieram a implicar de fato também no modelo familiar socialmente pré-estabelecido, segundo alguns autores Narvas; Coller (2006)

A família segundo Áries (1981) não é composta biologicamente e nem tampouco uma obra inata descendentemente pronta da maneira em que a vemos hoje, essa instituição é um produto cujo qual resultou de modificações históricas criadas e organizadas por seres humanos, para que fosse possível a interação entre os mesmos e seu meio a partir desta definição podemos vincularmo-nos a uma discussão sobre alguns períodos analisados por Roudnesco (2003) que segundo esta a família passou por três momentos distintos para se chegar à atualidade (pós contemporaneidade), primeiramente Roudnesco (2003) apresenta a família patriarcal onde os casamentos eram arranjados e a autoridade do pai era soberana assim como a igreja, em um segundo momento a família centrada no amor romântico ela passa a ser estruturada a partir dos  sentimentos e desejos que passaram a intermediar o casamento e o mesmo ainda mantido pelo poder da igreja trazia em seu discurso “até que a morte os separe”,ou seja, o divórcio ainda não permeava as relações como hoje. A partir de 1960 a família estabelecida como pós-moderna busca relações íntimas com uma duração relativa onde os indivíduos buscam a satisfação também através da realização sexual, percebe-se até mesmo a ausência de qualquer tipo vínculo um com o outro (Roudnesco, 2003). Os dois primeiros sistemas (patriarcal e romântico), desfaleceram até se estabelecer a família pós moderna, pois tais sistemas não deram mais conta das demandas dos sujeitos.

Demandas essas que surgiram através dos próprios movimentos sociais, no entanto não podemos deixar de lado esses movimentos, pois vieram a facilitar o decorrer dessas modificações de conceitos e “valores” que então se interligam com toda a evolução estrutural familiar, onde a ciência suas invenções e descobertas científicas também se relacionam com esse novo período. É importante frisar também como o cristianismo, sendo uma religião provida de dogmas e costumes designados e de certa forma algumas vezes impostos objetivando um comportamento alienante, não se adaptou a todas essas mudanças ocasionadas, fato visível como podemos observar no discurso que a igreja impõe em relação à inseminação artificial, ou até na própria utilização de métodos contraceptivos como a camisinha ou temas como o divórcio. O declinio do patriarcado se relaciona estritamente com o declínio da igreja, pois simbólicamente os dois têm a mesma função.

Analisando determinados momentos históricos percebemos que o modernismo chocava-se com o cristianismo onde cada um alegava sua própria verdade, o pós-modernismo acomete todo e qualquer conceito de verdade este mesmo é concebido como niilista e relativista onde não existem verdades absolutas, a lógica, a ciência, a história, e a moralidade são produtos da experiência e interpretação individual humana (Vattimo, 2002), o pós-modernismo coloca o ser humano como criador de si mesmo, construtor de suas verdades e pensamentos, Nietzsche elabora uma concepção sobre esse momento no qual “deus está morto”, a religiosidade não é mais a prioridade, assim como o patriarcado também não, mas sim o próprio ser humano e sua satisfação, esta propõe uma certa liberdade onde a possibilidade de pensar em seus desejos dentro da possibilidade social tornam-se mais possíveis a todas as pessoas.

Outras rupturas sociais (traumas) também são referidas por Freud (1915) o qual traz três momentos históricos onde o sujeito ocidental é afligido narcisicamente e esses momentos também vieram a ocasionar mudanças sociais acarretando também ao reajuste estrutural familiar, o primeiro por Copérnico, perde-se o controle do universo e a terra não é mais o seu centro, em um segundo momento, a perda da origem divina do homem por Darwin, e em um terceiro momento a perda da plenitude do Eu pela psicanálise, quando o ser humano estava certo de que sabia tudo sobre si mesmo, Freud traz o inconsciente e o homem desejante nada alienado inconscientemente.

Certamente Freud, a psicanálise e outros pensadores têm grande responsabilidade sobre todo reajuste situado socialmente e historicamente. E então citaremos alguns movimentos sociais os quais mostram sua importância, pois foram de certa forma e ainda são responsáveis pela expressão de questões subjetivas de alguns grupos e suas demandas.  Movimento Feminista  

O movimento feminista em seu discurso aborda a questão da desvalorização da mulher e de seus corpos, o homem sempre obteve alguns privilégios ao decorrer da história e o movimento feminista é demarcado pela luta de igualdade enfocando direitos civis, políticos e educativos onde até então apenas os homens tinham tais direitos para Fraisse, et al. (1995), citado por Narvaz e coller (2006) “O feminismo é uma filosofia que reconhece que homens e mulheres têm experiências diferentes e reivindica que pessoas diferentes sejam tratadas não como iguais, mas como equivalentes.”(p. 648)

E então a partir desse momento o gênero masculino também passou a refletir o seu comportamento e reavaliar suas atitudes, as mulheres começaram a conquistar seu espaço em todo mundo, hoje é possível até mesmo verificar papéis de gênero que até então eram pré estabelecidos de uma forma “inversa”, ou seja, antes apenas o homem trabalhava e a mulher cuidava da casa e dos filhos, e então na atualidade encontra-se também o oposto onde a mulher trabalha e o homem cuida dos filhos e da casa, esse movimento veio a implicar no modelo familiar patriarcal, o surgimento da pílula anticoncepcional trouxe mais independência à mulher, pois a mesma passou a controlar a sua gestação e seu próprio corpo, o que decorre a uma grande mudança no que condiz a única forma de como a mulher era percebida na história, tendo apenas as funções de dona de casa, de procriação e mãe, em momento algum era possível controlar sua própria vida e se mostrar desejante.

Uma nova concepção de valores surgiu, valorizando a mulher como um ser humano com direitos equivalentes ao homem, indo contracultura estabelecida. A mulher passou a refletir e expressar algumas questões de sua subjetividade, podemos perceber que o movimento feminista foi um dos movimentos que mais ocasionou mudanças no âmbito social refletindo suas conseqüências a priori no âmbito familiar e sua estrutura, ao passo que passou-se a perceber que o estereótipo existente e o “lugar” pré estabelecido para a mulher e para o homem dentro do modelo familiar não tinham objetividade alguma e que o sentido da constituição familiar não tem significado valorativo por tal fato.

Ser homem e ser mulher nem sempre tiveram a mesma representação, pois em diversas sociedades, diversas culturas, e em diferentes épocas são percebidos de diversas formas. Sexo (homem e mulher), e gênero têm significados diferentes, pois o gênero é o que cada sociedade constrói em relação ao papel desempenhado pelo sexo, ou seja, homem e mulher. (Stray, 2003) muitas vezes confundem gênero e sexualidade. Então nem todas as sociedades percebem o gênero da mesma forma, analisando até mesmo a história de nosso próprio país através de tantas mudanças que ocorreram, inclusive a partir do movimento feminista.

Movimento Estudantil  

Outro movimento, o movimento estudantil que segundo Barbosa (2002)  afirma:
Inicialmente,os estudantes lutavam pela Reforma Universitária e por maisverbas para a educação. Posteriormente, acabaram se aliandoa outros setores da sociedade e se envolvendo comcausas políticas mais amplas, como a luta pela derrubadada ditadura militar, implantada no país através de um golpede Estado a partir de 1964. (p.1) Esse momento não se caracterizou como passageiro onde tivesse a possibilidade de transparecer apenas um período de dificuldades, mas foi um momento de total recusa a se adaptar ou a se enquadrar. A luta contra o regime militar trouxe também outros questionamentos, sobre sexualidade, moralidade, liberdade de escolha, educação, direito de ir e vir, de se vestir, uso de drogas, são algumas questões que certamente fizeram parte da expressão dessas subjetividades em massa.

A luta pelo bem estar social e pelos direitos humanos vêm de certa forma a se interligar com as demandas que se apresentam em todos os contextos, evidenciando sempre a subjetividade humana tal sempre muito presente e muito mais depois de Freud como citamos anteriormente. Questões subjetivas começam a aflorar-se inclusive no meio educacional, tal movimento efetivado em Maio de 1968 e em diversos países trata de mais uma questão onde algumas pessoas não satisfeitas com algo estabelecido procuram alterar tal contexto.

Movimento Hippie  

O movimento hippie que se estabelece contra cultura como todos os outros, onde jovens andarilhos de cabelos compridos e barba por fazer mostram a falta de interesse pela formalidade e o culto ao descanso, jovens adeptos interessados em novas emoções e experiências. Apresentavam o discurso “Paz e Amor”, tanto quanto “É proibido proibir”, foi também um movimento de grande importância onde os indivíduos começaram a se ver ainda mais desejantes e sujeitos supostos de vontades, sentimentos e valores.

O movimento hippie vem a realçar o individualismo, o tempo livre, o consumo, colocando-se de uma forma anárquica, a expressão e realização do eu em todos os movimentos e inclusive no movimento hippie sempre presente reinventando e lutando pela transformação do meio social. A tecnologia e os novos meios de informação certamente possibilitaram a estruturação desse momento pós moderno e também passaram a dar conta de toda demanda advinda do ser humano nesse novo momento ocasionado pela busca incessante da realização de desejos e vontades.
 

Movimento Social e Homossexualidade (Brasil e Mundo)  

Foucault (1985) aborda em um de seus trabalhos a relação do homem com seu próprio desejo, ou seja, com sua própria sexualidade, segundo o mesmo tal termo surgiu em meados do século XIX decorrente a conseqüência do pós-modernismo onde o sujeito passou a se perceber e observar sua própria demanda. Segundo Foucault a sexualidade assumiu várias formas em suas manifestações históricas devido ao fato de sua repressão ter sido sempre reforçada através de leis e normas estabelecedoras de condutas “normativas”.

Foucault (1985) menciona três eixos que constituem a sexualidade “a formação dos saberes que a ela se referem, o sistema de poder que regulam sua prática, e a forma pelas quais os indivíduos podem e devem se reconhecer como sujeitos dessa sexualidade” ( p.10).

Podemos dizer que a tradição religiosa cristã é uma das formas de poder que discute o tema desde seu início como uma experiência cristã da “carne” e de certa forma “pecaminosa” onde o ato sexual só poderia ocorrer após o casamento de dois indivíduos do sexo oposto, ao mesmo tempo em que a modernidade trazia e traz a possibilidade de tal experiência estabelecendo uma relação do indivíduo e sua veleidade.

Segundo Foucault (1985) o cristianismo associa o ato sexual ao pecado, à queda, à morte, no entanto a era mais anterior ao cristianismo teria dado significações positivas ao sexo, pois o cristianismo tem como fator prioritário a procriação desqualificando a relação entre indivíduos do mesmo sexo ou qualquer outro tipo de relação que não priorize suas normas. Na Grécia o fato era exaltado e em Roma aceito, pelo menos a relação sexual entre homens. Foucault mostra que apesar do cristianismo reprimir de tal forma, os antigos eram um tanto indiferentes a padrões ou normas relacionadas ao sexo, este não era considerado um problema pelo menos nesses dois países.

Encontramos também estudos relacionados à homossexualidade feminina o mesmo expõe a existência de um vínculo entre as mulheres homossexuais muito mais ajustado e forte, cerca de 60% das mulheres após romperem seu relacionamento, se tornam no mínimo amigas íntimas, e isso se dá por haver segundo o autor e suas pesquisas muito mais diálogo e compreensão na relação homossexual feminina do que em uma relação heterossexual, ou até mesmo homossexual masculina. (Giddens,1993).

E se tratando de tal demanda o movimento LGBTTTs (Gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e simpatizantes), caracterizando-se como movimento social este se estabelece na luta contra o preconceito em relação aos seus autores, tais indivíduos cansados de tanta repressão e preconceito resolvem se manifestar socialmente para expor suas opiniões sobre si mesmos e seus direitos como seres humanos. Diálogos e interpretações arcaicas também tratavam da mesma maneira preconceituosa questões relacionadas a relação sexual antes do casamento e a submissão que a mulher deveria ter ao homem sem questionamentos, o fato dos homossexuais serem estigmatizados de “sodomitas”, “pecaminosos” e etc, também já não era sustentável e tolerável .Surge então o movimento LGBTTTs que não podemos deixar de explaná-lo de forma alguma, pois transmite a luta de pessoas pelo reconhecimento de sua existência e sua forma de se relacionar. A história desse movimento conhecido como parada gay, a mesma hoje com milhões de adeptos, iniciou-se no Estados Unidos na cidade de  Nova York, Santos et al.(2005)

Na noite de 27 de Junho de 1969, um grupo de polícias invadiu o bar nova iorquino Stonewall-Inn espancando homossexuais e transgêneros que, pela primeira vez, ofereceram resistência dando origem a uma série de motins. Foi este acontecimento que acendeu a causa LGBT nos EUA, fortemente influenciada pelo movimento dos direitos civis anteriormente protagonizados pelo movimento negro. Aliás, nos motins de Stonewall, para além das minorias sexuais, participaram também grupos pertencentes a minorias étnicas. Acresce que, na década de 1960, muitas das pessoas brancas presentes nas fileiras do movimento afro-americano e muitas das pessoas pertencentes ao movimento feminista eram gays e lésbicas que, por não puderem na época lutar por uma causa própria, se aliaram a uma causa análoga por via do combate à discriminação. (p.1)

O bar Stonewall era freqüentado por gays e lésbicas, o local permitia com que os mesmos se sentissem a vontade, dançar e se divertir como qualquer outro gênero, e no dia 28 junho de 1969 foi invadido por policiais, com a alegação de falta de licença para bebidas os integrantes do local foram presos , mas diferentemente de outros dias ocorreram protestos em solidariedade para com os presos, foram dois dias de confrontos intensos entre gays, lésbicas e policiais, e dentro desse contexto afirma ainda Santos et al. (2005)

Os homossexuais contaram com a solidariedade dos habitantes locais e tudo só acabou com a decisão do Presidente da Câmara de acabar com a violência policial.
No terceiro dia, um domingo, as coisas pareciam ter voltado ao normal e o bar Stonewall foi reaberto. Os seus clientes habituais voltaram, a polícia deixou-os em paz por um tempo e os jornais acabaram por se ocupar de outros assuntos.
Mas na verdade tudo havia mudado pois partir daquele dia, aqueles gays, lésbicas e travestis perceberam que nunca iriam ser aceitos pela sociedade se ficassem apenas à espera e a depender da boa vontade da mesma. A rebelião mostrou que a atitude que deveria ser tomada era a do enfrentamento. O discurso mudou e nada mais de pedir para ser aceito: era preciso exigir respeito. (p.1)  

O movimento gay é um movimento reivindicador que luta pela conquista da igualdade sexual tentando estabelecer o respeito para com pessoas que se envolvem com indivíduos do mesmo sexo assim como aqueles que se envolvem com indivíduos do sexo oposto, pois os homossexuais ainda são vistos com preconceito e então a necessidade que os mesmos hoje têm de se colocar reivindicando seus direitos, até um tempo tais relacionamentos eram vistos como algo episódico, principalmente a homossexualidade masculina (Giddens, 1993). O movimento reivindica a igualdade sexual, o respeito e o reconhecimento social se articulando politicamente. Afluentes de tal movimento encontramos algumas ONGS como a CRS (Clube rainbow de serviços) que vem a suprir a necessidade de serviços a indivíduos homossexuais, pois é fato que muitos após se assumirem socialmente como homossexuais sofrem preconceito no sentido de não serem aceitos em uma vaga de trabalho ou até mesmo sendo prejudicados em seus trabalhos atuais (MACHADO; PRADO, 1995, p. 35). Outra ONG que se vincula com o movimento LGBTTTs é a ALEM (Associação lésbica de Minas), em seu discurso se posiciona estabelecendo sua importância dentro da população GLS, pois segundo elas os homossexuais homens se revelam muito machistas, tanto que as reuniões dessa ONG são realizadas de portas fechadas somente para o público feminino.

O movimento LGBTTTs se articula com essas ONGS e outras não explicitadas nesse trabalho, as mesmas estabelecidas com suas ferramentas lutando pela conquista dos mesmos objetivos. Todo movimentos social integra aspectos particulares de cada grupo e se reafirmam dentro do contexto social onde a participação dos seus indivíduos integrantes é o principal instrumento desses movimentos, como também a efetividade dos membros de qualquer movimento social.

A mídia hoje tem um papel importante, pois, procura apresentar em novelas, entrevistas, jornais algumas questões relacionadas, e isso têm feito com que as pessoas venham a se conscientizar de onde advém o preconceito e as diferenças.

Depois do movimento feminista muitos historiadores realizaram trabalhos de pesquisa enfocando o assunto, ficou muito mais fácil o caminho de reivindicação para aqueles que procuram se posicionar socialmente apresentando sua demanda ocasionando ou não algum movimento social.

O movimento social GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) não vem objetivar apenas os direitos sociais como, por exemplo, a união civil de casais homossexuais, mas trata de uma modificação de conceitos que tendem a construção de uma nova realidade, com novos elementos simbólicos culturais que perpassam conflituosamente a toda uma idealização social arraigada em conceitos tradicionalistas e religiosos.

A participação social, a “normatização” dessa identidade dentro da esfera publica é o que de fato interessa aos atores de tal movimento. Pois as realizações de tais objetivos certamente trariam benefícios à forma de viver de todos os seus participantes e de forma alguma prejudicaria o bem estar social e a ordem pública.

Os Movimentos Sociais e a Significação do novo

Vinculando esses movimentos com o assunto discutido sobre famílias, não podemos de forma alguma como já disse pensá-los de forma separada, pois todos tratam de questões subjetivas, cada um questionando a sua demanda que certamente não abrangem apenas a sua questão, mas tocam em outras, muitas vezes nem mencionadas no próprio discurso dos integrantes do grupo reivindicador como, por exemplo, a homossexualidade feminina e o movimento feminista, o movimento hippie e a liberdade sexual que vêm a se articular com a homossexualidade, pois são expressões de discursos que emitem sexualidade e desejo, a manifestação do diferente, digo diferente por não estar estabelecido socialmente, que tenta se vincular com o social e com aquilo que já existe como socialmente viável e “aceito”, são práticas de significação que postulam sentido ao mundo, ao passo que o inauguram as subjetividades e identidades são indissociáveis de tais processos. A cultura também é reinventada em cada momento e os indivíduos tomam sua devida posição dentro desta segundo (BERNARDES E HOENISCH, 2003)
 
Quando falamos de posições-de-sujeito, não estamos nos remetendo a teorias de papel, de papéis sociais, mas de interpelação de cultura no sentido de recrutar indivíduos ou grupos sociais a ocuparem tais posições, a se identificarem com determinados discursos (…) sujeitando-se a determinadas significações que os tornam o que se é. ( p.113.).
 
 u seja, através das manifestações dos primeiros movimentos sociais, deu-se a abertura para a oportunidade de manifestação de outros movimentos e o aparecimento de outros discursos e outros desejos, onde cada um passou a expressar seus sentidos, suas formas de ser e seus possíveis direitos dentro da sociedade. O discurso, ou seja, a linguagem evidencia estes movimentos, e tem sua materialidade, pois se dão encima de algo concreto como, por exemplo: homens homossexuais, ou heterossexuais, mulheres homossexuais ou heterossexuais, conectam-se com a materialidade do mundo. (BERNARDES E HOENISCH, 2003)

Entendemos que as práticas sociais e os artefatos culturais são concebidos como linguagens, como discursos que produzem os objetos dos quais falam, por serem práticas de significação que atribuem sentido ao mundo, não só do domínio do conhecimento, do “mundo das idéias”, mas ao passo que criam visões de mundo, criam também modos de viver no mundo, na verdade criam o próprio mundo ( p.121.).   
O mundo sempre é transformado pelos seus autores os quais traduzem seus significados na esfera publica e manifestam suas idéias, estas vinculadas aos seus próprios desejos onde cada um estabelece-se da maneira em que sente. Certamente os movimentos sociais implicaram em todos os períodos onde a família foi reinventada e podemos dizer que esta está constantemente se modificando, pois é integrada por seres humanos estes sempre em eterna desconstrução e construção juntamente com o mundo onde a organização social, mais além de qualquer espécie de resgate sempre se encaminha em direção a algo novo e a novas possibilidades do ser dentro da cultura através do discurso de seus integrantes.

A Família seu Significado, sexualidade e gênero.

Através de alguns estudos realizados por historiadores, encontram-se alguns resquícios que contam um pouco da história da evolução dessa instituição chamada família. Através de iconografias eruditas o ser humano criou imagens de si mesmo, de sua época e de sua história. Para se localizar no tempo em relação a épocas e estações o homem sempre usou da arte e dos desenhos das imagens e muitos encontrados em pedras, e materiais antigos.

A vida privada era uma arte a princípio priorizava o homem (camponeses e nobreses), a imagem da mulher começou a aparecer após o século XIV e logo após a imagem dos filhos. Após o século XVII o sentimento da família começa a ser realmente reconhecido, e isso se deu após a modificação do relacionamento interno com as crianças, ou seja, com os filhos. (Ariés, 1981) O serviço doméstico era confundido com educação, os pais encaminhavam os filhos para viver e trabalhar em outras famílias, a maioria não voltava para casa.

A família era vista como uma realidade moral e social muito mais do que sentimental.

Existia uma forma de controle muito maior do que nos dias atuais. O que vêm a modificar tal contexto é o surgimento da escola, pois essa assume o papel moral e social e então também é na instituição escolar que a criança vai estruturar-se e construir seu futuro. A individualidade passou a surgir e as pessoas passaram a fazer seus retratos individuais e se observarem.

A família era observada até esse momento a partir de um princípio fundamental que se trata da diferenciação sexual, a individualidade começa a ser observada, a família modificada, mas ainda não existia nenhum diálogo reivindicador relacionado a constituição familiar, e então surgem pensadores, pesquisadores, pessoas que começam a questionar tudo o que condiz a existência humana, a própria ciência tem seu marco na história e a família começa a ser também um objeto de estudo a partir de então aparecem algumas abordagens reflexivas sobre sexualidade e gênero.

As famílias homoparentais começam a aparecer recentemente, podemos dizer que os movimentos sociais e a priori esses citados anteriormente, foram reformulando o imaginário social com novas representações, tal configuração trata de uma forma “nova” de ser família por estar rescindindo com questões socialmente estabelecidas como corretas.

Sigmund Freud como citamos inicialmente foi um dos primeiros autores a abordar tal questão e não apenas penhoar, mas trazer uma compreensão mais elaborada em relação ao ser humano e sua forma de “ser”. Estudos de casos sobre a homossexualidade, uma vez que em seu divã recebeu pacientes homossexuais e heterossexuais, pôde trazer “luz ás trevas”, ou seja, esclareceu de uma forma mais compreensiva como se estabelece a orientação sexual ao olhar da psicanálise, não sendo a mesma uma simples opção como muitos afirmam ou então doença, mas uma escolha objetal, a qual surge segundo Freud da relação que a criança estabelece com os pais, chamada por ele de complexo de Édipo, onde a criança irá escolher seu objeto amado, seja homem ou mulher, identificando-se com o pai ou com a mãe, estruturando-se sexualmente e subjetivamente de tal forma. (FREUD, 1905).

Para compreender um pouco mais sobre a sexualidade, podemos tratar da questão de sexo e gênero já que se tratando de papéis dentro de um relacionamento familiar esse tema sempre foi compreendido da mesma forma, no entanto, (STREY,2003) “Enquanto as diferenças sexuais são físicas, as diferenças de gênero são socialmente construídas”(p.183). Todas as diferenças construídas entre homens e mulheres, entre raças, idades, diferenças sócio-econômicas, crenças, etc, foram erigidas ao longo da história, em diversas civilizações. 

A diferenciação sexual não é universal tanto que em algumas cidades homens e mulheres têm a opção de adotar o papel um do outro, assim como a união civil e religiosa de casais homossexuais em alguns países já são permitidas, pois a homossexualidade sempre existiu no meio social esta abordada nas diversas literaturas e em diversos trabalhos erigidos por inúmeros autores, alguns inclusive citados nesse artigo. A homossexualidade é vivenciada em várias civilizações de acordo com suas normas, costumes e valores. Um exemplo que podemos citar seria como a homossexualidade era vivida na Grécia onde não existiam classificações sexuais como heterossexual, homossexual ou bissexual, mas sim uma sexualidade vivida de acordo com uma identificação entre pessoas sendo elas belas e inteligentes podendo ser do mesmo sexo ou não. (FOUCAULT, 1985).

Giddens quando discute a questão da homossexualidade nos apresenta como esta era vista de forma vulgarizada onde não se era possível pensar em conjugalidade, visualizada sempre como uma relação muito instável. No entanto podemos observar que dentro das relações de gêneros e de sexos opostos percebemos um discurso de reivindicação segundo (GIDDENS, 1993):

“… a raiva dos homens em relação às mulheres é, substancialmente, uma reação
contra auto-afirmação das mulheres no lar, no local de trabalho e em toda parte. As mulheres têm raiva dos homens devido aos modos sutis e não-sutis, pelos quais lhes negam os privilégios materiais reivindicados.” ( p.70).
 
A partir dessa observação é possível compreender que a instabilidade sempre existiu em todos os relacionamentos, o que subsistia era apenas a lei cristã no imaginário social, casar até que a morte os separe, não importando a existência de uma boa convivência, para ser cristão deveria casar-se e viver para sempre junto e esse era um grande reforçador para manter a estabilidade conjugal, não tanto o sentimento que existia entre as duas pessoas.

Hoje com a decadência do patriarcado os relacionamentos heterossexuais também se encontram em turbulência, pois cada indivíduo passou a reivindicar seus direitos, e principalmente a mulher depois do movimento feminista.

Giddens (1993) faz-nos perceber as mudanças subjetivas que certamente vêm a implicar em uma transformação da intimidade, denominando os relacionamentos a partir de então de “relacionamentos puros”, aonde os casamentos convencionais vêm desaparecendo, podemos dizer que os gays são pioneiros em relacionamentos arranjados, ou seja, sem uma lei determinante religiosa que diga que apenas a morte os separe. Tal relacionamento é centralizado segundo o autor no compromisso, se desenvolvendo a partir de uma história compartilhada onde uma pessoa deve se doar à outra. Onde algum fator venha a proporcionar uma segurança seja em palavras ou em atitudes, para que o relacionamento seja indefinido, o risco futuro é um tanto mais propenso se o relacionamento vir a dissolver. Segundo Giddens (1993): “No relacionamento puro, a confiança não tem apoios externos e tem de ser desenvolvida tendo-se como base a intimidade, confiar é ter fé no outro e também na capacidade do laço mutuo para resistir a traumas futuros”. (p.103).

A questão da relação dual é vista na contemporaneidade como uma troca de cumplicidade, onde o amor romântico tornou-se um elemento indispensável a partir do século XVII nas relações, da mesma forma que o uso dos prazeres tornou-se existente nos relacionamentos e fez com que a função reprodutiva do casal perdesse seu lugar prioritário, relações desvinculadas da reprodução, pelo menos no campo simbólico. (FONSECA, 2005)

Um dos modelos específicos de famílias alternativas, pois existem várias que fogem do modelo homem, mulher e filhos é então a composta por casais homossexuais, tal modelo trouxe uma mudança significativa nas relações conjugais e parentais onde à diferenciação sexual, a presença do diferente perdeu sua força não é mais a principal característica para formação do elo conjugal. O vínculo conjugal se estabelece em tais relações a partir de indivíduos com gêneros iguais ou diferentes, mas com o mesmo sexo, dois homens ou duas mulheres juntamente com seus respectivos filhos.

Considerações Finais

Para Freud o que caracteriza uma pessoa em “especial” é apenas uma redescoberta, uma projeção do pai, ou da mãe. É nisso que vêm a se embasar o relacionamento entre dois indivíduos a partir da psicanálise. No mais, existem reforçadores que vêm a manter uma relação como a dedicação, a exclusividade, atenção, comunicação entre o casal, reciprocidade, perseverança, e vários outros requisitos fazem parte da solidificação conjugal e para Giddens (1993) “Dadas certas condições, o relacionamento puro pode proporcionar um ambiente social favorável ao projetor reflexivo do eu”. (p.104).

Se tratando então de casais homossexuais é muito claro que o que se modificam são os estereótipos não existe uma forma, um lugar ou uma função para cada indivíduo como em relacionamentos heterossexuais, diga-se de passagem que na contemporaneidade até mesmo nesses relacionamentos quase não existem mais. No entanto os sentimentos e o vínculo entre os indivíduos homossexuais se estabelecem da mesma forma como em uma relação heterossexual onde pessoas se gostam, se identificam ou mais além, se amam e querem tentar viver uma vida a dois, tendo então compromisso um com o outro.

O tema deste artigo sempre é tratado com muita polêmica, pois não deixa de ir contra cultura (PASSOS, 2005), pois a configuração ideal foi construída objetivando a procriação (homem e mulher) e a cultura alicerçada neste dilema. E um dos discursos que aparece popularmente é que um casal gay ao adotar uma criança não tem a figura feminina ou masculina e sim apenas um dos estereótipos e isso em tal discurso significa uma “falta” podendo afetar no desenvolvimento psíquico e social da criança e até mesmo como alguns tentam afirmar essa nova forma de família como uma nova estruturação que vem a “desorganizar” o âmbito familiar. Mas será que a constituição familiar e a sexualidade das pessoas são estruturadas apenas a partir de estereótipos? Ou então contrapondo essa afirmação, podemos dizer que a criança é estruturada a partir da relação que tem com os pais e a afetividade que circunda entre estes? É o que parece mais provável, a família hoje é uma fortaleza afetiva onde as pessoas buscam refúgio, aconchego, carinho e atenção.

Muitos desafios essa nova configuração familiar tem enfrentado para se estabelecer socialmente, para construir uma família. E além das dificuldades que explicitamos o casal precisa escolher um meio para inserir essa criança no âmbito familiar que é outra questão a ser desvencilhada pelo casal, pois o mesmo deve assumir a falta que subsiste de não poder procriar, tendo que se sujeitarem a presença de um terceiro na relação como, por exemplo, a inseminação artificial (casal de mulheres), filhos de relações heterossexuais passadas ou até mesmo o coito com um indivíduo heterossexual. Tais fatores permeiam a construção dessa nova forma de ser família e é importante que possamos pensar sobre.

Percebemos a concretização de um fato em 1974 o qual não podemos deixar de engrandecer a psicanálise, pois diversos autores principalmente dessa linha proporcionaram novos olhares às sexualidades e aos movimentos gays e lésbicos onde depois de muita pressão a APA (American Psychiatric Associason), após um referido retirou a homossexuailidade da lista de doenças mentais encontradas no DSM (Manual diagnóstico e estatístico dos distúrbios mentais), (ROUDNESCO, 2002). Tanto que por não saberem explicar e definir cientificamente a homossexualidade como doença não havendo de fato nenhum traço de anormalidade psíquica, foram obrigados a retirar da lista do DSM.

O que percebemos de fato é que o âmbito familiar vem sendo reinventado quando se precisa, no momento em que a organização familiar estabelecida já não consegue dar conta das demandas que aparecem. E nesse momento pós moderno podemos afirmar que novas formas de ser família estão sendo construídas, pois a subjetividade tem se encontrado presente de forma marcante e as pessoas têm necessidade de serem elas mesmas com suas próprias sexualidades dentro do ambiente em que vivem e convivem.

Percebemos assim dentro da história tal necessidade, e o mais importante a frisar é que todos independente de sua sexualidade buscam formar uma família, ela não está esquecida e faz parte do meio social. Portanto penso eu que se a mesma é o refúgio necessário para todos os seres humanos, não devemos limitá-la apenas a uns ou outros, mas sua configuração e estruturação devem se dar a todos que desejam e tem capacidade para, pois se não tem tal estrutura não subsiste independente de quem faz parte dela.

A partir desse trabalho percebemos qual o grau de importância que se dá a família hoje, depois de muitas mudanças sociais, o avanço da tecnologia, o se deparar com o subjetivo até outrora não tão visualizado e priorizado em suas questões, ou seja, tudo o que se passou de um século para outro e a família subsiste intacta em sua função, mas, no entanto transformada em sua configuração.

Os homossexuais têm conquistado seu lugar, assim como a mulher conquistou através de muito empenho, os estudantes, os hippies revolucionando os costumes, e todos os movimentos (até os não citados), que são contracultura onde os seus autores contrapõem o que até então era estabelecido como “certo”. Os movimentos sociais tiveram sua função e importância histórica, pois foram favoráveis para com aqueles que até então faziam parte da classe reprimida e desfavorecida socialmente.

Com a decadência do patriarcado, o amor e o desejo que antes eram apenas concedidos aos amantes hoje presentes em todas as relações conjugais,  e todos os estudos que vêm se realizando na área, os homossexuais começaram a ser vistos como pessoas que amam e se relacionam assim como qualquer pessoa, no entanto com alguém do mesmo sexo.

Hoje existe uma emancipação relativa a subjetividade onde os filhos podem fazer suas escolhas mais livremente, o amor, a paixão, o desejo e o sexo fazem parte dessa cerne onde se institui o casamento pós contemporâneo e suas relações, e então eu posso propor uma reflexão que se detém a perguntar qual a influência que pode ocasionar ser um casal homem e mulher ou dois homens e duas mulheres? Se o que perpassa a tudo isso é a própria subjetividade humana e não os sexos envolvidos.

O homossexuais desde o início tiveram oportunidades de constituírem suas respectivas famílias mas no entanto segundo (ROUDNESCO, 2003) “…desde que se dissociassem às práticas sexuais ligadas a sua inclinação dos atos sexuais necessários à reprodução” (p. 182), ou seja, se envolvessem com pessoas do sexo oposto para fecundar um filho da maneira “correta”.

Explanar a questão sobre homossexualidade e família, tentando pensar quais são os motivos que levam a pensar na não possibilidade da estruturação de uma família homossexual, alguns pessimistas pensam que a civilização pode se tornar conturbada ou até mesmo desaparecer com o surgimento dessas novas formas de ser família, podemos perceber através de fatos históricos que toda forma de desordem social não é algo novo por mais que no momento seja mais visível, elas sempre existiram, mas não haviam meios de comunicação para expor tantos acontecimentos como observamos hoje, era tudo muito escondido.  

Em contrapartida através de alguns autores explicitando o que é família, para que serve e suas mudanças deixando claro quais as condições necessárias para se formar uma família as quais não advém de gênero ou sexo, mas muito para além disso, o que abordamos no decorrer desse artigo parafraseando diversos autores e nos questionando fica muito mais evidente a importância dessas mudanças sociais, o que é família para que serve e seu futuro. Os diversos fatores mencionados que tornam possíveis uma melhor compreensão, afinal esse é um dos objetivos desse trabalho.

Para o bem estar social pós contemporâneo, a existência da formação familiar é importante para a sobrevivência dos seres humanos e reinventá-la é necessário e imprescindível. Esse trabalho consiste em fazer pensar sobre o direito e a possibilidade de todas as pessoas que desejam, formarem uma família independente de suas sexualidades.

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