Mecanicismo (Lourenço Barba)

O mecanicismo representa uma doutrina segundo a qual os fenômenos da Natureza explicam-se inteiramente pela causalidade mecânica. Isto é, as categorias explicativas estabelecidas pela Física, no estudo dos sistemas mecânicos, seriam suficientes, em última instância, para explicar os fenômenos da Natureza. O mecanicismo, aplicado às ciências biológicas, corresponde à tese de que os organismos vivos (sua constituição e seu comportamento) podem ser satisfatoriamente explicados pelas categorias causais que explicam o comportamento dos sistemas mecânicos. O mecanicismo opõe-se ao vitalismo, doutrina segundo a qual os organismos vivos diferem essencialmente dos sistemas inorgânicos. O vitalismo mantém uma concepção anímica da vida. Essa corrente filosófica sustenta que somente os organismos vivos possuem uma ´força vital´ (élan vital) que os anima. Segundo essa escola, o comportamento dos organismos vivos não pode ser inteiramente explicado sem que essa força vital seja considerada. Ou seja, o vitalismo sustenta que as categorias da mecânica são insuficientes para explicar satisfatoriamente o comportamento dos organismos vivos. Esta apresentação pretende situar a abordagem skinneriana do comportamento dentro dessa discussão. Recorremos a obras que tiveram alguma importância na constituição do behaviorismo skinneriano e que discutiram, de alguma forma, os temas que opõem mecanicismo e vitalismo ( em especial Ernst Mach ). Skinner propôs um modelo causal que, segundo esse autor, aplica-se somente às ´coisas vivas´ e que, ainda segundo esse autor,  distingue-se do modelo causal que explica a interação de elementos dentro de um sistema mecânico. Procuramos analisar alguns elementos do modelo causal proposto por Skinner à luz da oposição mecanicismo x vitalismo.

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