Sobre a Noçao de Eu (Isaías Pessotti)

Há milênios, os homens falam de si mesmos. Portanto, necessariamente discriminam entre o que consideram si mesmos e o que lhes é estranho: falar de si implica alguma linha divisória entre o "si mesmo" e o mundo. Ao falarem de si, podem referir-se ao que sentiram, ao que fizeram, ou ao que foi registrado desse sentir e desse fazer; ao que pensam, portanto.  Mas, o ato de falar (ou pensar) sobre si mesmo, também é, de algum modo, sentido ou percebido por quem fala e, desse modo, passa a integrar aquele registro da experiência: torna-se também parte do eu falado. Então, o sujeito que fala de si, toma a si mesmo, ao seu eu, por objeto de seu discurso ou pensamento.

Há, pois, vários níveis de "eu", ou vários momentos da constituição da própria identidade pessoal (subjetividade) e da transformação dela em objeto de pensamento (ou de discurso). Do nível mais elementar ao mais elaborado, teríamos, a individuação, a aquisição da experiência, a consciência da experiência, a identidade narrativa, e a ipseidade, ou o "si mesmo".

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