Esquiva governada por regras

Hoje conversando com um morador em situação de rua, observei um comportamento de esquiva governado por regras.

 P, 33 anos, sexo masculino, relatou nunca ter freqüentado albergues e que não gosta desse tipo de espaço de convivência, preferindo permanecer na rua. Ao ser questionado porque não gosta de albergues informou que outros moradores de rua descreveram como o albergue é:

  • Tem que dormir junto com os pertences para não serem furtados.
  • Ocorrências freqüentes de homicídios.
  • Seis horas da manha deve acordar.

    Para P (e muitas pessoas), ser roubado ou ter a vida em risco é aversivo, P aprendeu por meio de regras, em vez de esperar por conseqüências.

    Esquiva é geralmente um ajustamento mais adaptativo a punição do que a fuga.

    Esquiva impede que um evento indesejado ocorra.

    P deixou claro que o serviço social do albergue poderia ajudá-lo em sua situação encaminhando para entrevista de emprego, ainda assim não aceita ter uma experiência de como o albergue é, mesmo que isso signifique abdicar de reforçadores positivos.

    A ameaça de ter os pertences roubados e de morte são coercitivas, e controle coercitivo imaginário ou real gera fuga e fuga gera esquiva e a esquiva bem sucedida mantém afastada situações aversivas tornando assim o comportamento de fuga desnecessário.

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