A utilização da Terapia Analítico Comportamental no Manejo de Respostas de Ansiedade em Pais de Crianças em Processo Cirúrgico

Maria Claudia Rodrigues1; Matheus Felipe de Souza1; Maria de Fátima G.S. Tazima2; Renata Panico Gorayeb3 mariac_rodrigues@yahoo.com.br 1 Laboratório de Pesquisa e Intervenção Cognitivo-Comportamental do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; 2Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; 3Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Os procedimentos de hospitalização e intervenções invasivas envolvidos nos processos cirúrgicos em crianças são vistos pelos pais como estimulação aversiva por estarem associadas a condições de ameaça e estresse. Diante destes processos são esperadas dos pais respostas de ansiedade capazes de gerar grande impacto sobre o individuo e seu repertório comportamental. O propósito deste estudo foi explanar as respostas de ansiedade pela perspectiva da Terapia Analítico-Comportamental (TAC) e pontuar a importância da orientação de pais de crianças em processo cirúrgico através desta abordagem. De maneira geral, as condição aversiva experimentadas pelos pais atua como estimulação para classes de respostas adversas, descritas na literatura como pânico, agitação, resistência ativa aos procedimentos e esquiva (os pais tendem a rejeitar ou dificultar os procedimentos médicos). Assim, estas classes de respostas atuam como sinalizadores de condições aversivas, e adquirem a funcionalidade de estímulos pré-aversivos, constituindo encadeamentos comportamentais. Como parte de uma contingência de fuga/esquiva, a resposta classificada como ansiosa (pré-aversiva) seria mantida pela retirada ou adiamento da apresentação do evento aversivo. A literatura indica que as intervenções mais eficazes são as direcionadas a emparelhamentos e contingências iniciais do encadeamento comportamental. Qualquer tipo de orientação psicológica de pais à procedimentos cirúrgicos deve incluir: a informação sobre os detalhes da cirurgia a ser vivida pelo seu filho, o ensino de estratégias efetivas de enfrentamento, e a dessensibilização aos procedimentos médicos, que atuam na diminuição das respostas de ansiedade. Assim, a TAC tem-se mostrado a abordagem que alcançou os melhores resultados nestes tipos de orientação de pais, tendo como técnicas usuais: equivalência de estímulos, dessensibilização sistemática progressiva, modelação, modelagem, ensaio comportamental (simulação), o reforçamento positivo diferencial e relaxamento. Com isso, pais assistidos por este tipo de intervenção apresentam maior manejo das respostas de ansiedade e manifestam de forma reduzida os comportamentos adversos e inadequados no pré-cirúrgico e pós-cirúrgico de seus filhos. Conclui-se que, apesar da relevância e importância desta abordagem no contexto hospitalar, existe uma forte carência de pesquisas nesta área.  

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