Avaliação do Comportamento de Raposas do Campo (Pseudolopex Vetulus) em Ambiente Cativo

Milene de Paula Figueira 1; Elisa Augusto dos Santos 2 milene.figueira@gmail.com
1 Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de São Carlos; 2 Departamento de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de São Carlos

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o comportamento de um casal da espécie Pseudalopex vetulus (raposa do campo) que é mantido em cativeiro no Parque Ecológico de São Carlos, analisando se esses animais encontravam-se sob estresse. Para a montagem do etograma foi necessário fazer um levantamento bibliográfico da espécie, em seguida foram feitas amostragens e registros de todas as ocorrências (amostragem ad libitum) dos comportamentos dos indivíduos cativos sem se preocupar com freqüências ou durações. Qualificadas as formas comportamentais, a amostragem do tipo scan e observação instantânea com intervalos de 30 segundos dentro de um intervalo amostral de 30 minutos, foram usadas para quantificar os comportamentos. Com base nos dados obtidos em 20 horas de observações é possível constatar que o casal de raposas do campo possui apenas dois horários de pico de atividade física, passando o restante do tempo em repouso (deitadas em alerta ou não). Quando estão deitadas, as raposas preferem ficar entre as folhagens ou dentro de um tronco utilizado como esconderijo. Com essa forma comportamental, os animais dificilmente são vistos pelos visitantes do parque. Tal estudo permitiu avaliar que as raposas encontram-se em estresse de cativeiro. Ambos os indivíduos apresentam o comportamento anormal de inatividade excessiva se comparado ao descrito em literatura de animais que vivem livres. Em recinto, diminui-se a quantidade de estímulo que os animais podem receber ao longo do dia. Já que o cativeiro é caracterizado pela previsibilidade e falta de complexidade do ambiente e a facilidade na disponibilidade do alimento. Este sub-estímulo pode levar os animais a um sedentarismo exagerado, que além de ser prejudicial à saúde do animal, pode prejudicar o zoológico já que um animal imóvel não é interessante para o público. Trabalhos futuros, baseados neste, poderão tentar minimizar o nível de estresse e aumentar a atividade física das raposas do Parque Ecológico através de enriquecimentos ambientais que estimulem os animais a expressarem seu comportamento natural.   

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