Correspondência Entre Dizer e Fazer: investigando Variáveis na Relação Professor Aluno em Sala de Aula

Natália Menin da Silva (autora), Camila Domeniconi (orientadora) natimeni@gmail.com Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos

Estudos investigaram sobre as variáveis que afetam a fidedignidade de relatos a respeito de desempenho acadêmico e indicaram que a dificuldade da tarefa e a presença de reforço para emissão de relatos correspondentes podem ser variáveis importantes que afetariam a freqüência de relatos correspondentes. Grande parte dessas investigações foi realizada em contexto de laboratório e as sessões experimentais ocorreram com o uso do computador. O presente estudo pretendeu investigar as variáveis que interferem na correspondência verbal, de crianças em uma situação natural do ambiente escolar, em sala de aula, na interação professor-aluno. Foram sujeitos da pesquisa uma professora e todos os alunos da 3a série do Ensino Fundamental de uma escola Estadual na cidade de São Carlos. Os dados foram coletados por meio de gravação em vídeo das aulas, e em seguida foram transcritas as situações observadas. Foram observadas quatro aulas de português e quatro aulas de matemática, antes e depois do recreio. Com base na transcrição foram categorizadas as situações observadas em sala de aula, que envolviam o relato sobre desempenho acadêmico ou não. Com base nessas categorizações realizou-se uma análise funcional dos relatos não correspondentes tanto de alunos quanto da professora. Os dados apresentaram que os sujeitos emitiram, com maior freqüência, relatos totalmente correspondentes à situação observada. Os relatos não correspondentes dos alunos, 13,5 % do total, pareciam estar mais relacionados com a não obediência à professora. Os relatos não correspondentes dela estavam relacionados em não cumprir com o prometido, como por exemplo, ao falar que não continuará a aula enquanto não houver silêncio por parte dos alunos e, depois de um momento seguir com a aula provavelmente faz com que a criança em outras ocasiões não dê atenção ao pedido da professora ou, simplesmente diz que irá fazer silêncio e não o faz, fazendo o uso da mentira. Este estudou permitiu a indicação de possíveis variáveis que influenciaram a correspondência entre os comportamentos verbal e não verbal de crianças em ambiente natural. Espera-se que investigações desse tipo possam complementar os dados obtidos em laboratório auxiliando na compreensão do fenômeno e na construção de uma possível intervenção que tenha como foco o incremento nas relações comunicativas fidedignas.   

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