Utilização de Programas Informatizados de Ensino de Leitura a Indivíduos com Atraso no Desenvolvimento

Camila Domeniconi1; Isabela Zaine2; Priscila Benitez3 camila@ufscar.br 1 Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos; 2,3Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal de São Carlos

Habilidades de leitura e escrita são a base para toda aprendizagem de conteúdos acadêmicos abordados pela educação formal. Contudo, muitos alunos possuem dificuldades em desenvolver estes repertórios, em especial, indivíduos com atraso no desenvolvimento. Baseando-se no paradigma da Equivalência de Estímulos, alguns grupos de pesquisadores da Análise do Comportamento têm se preocupado em desenvolver programas de ensino informatizados com conseqüências diferenciais para o desempenho e progressão gradual do conteúdo para o ensino destas habilidades a indivíduos com repertórios variados. Levando-se em consideração as vantagens de um sistema de programação de ensino informatizado, o Estudo 1 objetivou avaliar a aprendizagem de leitura de palavras simples (vogal/consoante) de três indivíduos com deficiência intelectual, com 19, 14 e 26 anos, por meio da aplicação do software Aprendendo a Ler e Escrever em Pequenos Passos por pais ou familiares em suas residências. O procedimento constituiu-se no treinamento de pais e familiares para atuarem como monitores junto ao aprendiz. As porcentagens de acerto na tarefa de nomeação aumentaram substancialmente entre pré (20%, 6,6% e 0%) e pósteste (100%, 80% e 86,6%) para palavras ensinadas diretamente, bem como, para palavras novas compostas pela recombinação das sílabas de palavras ensinadas quando comparado entre pré (40%, 0% e 0%) e pós-teste (100%, 60% e 40%), replicando os dados obtidos em estudos prévios e evidenciando que a residência pode ser considerada como um espaço de ensino. O Estudo 2 teve como objetivo avaliar o potencial empírico e tecnológico da aplicação de um programa de ensino de leitura de palavras simples constituído por treinos combinados de discriminações simples e condicionais com o uso de reforçadores específicos e diferenciais para cada classe de estímulos a oito indivíduos (9-15 anos) com atraso no desenvolvimento. Foi utilizado o sistema Web LECH-GEIC para programação e aplicação do programa de ensino. Uma análise preliminar dos dados aponta para sólidas evidências de formação de classe de equivalência de estímulos para todos os participantes, sendo que a média de porcentagem de acertos das relações não treinadas entre palavra impressa/figura (CB) e figura/palavra impressa (BC) foi substancialmente maior no pós-teste (CB=77,1%; BC=72,9%) quando comparada ao préteste (CB=45,8%; BC=33,3%), o que é um indício de estabelecimento de relações simbólicas. A nomeação das palavras de treino aumentou de uma média de porcentagem de acerto de 3,12% no pré-teste para 45,8% no pós-teste; não houve generalização de leitura de palavras formadas pela recombinação das sílabas das palavras de treino. Os resultados da nomeação final das palavras será discutida em termos do papel do reforçamento específico e do tipo de emparelhamento condicional, uma vez que o emparelhamento utilizou o som onomatopéico do estímulo (e não a palavra ditada) emparelhado com a palavra impressa.   

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