Enunciação de Mecanismos de ataque

Enunciam-se, neste artigo, dois mecanismos de ataque básicos: o controlo histérico e a projecção histérica.

O presente artigo vem em sequência de outro artigo meu, a saber, Mecanismos de defesa e Mecanismos de ataque             ( Resende, 2010 ). Aí, caracterizam-se os Mecanismos de ataque como surgindo na sequência de uma tentativa de preservação de relacionamentos interpessoais, de modo borderline, com características histéricas e psicóticas, e de preservação de fenómenos de massa, como a histeria de massas, particularmente pela preservação da unidade das massas. Assim, e ao invés dos mecanismos de defesa, não se relacionam tanto com a defesa do ego.

Algo de comum aos mecanismos de ataque é o ataque preemptivo, que se destaca pela agressividade, e se caracteriza pela malignidade baseando-se na coerção, que, neste aspecto, se assemelha à raiva disfuncional que nos é referida por Bowlby       ( 1998 ).

Um exemplo do controlo histérico enquanto mecanismo de ataque são as guerras preemptivas, que contemporaneamente têm caracterizado sociedades histéricas capitalistas, como a dos Estados Unidos. O status quo destes ataques é mantido, e estabelecido, para que, precisamente, o controlo das massas se estabeleça e se mantenha, e isto através de manipulação, desinformação e de indução de sentimentos através de meios comunicacionais de massas. Alguns chamam a este estado de coisas " economia de guerra ". Destaque-se a utilização dos media de massas enquanto meio de preservação de fenómenos de massas, através do controlo histérico.

Mas estes media também se caracterizam e funcionam através do outro mecanismo de ataque, que é a projecção histérica. Esta se caracteriza também para preservação de relacionamentos interpessoais e caracteriza-se por projecção de características que se constituirão enquanto malignas.

Atente-se ao meu artigo A posição castrativa como complemento das posições modificadas de Melanie Klein          ( Resende, 2010 ), para perspectivar que, num enquadramento borderline, a projecção histérica, enquanto externalização verbal agressiva fálica, que é característica do histérico, se caracteriza por características psicóticas, em que os meios de relacionamento são histéricos e as bases são psicóticas. Desse modo, e transitivamente, haverá tentativa de passagem de características psicóticas para características histéricas. Neste contexto, considere-se o meu artigo Complexo de Anti-Cristo – Perspectiva Psicodinâmica ( Resende, 2007 ), para perspectivar a necessidade, num sistema capitalista, com características histéricas e psicóticas, do indivíduo em querer    " crucificar " alguém nas relações externas, para expiar os sentimentos tidos e não admitidos como seus. Há aqui uma projecção tóxica de maus objectos num estilo de relação esquizofrenizante ( Deleuze & Guattari, 2004 ). Enquadre-se isto num sistema borderline que, como Bergeret     ( 1997 ) nos indica, caracteriza tendencialmente uma sociedade como a europeia, que, como se sabe, é tendencialmente capitalista.

Bibliografia

Bowlby, J. ( 1998 ). ( Original de 1973 ) Attachment and Loss: Vol. 2 – Separation: Anger and anxiety. London: Pimlico
Deleuze, G. & Guattari, F. ( 2004 ). O Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia ( tradução portuguesa ). Assírio & Alvim. Lisboa
Resende, S. ( 2007 ). Complexo de Anti-Cristo – Perspectiva Psicodinâmica in www.redepsi.com.br, em secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 28/10/2007
Resende, S. ( 2010 ). Mecanismos de defesa e Mecanismos de ataque in www.redepsi.com.br, em secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 15/10/2010
Resende, S. ( 2010 ). A posição castrativa como complemento das posições modificadas de Melanie Klein in www.redepsi.com.br, em secção Artigos/Teorias e Sistemas no Campo Psi em 08/11/2010

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