Pequena explanação sobre a ascendência da evolução das abordagens teóricas em psicologia.

A cada passo que dou no conhecimento da psicologia, uma nova surpresa já conhecida toma lugar em meu intelecto e minha mente, juntamente com a absorção de meu espírito por estes conteúdos.

De repente falamos de comportamentalismo, de mecanicismo, positivismo, o ser humano passa a ser o fruto daquilo que incidimos sobre ele e das ações que toma referente ao meio. Um ser baseado nas recompensas, passível de molduras que desejáveis ou não, vão dando forma e configuração ao ser.

Mais à frente temos uma visão mais romântica da vida, respeitadora e condizente com a condição humana. O ser humano passa a ser provedor de suas condições, onde não basta apenas um estímulo para designar uma finalidade no comportamento humano, mas existe sim a autonomia desse ser.

Sem falar em relação à inestimável e discrepante contribuição ao qual nos favoreceu a psicanálise do nosso querido Freud, seus mistérios e seu misticismo envolvidos, a psicanálise é uma antítese em suma: ou você a quer para vida inteira, ou preferira que nunca tivesse existido.

Carl Gustav Jung, este sim, misticismo e transcendência são sinônimos de sua teoria. Sincronicidade, arquétipos, inconsciente coletivo: adjetivos para elucidar essas magníficas teorias não são suficientes. Somente um genuíno como Jung para realizar tais feitos teóricos. Resgatar filosofias de civilizações remotas, significados arcaicos registrados através de símbolos nessas civilizações, que por ventura são descritos e relatados nos sonhos das populações das diversas civilizações históricas. De repente você chega ao consultório do Dr. Jung e relata ter visto um símbolo em seu sonho. Você jamais teve contato com este símbolo e não tem a menor idéia do que ele representa. Mas ficou curioso, pois ele aparece repetidas vezes e insiste em aparecer em seus sonhos. O doutor Jung esmiúça o sonho detalhadamente, levanta-se de sua cadeira e procura com os olhos em sua estante de livros, saca um deles e lhe mostra estampado numa das páginas o símbolo que você descreveu. Logo você não entende mais nada, mas confirma assustado que aquele é o símbolo que você viu em seu sonho, indiscutivelmente igual.

Jung é surpreendente, no decorrer histórico dessa loucura sanatória que é a psicologia, ele fica visivelmente distante e a frente em relação às outras teorias, num patamar elevado.

Mas paramos por ai? O mais surpreendente mas também previsível : NÃO! Não paramos por ai. E o que mais me surpreende, o que está por vir é de certa forma o supra-sumo de tudo o que já foi estudado e elaborado até então. Será que pode existir algum tipo de teoria que consiga abranger todas essas diversas visões distintas entre si mas congruentes em sua finalidade, que possa integrá-las? Em minha visão, o shangri-la da ciência da psicologia encontra-se embasado e concomitante com a Física Quântica. Juntamente com abordagens tais como a transpessoal, analítica junguiana, como segmentos de maior concordância teórica, esse é o paradigma mais temido e rejeitado pela ciência. Por que será? A seguir farei uma simples analogia para ilustrar melhor o entendimento do caro leitor.

Imagine-se sendo fruto de uma família, onde as tradições são imperiosas e rígidas, os ensinamentos são passados de geração em geração. As mudanças de ideais e valores são imutáveis para essa sua família. Na sua vida inteira você leva os conhecimentos e ensinamentos que sua família lhe disponibilizou, e de certa maneira deu certo pra você, pois ajudou-o a realizar seus objetivos, leva uma vida relativamente feliz, mas sempre existiu algo em sua vida que as sugestões, valores e ensinamentos que você aprendeu com sua família não deram conta de lhe suprir e explicar certos acontecimentos e dúvidas que permeiam sua mente. Isso é o que aconteceu com a ciência.

Tivemos sempre uma concepção positivista e mecanicista de ciência. Aquilo que pode ser mensurável e tangível é de preocupação da ciência. Aquilo que não está ao seu alcance, simplesmente não existe. Mas com a física quântica todo esse paradigma caiu por terra. Assim como no caso da sua suposta família tradicional, relacionado à dificuldade de abandonar antigas concepções e valores, a ciência também se encontra nessa situação. Pois é difícil um corpo de cientistas, com suas concepções já formuladas sobre vida, espiritualidade, mente, reavaliarem seus conceitos acerca disso.

Autor: Rafael da Silva Santos

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