Behaviorismo radical e preconceito: que tipo de material é utilizado nas disciplinas relacionadas à psicologia da educação no curso de pedagogia localizado num município do Estado de Mato Grosso do Sul? – Lourenço Luciano Carneiro Filho; Cristiane Alves

O Behaviorista, desde seu manifesto em 1913, convive com as mais diversas críticas. Tais críticas podem ser encontradas na literatura como sendo resultado de uma possível confusão entre o Behaviorismo de Watson e o Behaviorismo de Skinner, como também há trabalhos que apresentam experimentos que demonstram rejeição e má compreensão dos conceitos propostos por Skinner, e ainda há investigações em livros didáticos, cujos títulos estão relacionados aos termos educação, aprendizagem e ensino, que apontam inconsistência aos conceitos direcionados ao Behaviorismo de Skinner. Essas críticas podem ser encontradas na literatura desde a década de 70, por profissionais da educação, prevalecendo nos meios científicos, acadêmicos e populares. Neste sentido, o presente trabalho pretendeu investigar que tipo de material é utilizado numa faculdade estadual de pedagogia num município de pequeno porte do Estado de Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma investigação documental, em que a bibliografia utilizada nas disciplinas de “Psicologia da Educação I” e “Psicologia da Educação II”, disponibilizada na ementa do curso de Pedagogia, foram analisadas. Os capítulos que se referem à Análise do Comportamento foram analisados, a fim de verificar se os conceitos filosóficos e teóricos, encontrados na bibliografia investigada, correspondem às propostas de Skinner. Para validar os equívocos encontrados, utilizou-se como referência bibliográfica, artigos e livros que partilham da abordagem Behaviorista Radical. Os resultados demonstraram que os materiais investigados apresentam, de modo geral, desconhecimento e insuficiência conceitual, tanto do ponto de vista filosófico, como teórico da abordagem de Skinner, prevalecendo ainda, a idéia de um behaviorismo positivista e mecanicista. E ainda, os materiais utilizados pelos analistas do comportamento referentes à educação, tanto clássicos como “Tecnologia do ensino”, como os mais recentes, que demonstram avanços importantes no que diz respeito ao processo de aprendizagem educacional, não constavam na ementa. Notou-se também, que na maioria dos livros utilizados na disciplina “Psicologia da Educação II” eram relacionados à abordagem sócio-histórico, construtivismo e cognitivismo, o que parece prevalecer como referenciais teórico na formação dos alunos. Desta maneira, o estudo aponta para uma necessidade em investigar empiricamente, qual a concepção dos alunos e professores, do referido curso, acerca da abordagem skinneriana.

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