Como desenvolver criatividade em ambiente escolar?

É possível desenvolver criatividade? Como elaborar programas de desenvolvimento de criatividade? Diversos grupos de cientistas estão pesquisando formas de responder a estas perguntas. A psicóloga Tatiana de Cássia Nakano, realizou uma revisão bibliográfica para verificar resultados de programas de treinamento em criatividade em diversos níveis educacionais. A psicóloga argumenta que uma das vantagens dos programas é de identificar os indivíduos com alto potencial criativo e dar oportunidade de expressão a este potencial.

Como fonte de dados consultou as bases Scielo, PEPSIC e testes e dissertações da Capes buscando pelo termo "criatividade" e realizou uma análise qualitativa dos estudos encontrados. Alguns resultados encontrados na pesquisa estão listados abaixo:
Pré Escolares: Alunos de professores que passaram por treinamento apresentaram ganhos em criatividade em relação a crianças do grupo controle
Ensino Fundamental: Onde encontram-se a maior parte dos programas desenvolvidos. Programas de desenvolvimento de criatividade podem também prevenir baixo desempenho criativo e oferecer ganhos em Fluência, Flexibilidade, Elaboração e Expressão de Emoção. Verificou também efeitos da maneira de se contar histórias na criatividade das crianças, relacionada ao recebimento, por parte do aluno, de maior quantidade e diversidade de estímulos que compõem a história contada e as consequências apresentadas pelo adulto. Foi também verificado aumento de rendimento acadêmico. Um dos estudos não encontrou diferenças entre reforço e não reforço como consequência ao desempenho nos exercícios de criatividade, levantando a hipótese de que os reforçadores poderiam ter evocado medo e ansiedade de ser avaliado. Um outro estudo por sua vez encontrou diferenças entre valorizar a qualidade das idéias dos participantes ao invés da quantidade de idéias. Um estudo desenvolvido em Portugual encontrou relação entre diferentes combinações de figuras geométricas e atribuição de significado e seis diferentes indicadores de criatividade: fluência, flexibilidade, originalidade, elaboração, expressividade e apreciação global. Também em Portugual uma pesquisa verificou que um programa de estímulo a expressão através da poesia em suas diversas formas teve influência em índices de criatividade e atitudes frente a importância da poesia e da língua portuguesa como forma de expressão emocional. Este estudo também foi desenvolvido junto a estudantes de ensino médio.
Ensino Médio: Foi encontrado um estudo que obteve ganhos significativos em fluência, flexibilidade e originalidade através de um programa de criatividade artística. Outros dois estudos também verificaram ganhos em criatividade através de programas e oficinas.
Ensino Universitário: Dois estudos brasileiros foram encontrados, no primeiro não houveram ganhos significativos com o grupo experimental. No segundo estudo verificou-se ganho em um programa de desenvolvimento de habilidades criativas em curso de formação de professores. Um estudo internacional foi encontrado que encontrou resultados positivos no grupo que participou de disciplinas regulares de resolução criativa de problemas e acompanhamento por dois anos. Outros estudo encontraram resultados significativos para treinamentos e programas de desenvolvimento de criatividade.
Professores: Diversos estudos foram encontrados que relacionavam o desenvolvimento de programas de criatividade com professores e ganho em desempenho criativo do trabalho docente e no desempenho de alunos.
Minorias: A autora destacou estudos que demonstraram ganhos em desempenho acadêmico e cognitivo de alunos com dificuldades de aprendizagem ou atraso escolar e programas de promoção de criatividade.
Dificuldades: Nos estudos as principais dificuldades encontradas eram a operacionalização dos dados de forma compreensiva e precisa, dificuldade de se generalizar os resultados e a baixa quantidade de estudos longitudinais. Assim, uma das conclusões da psicóloga está relacionada a polêmica da eficácia de programas de desenvolvimento de criatividade, apesar de que é inegável que tais programas se revelaram como uma estratégia pedagógica capaz de oferecer uma oportunidade de desenvolvimento do potencial criativo e manutenção da motivação para aprender.
A autora também encontrou alguns estudos nos quais não foram verificadas diferenças significativas entre grupo experimental e grupo controle, apesar de que em geral tais estudos, em geral, terem apontado melhoras tanto em desempenho escolar como em índices de criatividade.
A psicóloga conclui sobre a importância de se estudar a influência da concepção dos professores acerca da criatividade, para verificar se estes acreditam que criatividade é dom de poucos o que poderia valorizar a promoção de programas apenas em contextos específicos ou se os professores acreditam que a criatividade é um potencial a ser desenvolvido em todos os indivíduos. Isto torna importante que os programas sejam oferecidos não apenas aos alunos, mas também aos professores.
NAKANO, Tatiana de Cássia. Programas de treinamento em criatividade: conhecendo as práticas e resultados. Psicol. Esc. Educ.,  Maringá,  v. 15,  n. 2, dez.  2011 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572011000200013&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  28  jan.  2012.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572011000200013.

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