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Psicóloga é orientada pelo CRP a desvincular sua profissão de posicionamentos religiosos e preconceituosos em relação à homossexuais

De acordo com o blog nação pró família e os sites de notícias Gospel+ e Gospel Prime a psicóloga Marisa Lobo recebeu orientação do CRP 08 para desvincular o título de psicóloga à posicionamentos religiosos e preconceituosos em relação à homossexuais com prazos entre 15 e 30 dias.

Segundo o que foi publicado nestes sites, a psicóloga foi chamada para orientação no CRP 08 e relatou:

"Sobre a mesa colocaram Xerox de recados de twitter, o que me deixou indignada, como poderia estar sendo chamada para discutir ética, por denúncias de ateus, militantes gays, canabistas sem base legal alguma e que claramente me perseguem pelas minhas posições de direito de professar minha fé. Me senti perseguida, ouvi coisas absurdas, uma pressão psicológica que se eu não tivesse sanidade mental, teria me acovardado e desistido de minha fé."

"Tentaram o tempo todo me vincular a homofobia, deixei claro que processaria todos eles, pois não sou homofóbica, nunca agredi ninguém apenas tinho minhas opiniões, que foram claramente negadas a mim pelas fiscais, me senti tolhida em meu direito de liberdade de expressão."

"Contei o exemplo de uma mulher que entrou em meu consultório e me disse:"
"Dê-me uma razão para viver, ou vou sair daqui e vou desistir da minha vida!!!"
"Eu dei, Deus, ela está viva e bem até hoje."

"Deixei claro que não uso a religião para tratar meus pacientes, não tenho nenhuma reclamação em 15 anos no conselho, eles sabem disso. Então não estava entendendo, porque tanto código de ética. Se com meus pacientes nunca cometi um erro."

"Sou uma cidadã livre, a constituição me dá esse direito de professar minha fé, fora do meu consultório, elas sempre debatiam dizendo" "como psicóloga não." (grifo nosso)

A orientação do CRP

Os blogs nação pró família e Pr Josué Lima, publicaram cópias do TERMO DE ORIENTAÇÃO do CRP 08 onde se lê:

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Código de ética do psicólogo, Princípios Fundamentais:

I O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

II O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

IV psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática.  

Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:

a) Conhecer, divulgar, cumprir e fazer cumprir este Código;

c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;

Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:
b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais;

F) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão;

Resolução CFP Nº 001/1999, Ementa: estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da Orientação Sexual.

Considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;
Considerando que o Psicólogo pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações; Resolve:

Resolução CFP Nº 001/1999, de 22 de março de 1999.

Ementa: estabelece normas de atuação para os psicólogos
em relação à questão da Orientação Sexual.

Art. 1º Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não-discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas e da humanidade.

Art. 2º Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles comportamentos ou práticas homoeróticas.

Art.3º Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

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Segundo site Gospel+ a psicóloga recebeu apoio do pastor e deputado federal Marco Feliciano que prometeu ajudar, reuníndo-se com parlamentares evangélicos, como o senador Magno Malta, o deputado João Campos, que é presidente da Frente Parlamentar Evangélica e Roberto de Lucena, para traçar estratégias de defesa.

Segundo estes sites e também do blog do Pr. Josué Lima, a psicóloga está sofrendo perseguição religiosa.

Pronunciamentos no Twitter:

Em seu twitter existem inúmeras mensagens de apoio a psicóloga e de acusação de perseguição religiosa, sobre isso destacam-se dois tuítes da psicóloga:

https://twitter.com/#!/marisa_lobo/status/169347166681300993 – Neste tuíte a psicóloga parece considerar positiva a divulgação de perseguição religiosa

https://twitter.com/#!/marisa_lobo/status/169201651813593088 – Neste outro tuíte a psicóloga comenta sobre o Ato Médico e afirma que "Deus está agindo contra quem zomba Dele". (grifo nosso)

Seguem abaixo o site, blog e twitter da psicóloga para que os psicólogos acompanhem o caso e os prazos dados pelo CRP 08 para o cumprimento da regulamentação profissional e código de ética.

https://twitter.com/#!/@marisa_lobo
http://marisalobo.blogspot.com/
http://www.psicologiacrista.com.br/

Opinião editorial:

A RedePsi considera que vivemos em um pais com ampla liberdade religiosa e com estado laico de direito. A psicologia como as demais profissões regulamentadas são fruto de desenvolvimento técnico e científico e não tem orígem ou relação com posições religiosas seja cristã, muculmana, indu, espírita ou outras. Os profissionais desde sua formação aprendem que são apenas profissionais no exercício de suas funções e que suas posições ideológicas e religiosas não podem se confundir com as suas funções profissionais.

Alertamos ainda que tal separação entre estado e religião é necessária inclusive para se garantir a liberdade religiosa, pois é fato de que inúmeros estados e governos religiosos historicamente perseguiram e massacraram populações inteiras em nome de uma religião e em detrimento de outras.

Aguardamos os comentários e posicionamentos pois o acompanhamento do caso e o debate é importante tanto para a psicologia como para a sociedade brasileira.

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