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A esquizofrenia, o comportamento violento e sua relação com os fatores motivadores de comportamentos homicidas

Um estudo realizado pelos psiquiatras Alexandre Martins Valença, Antonio Egidio Nardi, Isabella Nascimento, Talvane de Moraes e Mauro Mendlowicz desenvolveu, a partir da análise de um caso de homicídio cometido por uma mulher esquizofrênica a uma criança (onde a mesma apresentava sintomas psicóticos precedentes ao comportamento violento), a relação existente entre os fatores motivadores da ação homicida e tal estado psicótico.
O estudo primeiramente estabelece uma relação entre os casos de homicídio e a presença e diagnóstico de transtornos mentais nos indivíduos que cometeram os crimes, notando maior incidência no diagnóstico de esquizofrenia. Os autores apresentam que “(…) o risco de comportamento homicida era 6 vezes maior em homens e 26 vezes maior em mulheres, quando comparado com indivíduos saudáveis, com uma predominância do subtipo paranoide (63% em homens e 47% nas mulheres)”.

Com a descrição de dados que relacionam a incidência de transtornos mentais ao comportamento homicida ou a atos violentos, os autores apresentam o caso de homicídio a uma criança, cometido em 1997 no Rio de Janeiro/RJ, por uma mulher que posteriormente fora diagnosticada com esquizofrenia, com alucinações auditivas relacionadas a aspectos religiosos (o ato fora cometido em tal âmbito religioso), sendo que a pessoa nunca havia recebido tratamento psiquiátrico anteriormente. Esse caso de esquizofrenia paranoide elucida a relação entre a presença de alguma sintomatologia psicótica e o risco de um comportamento agressivo, já que o crime se resultou pela sintomatologia alucinatória delirante apresentada pela paciente. Além disso, verificou-se que indivíduos com transtornos mentais graves e que se utilizam de substâncias psicoativas representam maior risco do que somente o paciente que apresenta tais transtornos, sendo esse fator significante para a emissão de comportamento violento; Os autores também relatam que as autoridades da sociedade e do governo devem abrandar os obstáculos de acesso ao tratamento psiquiátrico e psicossocial para os pacientes acometido de transtornos mentais graves.

Concluindo, ressalta-se que os profissionais da saúde devem estar atentos ao comportamento violento em pacientes esquizofrênicos, principalmente quando estes emitirem manifestações comportamentais que denotem a presença de comandos auditivos alucinatórios: “Indivíduos que possuem risco de emitir comportamentos violentos devem ser identificados, e serviços de tratamento de saúde mental devem ser postos à sua disposição”. Aponta-se também a necessidade do estudo de fatores que motivam o comportamento homicida, para que o estabelecimento de novas terapêuticas para pacientes esquizofrênicos possam ser desenvolvidas.

VALENCA, Alexandre Martins et al . Esquizofrenia e comportamento violento. Rev. latinoam. psicopatol. fundam.,  São Paulo,  v. 14,  n. 4, dez.  2011 .   Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-47142011000400006&lng=pt&nrm=iso.  . acessos em  22  mar.  2012.  http://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142011000400006.

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