A promoção da democracia via Internet

Estudo publicado pela Ohio State University contraria os últimos apontamentos levantados, que defendiam a importância da Internet para a revolução democrática, ocorrida na Arábia e em alguns países ao redor do mundo; Segundo o mesmo, tal ferramenta teria resultados efetivos somente em algumas situações políticas específicas.
De acordo com os pesquisadores, a motivação democrática evocada pela Internet é desenvolvida somente em nações que já adotaram algum tipo de reforma política; Segundo Erik Nisbet (docente da Ohio State University e principal autor da pesquisa) a Internet, ao invés de promover a reforma política em si, reforça a mudança política em países que já possuem algum tipo de liberdade democrática; “A Internet é menos efetiva em relação a mobilização da população a favor da democracia em países extremamente autoritários”, complementa o pesquisador.

Em adição a isso, a demanda por democracia é maior em países onde grande parte da população tem acesso a Internet e, principalmente, quando eles gastam mais tempo navegando na rede; “A penetração da Internet em assuntos do país demonstra o interesse da população em reformas democráticas, mas ainda mais relevantes são as grandes quantidades de tempo de navegação na mesma e se tal população está conectada a outras pessoas de sua comunidade.”, aponta Elizabeth Stoycheff, co-autora do estudo.

Os pesquisadores analisaram dados previamente coletados em 28 países, localizados na África subsaariana e Ásia; Tais dados incluíam 37,549 participantes de projetos e estudos anteriores sobre condições de vida nas supracitadas regiões. Foram abrangidas questões relacionadas a demanda de democracia por parte da população e sua frequência de uso a Internet em cada país; Somado a isso, os autores levantaram dados que mensuravam quão democrático o país era, os níveis de penetração da Internet, a largura de banda da mesma por usuário, além de outros fatores sociodemográficos.

O estudo concluiu que a Internet produz resultados mais relevantes em países que possuem níveis de penetração da rede elevados ou moderados, e que contenham um regime político com o mínimo de abertura democrática; Em países sob fortes regimes autoritários a população, apesar de possuir acesso a Internet, tem conteúdo controlado pelo governo, em relação à interação populacional via rede ou ainda sobre informações acerca de outras regiões que não seus próprios países; Segundo um dos pesquisadores, a efetividade da Internet em relação a demandas democráticas é algo como uma contingência entre o contexto tecnológico e contexto político.

Nisbet conclui que “a Internet não pode plantar uma semente democrática no país, mas pode ajudar a florescer a democracia, se a mesma já tiver começado a crescer.”.

Fonte: Ohio State University

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