Infidelidade amorosa e seus desobramentos: uma análise sob a perspectiva da tríplice contigência skinneriana – Thiago de Almeida; Maria Luiza Lourenço

O tema relacionamentos amorosos é uma das áreas mais importantes (e geralmente problemática) da vida das pessoas. Infelizmente, esta importância é mais bem percebida quando a relação não está satisfatória e está ameaçada pela possibilidade de um rompimento, como quando a infidelidade é uma contingência consumada e não mais presumida. Dessa forma, o presente trabalho, realizado a partir de um extenso levantamento bibliográfico, objetivou apresentar os desdobramentos da infidelidade para a relação amorosa, ao identificar e analisar as vivências dos sentimentos predominantes e impactos na vida diária após a identificação/revelação da infidelidade amorosa na vida adulta, buscando os fatores físicos e psíquicos decorrentes dessa condição. Alguns dados desse estudo foram: (1) Ao saber da infidelidade do(a) parceiro(a), o outro pode ser tomado pela raiva, indignação e sede de vingança. Em outras palavras, a pessoa usa a vingança como uma arma para acabar com o traidor, e ainda revida sem remorsos, de tal forma que, a traição revidada, é reforçador para quem está com raiva. A raiva, como um comportamento encoberto dirigida ao companheiro está ligada ao fato de ele ter rompido o compromisso de fidelidade, de não ter retribuído o investimento amoroso da pessoa traída, de ter quebrado a cumplicidade que havia entre o casal, transferindo-a para a nova relação; (2) A autoafirmação pode ser considerada outro fator para se trair. As pessoas que traem podem querer provar para si e, muitas vezes, para os outros de que podem conquistar e que tem valor; (3) É bastante comum a formulação de autorregras a partir de experiências com relacionamentos, afetados pela infidelidade do outro parceiro, as quais podem tornar a pessoa insensível a oportunidades de reforçamento nos relacionamentos atuais e/ou mesmo futuros; (4) Outro relato comum é de perda de confiança no parceiro, e geralmente essa confiança demora para ser reestabelecida, quando é recuperada. Como conclusão desse estudo, observou-se que cada uma dessas alternativas gerará tanto consequências reforçadoras, quanto outras consequências aversivas adicionais, fazendo com que a pessoa se sinta confusa e em conflito por algum período de tempo. De qualquer forma, a pessoa traída costuma ter ressentimentos, que tendem a ser mais intensos quanto mais a pessoa tenha se esforçado e se comportado em prol do outro.

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