A importância do acompanhamento psicológico para redução de sintomas negativos nos pacientes em processo pré e pós operatório

Recente artigo desenvolvido pelos profissionais Áderson Luiz Costa Junior, Fernanda Nascimento Pereira Doca, Ivy Araújo, Luciana Martins, Lara Mudim, Ticiana Penatti e Ana Cristina Sidrim objetivou identificar os efeitos e modalidades da intervenção psicossocial em procedimentos pré e pós operatórios, além de apontar falhas e lacunas na produção científica relacionada ao tema. 
O estudo aborda de início os impactos que uma cirurgia causa ao bem estar físico, social e emocional do paciente, causando aumento da ansiedade e do stress; Os autores apontam também algumas intervenções preparatórias efetivas, como disponibilizar níveis de informações adequados as necessidades do paciente e estratégias de enfrentamento cognitivo, baseadas no problema a ser enfrentado.

A pesquisa efetuou levantamento bibliográfico, com base nos descritores específicos psychological preparation, surgery, day surgery, information given e psychological support e, a partir disso, identificou-se 32 artigos; Dos artigos selecionados, oito eram de revisões de literatura e vinte e quatro artigos empíricos, sendo estes de estudo de caso único, avaliação específica dos efeitos de intervenção e temas associados ao contexto de preparação psicológica e cuidados cirúrgicos.

Analisando os artigos selecionados, os autores apontam que os pacientes foram descritos como indivíduos que vivem com altos níveis de ansiedade, sentimentos de abandono, impotência e medo; A preparação psicológica, segundo os artigos estudados, caracteriza-se por intervenções que visam informar sobre o procedimento cirúrgico e o processo de recuperação dos pacientes, levando em conta considerações acerca de demandas físicas e psicossociais dos mesmos.
Em relação à transmissão de informações, a mesma tinha por objetivo qualificar o paciente com dados técnicos e assim reduzir a probabilidade dos sintomas de ansiedade, que ocorrem mais frequentemente quando os pacientes são expostos a situações potencialmente aversivas; Os autores apontam também que nem sempre os profissionais da saúde estão habilitados e capacitados a fornecer suporte psicológico adequado aos pacientes, sendo que em muitas situações tais profissionais – na intenção de tranquilizar os pacientes – acabam por aumentar a ansiedade e o medo daqueles que serão submetidos a cirurgia.

A pesquisa aponta também que são seis as dimensões que devem compor as informações a serem disponibilizadas aos pacientes que são submetidos à cirurgia: biofisiológica, funcionais, empírica, éticas, social e financeira; Além disso, tais informações dependem do tipo de cirurgia que será realizada, do grau de conhecimento e de organização que o paciente dispõe e também sua condição de bem estar psicológico e a desejabilidade das informações.

A pesquisa apresenta também alguns aspectos de intervenções como técnicas de relaxamento (que possibilitaria uma redução da excitabilidade do organismo e da mente e uma redução da percepção de dor, percepção esta causada pelo stress pré e pós-cirurgico), a reestruturação do ambiente hospitalar (buscando o desenvolvimento de um espaço percebido psicologicamente como mais seguro, calmo, privado e fisicamente confortável, levando assim a melhoria das condições de bem-estar e de satisfação do paciente), a concessão de autonomia ao paciente (possibilitando ao mesmo tomar suas próprias decisões e de se perceber durante o processo pré-cirurgico) e suporte espiritual (procedimento psicossocial este baseado na fé ou crença de que alguma entidade divina superior consiga exercer influencia positiva sobre a condição clínica e de recuperação do paciente, sendo que tal procedimento deve atender a cada necessidade psicossocial do paciente e respeitar as preferencias religiosas).

Os autores concluem que uma avaliação psicológica do paciente que será submetido à cirurgia pode constituir uma oportunidade onde o mesmo irá explicitar sentimentos e pensamentos que auxiliar profissionais de saúde a atender as especificidades do indivíduo, possibilitando a probabilidade do desenvolvimento de estratégias mais eficientes de enfrentamento do procedimento cirúrgico, colaborando com a equipe médica, facilitando o processo de comunicação, reduzindo os níveis de stress e ansiedade e uma otimização do tempo de recuperação cirúrgica e alta hospitalar.

Aponta-se também a aquisição de recursos de enfrentamento por parte dos pacientes quando os mesmos possuem o acompanhamento psicológico, sendo que diversos profissionais da saúde podem atuar como agentes multiplicadores de tais estratégias positivas de enfrentamento; Os autores destacam que não foram encontradas intervenções voltadas para os acompanhantes, sendo que estes também vivenciam situações de ansiedade e medos relacionados ao processo cirúrgico.

A falta de sistematicidade no atendimento preparatório (especialmente psicossocial) ao paciente cirúrgico aponta para uma necessidade de padronização composta de etapas estruturadas, sendo que os artigos selecionados não fazem referencia a intervenções pontuais e contextualizadas as necessidades de cada paciente, e que se estendam desde a primeira consulta no período pós-cirúrgico até a alta hospitalar, além da implementação de uma equipe multiprofissional bem treinada em habilidades sociais; Por fim, faz-se necessário o incentivo à implementação de práticas multidisciplinares no processo de preparação de pacientes para a cirurgia, fazendo valer a participação de vários profissionais e atendendo as necessidades psicossociais de cada paciente.

COSTA JUNIOR, Áderson Luiz et al . Preparação psicológica de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. Estud. psicol. (Campinas),  Campinas,  v. 29,  n. 2, jun.  2012 .   Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2012000200013&lng=pt&nrm=iso. acessos em  17  jul.  2012.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200013.

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