Garotas com TDHA estão mais propensas a tentar o suicídio ou auto injúria quando adultas, segundo pesquisa

Segundo estudo da American Psychological Association (APA), garotas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade estão significantemente mais propensas a tentar suicídio ou auto injúria quando atingem determinada idade do que garotas sem TDHA.
De acordo com os resultados da recente pesquisa, jovens meninas diagnosticadas com TDHA estão três ou quatro vezes mais propensas a tentar o suicídio e correm duas ou três vezes mais risco de tentar a auto injúria.

Segundo Stephen Hinshaw, coautor do estudo, o TDHA pode ser um sinal de futuros problemas psicológicos para as garotas quando as mesmas atingirem a idade adulta; “Nossas descobertas reforçam a ideia que o TDHA em garotas é particularmente mais severo e pode ocasionar sérias implicações a saúde pública”, conclui o pesquisador.

A primeira etapa do estudo analisou 228 garotas com idades entre 6 a 12 anos, sendo 53% das mesmas era de cor branca, 27% eram afrodescendentes, 11% latino-americanas e 9% asiáticas; As garotas foram recrutadas de escolas, centros médicos e comunitários, entre outras instituições. Após diversos diagnósticos, 140 meninas foram diagnosticadas com TDHA enquanto o restante das participantes estabeleceram o grupo controle; Quarenta e sete das garotas foram diagnosticadas com TDHA de Desatenção, um subtipo do Transtorno que faz com que as garotas sejam menos propensas a agir, mantendo-se calmas mas com extrema dificuldade em prestar atenção. As noventa e três participantes restantes tinham TDHA combinada, uma junção de sintomas hiperativos, de impulsividade e de falta de atenção.

Após os testes diagnósticos, os pesquisadores acompanharam as participantes após os primeiros cinco e dez anos, realizando aferições clínicas para cada garota; Os pesquisadores também conduziram entrevistas telefônicas ou visitas as casas das garotas, se necessário. Da amostra original, 95% das garotas foram retidas ao décimo ano de acompanhamento clínico, quando as mesmas se encontravam nas idades de 17 a 24 anos. Elas e suas famílias foram questionadas acerca dos problemas de suas vidas, incluindo uso de substâncias, tentativas de suicídio, auto injúria e sintomas depressivos; As jovens também foram testadas em relação ao sucesso acadêmico e funções neuropsicológicas.

Das participantes diagnosticadas com TDHA combinado, 22% reportaram pelo menos uma tentativa de suicídio nos dez anos de acompanhamento, comparado a 8% das participantes com TDAH de desatenção e 6% do grupo controle. As garotas do grupo TDHA combinado tiveram significantemente mais riscos de cometer injúrias a si mesmas, com 51% delas reportando atos como arranhões, cortes, queimaduras ou socos cometidos contra si próprias, dados comparados a 19% do grupo controle e 29% do grupo TDHA de desatenção.

Não foram encontradas diferenças significativas em relação ao uso de substâncias entre os grupos; Entretanto, as garotas diagnosticadas com TDHA enquanto crianças estavam mais propensas a continuar a ter os sintomas do TDHA, mais problemas psiquiátricos e um uso muito maior de serviços psicológicos, segundo a conclusão do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o TDHA em mulheres carrega um risco particular mais alto de internalização, inclusive com comportamentos padrões de auto nocividade; Os autores apontam também que as crianças com TDHA combinado estão mais propensas a serem impulsivas e terem menos controles de seus atos, o que poderia explicar as descobertas do estudo.

Fonte: American Psychological Association

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