Professores universitários possuem condições de saúde e trabalho extremamente precárias, aponta estudo

Artigo desenvolvido por Maria de Fátima Evangelista Mendonça Lima e Dario de Oliveira Lima-Filho aborda o processo saúde-doença do trabalhador docente. O objetivo da pesquisa foi verificar as relações entre o processo de trabalho docente, as condições sob as quais ele se desenvolve e o possível adoecimento físico e mental dos professores em uma universidade federal. Para tanto, foi conduzida uma pesquisa exploratória junto a 189 professores. 

Os resultados mostram que os docentes apresentam exaustão emocional, considerando a elevada manifestação de sintomas tais como nervosismo, estresse, cansaço mental, esquecimento, insônia, entre outros. Os dados obtidos permitem afirmar que os depoimentos analisados constituem importantes indicativos sobre como os processos de trabalho atualmente em cursos em instituições universitárias públicas brasileiras interferem na saúde de professores(as), ao mesmo tempo que tem sido pequena a atenção das autoridades governamentais e mesmo dos dirigentes institucionais para um quadro crescente de mal-estar entre os docentes, tanto em termos físicos, psíquicos como interpessoais.

De acordo com o artigo:

Chama atenção a elevada manifestação de queixas relacionadas à saúde mental. Os sintomas de maior prevalência foram: cansaço mental (53,9%), estresse (52,4%), ansiedade (42,9%), esquecimento (42,9%), frustração (37,8%), nervosismo (31,1%), angústia (29,3%), insônia (29,1%) e depressão (16,8%). Da mesma forma, são preocupantes as queixas relacionadas à saúde física, considerando que 55,9% disseram sentir dor nas costas, 38,8% relataram dor nas pernas, 32,2% falaram de dor nos braços, 21,1% de rinite e 21,2% de alergia respiratória.

As respostas dos professores revelam tanto comportamentos de apatia, conformação e acomodação diante das situações vivenciadas quanto sentimento de insatisfação e frustração com as condições de trabalho e com a realidade institucional e social. Igual comportamento foi revelado por pesquisa de Resende (2005) com professores universitários. Nesse sentido, pode-se afirmar que o trabalho docente na instituição pesquisada encontra-se em situação precária, em razão de vários aspectos: insuficiência de pessoal, sobrecarga de trabalho, falta de materiais, equipamentos, apoio administrativo e ambiente inadequado.

No exercício profissional da atividade docente, diversos estressores psicossociais encontram-se presentes, quer relacionados à natureza de suas funções, quer vinculados ao contexto institucional e social onde estas são exercidas. Se os aspectos estressores persistem pode haver um desencadeamento da síndrome de burnout, que é considerada como “um tipo de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada com intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo” (Carlotto, 2002: 21).

Leia o estudo completo em: LIMA, Maria de Fátima Evangelista Mendonça; LIMA-FILHO, Dario de Oliveira. Condições de trabalho e saúde do/a professor/a universitário/a. Ciênc. cogn.,  Rio de Janeiro,  v. 14,  n. 3, nov.  2009 .   Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-58212009000300006&lng=pt&nrm=iso

 

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