Discurso da presidente Mariza Borges na posse do XVI Plenário do CFP

O XVI Plenário do Conselho Federal de Psicologia (CFP) tomou posse neste sábado (14), em cerimônia que reuniu cerca de 150 pessoas, em Brasília. A gestão tem início em dezembro de 2013 e vai até dezembro de 2016.

Abaixo a íntegra do discurso de posse da Presidente Mariza Borges:

“Colegas do XVI Plenário e seu coletivo ampliado
Presidentes e representantes dos Conselhos Regionais
Autoridades presentes
Agradecemoser as associações e sociedades de Psicologia presentes
Familiares, amigos…
Psicólogos aqui presentes,
Hoje, 14 de dezembro de 2013, décimo dia após o desaparecimento de Nelson Mandela (5) e quarto dias após o Dia Internacional dos Direitos Humanos no mundo, assumimos o compromisso de bem e fielmente desempenharmos o nosso mandato à frente do Conselho Federal de Psicologia.
O mundo presta suas últimas homenagens ao homem que se tornou um símbolo da luta pela igualdade, pela justiça e pela democracia. E, também, comemorou os 65 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento que é a base da luta contra a opressão e a discriminação e da defesa da igualdade, da dignidade e das liberdades fundamentais humanas. Trazemos aqui tais datas e acontecimentos, que fortuitamente antecederam nossa posse, para denotarmos que os mesmos princípios, que norteiam as citadas lutas, nortearam nossa campanha eleitoral e nortearão nossa gestão.
Aqui e agora, com esta cerimônia solene, dando sequência ao processo de democratização do Conselho Federal de Psicologia, é empossado um coletivo de psicólogos que compõe o XVI Plenário que dirigirá a autarquia. Este coletivo aqui está após ter sido eleito pelos profissionais inscritos que livremente exerceram o seu direito de escolha através do voto no dia 27 de agosto passado.
Aos colegas que assumiram conosco o desafio de criar um novo projeto para a profissão, que não se deixaram dominar pelo mito da invencibilidade, que construíram conosco a possibilidade de mudança, tomo a liberdade de lembrar que nossa luta só começou. Para promovermos mudanças não podemos permitir que o resultado das urnas seja traduzido em delegação de poder. Precisamos estar juntos durante toda a gestão.
Firmamos o compromisso de mudar a forma de atuação do Conselho Federal de Psicologia no que se refere às relações com a categoria profissional, os Conselhos Regionais, as sociedades e associações científicas e profissionais, as Instituições de Ensino Superior e outras entidades da Psicologia no Brasil e no exterior. A base para isto será o respeito à pluralidade e à diversidade da Psicologia.
Nossa profissão nasceu plural. Nos anos 1950, quando se construía a sua regulamentação, nossas diferenças foram expostas, refletidas e discutidas. Isso proporcionou o desenvolvimento da psicologia brasileira com pertinência e reconhecimento social.
Reconhecer a pluralidade e a diversidade da profissão e assumir que estas características balizarão o pensamento e as ações do XVI Plenário significa que nos dispomos a lidar com as tensões internas para construir um projeto político para a profissão.
Ao referirmos a uma Psicologia Plural denotamos que a Psicologia, como qualquer outro fazer humano, é suscetível de manifestações de diversidade ou pluralidade. Mas apontamos também para a sua singularidade, no duplo sentido de única e sui generis no contexto das profissões regulamentadas no Brasil.
Entendemos que o compromisso de bem e fielmente servir o Conselho Federal de Psicologia só poderá ser concretizado a partir da ampliação do diálogo com a categoria profissional e com suas entidades representativas. Os avanços do conhecimento e das práticas psicológicas se dão no cotidiano do trabalho de pesquisadores e outros profissionais. São eles que alargam as fronteiras da área, produzem inovação e promovem a inserção da Psicologia aqui produzida no cenário internacional.
A interação entre o Conselho Federal de Psicologia e as entidades da Psicologia Brasileira é essencial para a construção de um projeto para a profissão e para o estabelecimento de normas e orientação do exercício. Esta interação foi cuidadosamente pensada ao compormos a chapa para concorrer às eleições quando decidimos associar ao Plenário um coletivo ampliado. Este coletivo fará a interlocução com as demais instituições e entidades da Psicologia nas diferentes áreas de conhecimento e de atuação profissional. Este trabalho conjunto permitirá que o Conselho não atue desinformado e solitariamente. E, muito menos, que transfira suas competências para outras entidades, terceirizando a Psicologia, aniquilando a razão de ser do próprio Conselho e implantando o servilismo no seio das entidades.
Assim, em alto e bom tom, reiteramos que não aceitamos e não realizaremos a gestão do Conselho Federal de Psicologia dando continuidade aos métodos políticos coronelistas, velados por discursos socialmente engajados, soberbamente nutridos pela catequese que transforma os sujeitos históricos em meros coadjuvantes de um regime totalitário, a serviço da dominação de uns sobre os outros. A democratização do sistema passa necessariamente pelo resgate do respeito e da confiança no Conselho Federal e nos Conselhos Regionais pela categoria profissional e pela sociedade.
É urgente que se desenvolvam formas de gestão da autarquia e de relacionamento com a categoria profissional que sejam compatíveis com os princípios democráticos e a promoção de direitos. O descompasso entre as políticas adotadas pelo Conselho na defesa da sociedade e no trato com os profissionais geraram muito mal estar na categoria. Os direitos dos psicólogos não foram garantidos e não raro foram aviltados, tanto no que se refere às condições de trabalho quanto às prerrogativas legais do exercício da profissão.
Um bom exemplo disso é a luta contra o chamado ato médico, uma luta datada por interesses alheios ao exercício profissional. A comemorada “VITORIA” obtida no Congresso pela manutenção dos vetos presidenciais foi transitória, útil naquele momento específico. Quem estava na galeria não sabia que nos bastidores do plenário daquela sessão já havia sido firmado um acordo de envio de um novo projeto de lei que alteraria a lei que acabara de ser aprovada. A mesma mão que assinou os vetos assina a proposta que os repõe e que hoje tramita no Congresso Nacional.
Colegas do XVI Plenário, há muito trabalho pela frente e muita esperança entre os psicólogos. Tenho certeza que juntos venceremos os obstáculos. Daremos os passos seguintes de uma caminhada cujo início se deu há mais de meio século. Que saibamos olhar para o futuro sem apagar o passado, disfarçar a história ou produzir uma política da resignação.
Muito obrigada,
Mariza Monteiro Borges
14 de dezembro de 2013.

 

XVI Plenário – Gestão 2013 / 2016

Diretoria

Mariza Monteiro Borges – Presidente

Rogério de Oliveira Silva – Vice-presidente

Sergio Luis Braghini – Tesoureiro

Maria da Graça Corrêa Jacques – Secretária

Conselheiros efetivos

João Baptista Fortes de Oliveira – Secretário Região Sul

Dorotéa Albuquerque de Cristo – Secretária Região Norte

Inara Barbosa Leão – Secretária Região Centro-Oeste

Lurdes Perez Oberg – Secretária Região Sudeste

Meire Nunes Viana – Secretária Região Nordeste

 Nádia Maria Dourado Rocha – Conselheiro 1

Rosano Freire Carvalho – Conselheiro 2

Conselheiros suplentes

Silvana Carneiro Maciel – Suplente

Eliandro Rômulo Cruz Araújo – Suplente

Viviane Moura De Azevedo Ribeiro – Suplente

Jacqueline De Oliveira Moreira – Suplente

Roberto Moraes Cruz  – Suplente Região Sul

Madge Porto Cruz – Suplente Região Norte

Vera Lucia Morcelli – Suplente Região Centro-Oeste

Sandra Luzia De Souza Alencar – Suplente Região Sudeste

João Carlos Alchieri – Suplente Região Nordeste

Maria Augusta Rondas Speller – Conselheira Suplente 1

Jefferson De Souza Bernardes – Conselheiro Suplente 2

Coletivo Ampliado  

Ana Jacó-Vilela – Memória da Psicologia

Bárbara Conte – Psicoterapia

Loiva de Boni – Álcool e Drogas

Luciana Ferreira Ângelo – Psicologia do Esporte e da Atividade Física

Marcus Eugênio Oliveira Lima – Relações com as Instituições de Ensino Superior

Raquel Guzzo – Educação e Assistência Social

Silvia Koller – Relações com a BVS-PSI

Tânia Grigolo – Saúde Mental

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