A solidão como grande conflito do homem contemporâneo

Para alguns indivíduos, a solidão é um grande problema, um monstro terrivel e insuportável pelas angústias que emergem. Assim, enquanto alguns procuram fugir da solidão buscando estar rodeados de amigos, outros por vontade própria ficam em casa ou moram sozinhos sem grande problemas. Estes, normalmente, são vistos como pessoas tristes, solitárias, pois não têm família ou amigos.

Ja algumas pessoas, apesar de viverem sozinhas, em determinados momentos se vêem sentindo uma necessidade desesperada de correr para um lugar cheio de gente, que lhe da a sensação de segurança. Existem padrões culturais que determinam nosso movimento no mundo, muitas vezes incentivando o vinculo social. A valorização da convivência em familia e a amizade são exemplos disso em nossa cultura.

O conflito em lidar com a solidão, surge da dificuldade em integrar e administrar estas duas influências em nossas vidas: demandas interiores e demandas sociais. Esta dificuldade se dá pela frágil consciência que temos de nossos sentimentos, que favorecem esse movimento inautêntico no mundo. Assim, vivemos na maior parte do tempo na perspectiva de agradar ou mostrar coisas aos outros.

Para conhecer-se a si mesmo é necessário dar-se a oportunidade de encarar-se, sozinho e olhar pra dentro de si. E a solidão é um momento propicio à isso, pois é na solidão que estamos sozinhos com nós mesmos. Mas em alguns casos a solidão causa um vazio, pois somos seres sociais e precisamos do outro para nos percebeermos vivos. Esta é a razão de se fazer importante re-conhecer-nos nas trocas interpessoais, pois existem aspectos de nós mesmos que só podem ser percebidos na relação com o “outro”.

Ocorre que existe um limiar entre o estar só e o estar acompanhado, que é particular de cada indivíduo.

Assim, precisamos aliar a consciência de si mesmo à consciência destas forças culturais para que façamos escolhas certas, de acordo com nossos próprios desejos. Desta forma, nem sempre casar, ter filhos, cursar uma faculdade, trabalhar em um emprego formal ou conquistar um status social seja o melhor para todos os indivíduos, na perspectiva de seus desejos particulares.

Para compreender a solidão, apoiou-se em alguns autores da psicanalise culturalista, que é uma ciência das relações humanas baseada no estudo das culturas. Assim, para Adler, o poder e a notoriedade são principios determinantes na vida de todo ser humano. Para Erich Fromm, apesar do homem buscar a liberdade na vida, aproxima-se da solidão, sendo aquela uma condição conflitante, porque negativa e um problema nas relações do homem em sociedade. Sullivan afirma que já nascemos em uma situação interpessoal, e mesmo um eremita, isolado da sociedade, leva consigo a solidão através das lembranças de suas relações interpessoais anteriores, que continuarão exercendo influência em seu modo de pensar e ser no mundo. May, entende a solidão e vazio como intimamente ligados às convenções que nos foram impostas, e nossa reação natural, quando sentimos vazio e solidão é justamente buscando um “outro” que nos console em meio a toda confusão e mudanças da sociedade, seja amigo, familiares, terapeuta, conselheiros religiosos, etc.

A percepção da solidão é determinada pela interpretação que fazemos de nossa liberdade. Assim, existem dois modos de viver: o autentico quando aceita-se a solidão como preço pela liberdade, e inautentico quando interpreta a situação como abandono. Maslow indicou o caminho para isso, através da busca pela qualidade do desprendimento, da necessidade de privacidade, da individualidade, da autonomia e independência com relação à cultura e ao meio ambiente. Para este autor, devemos respeitar as regras da sociedade, porém sem se submeter cegamente aos padrões.

Fromm propõe a espontaneidade como único meio de se vencer a solidão sem sacrificar a integridade do ego. E isso se faz, através da atividade livre do eu.

O vincular-se ao “outro” nas relações, é importante, porém quando criamos a ilusão de que o outro vai dar o principal significado à nossa existência, estamos sendo inautènticos. Para este autor, quando isso acontece e vivemos momentos de separação, estas são vivenciadas como “terriveis” e algumas vezes sentidas como “a própria morte”. Uma solução é trazida por Fromm que afirma ser o vazio e a solidão, sentimenttos intimamente ligados à falta de espontaneidade e que portanto pensar, sentir e dizer o que é de nós mesmos, nos traz segurança pessoal.

A solução para a solidão, e consequentemente o vazio e ansiedade dela gerados, é o conhecimento de si mesmo, e que só se entra em contato consigo mesmo pelo “olhar para dentro de si”. Mas problematiza afirmando também que mesmo mergulhando fundo em seu ser, os sofrimentos estarão sempre ai, pois os sofrimentos e a dor de existir são inerentes à existência. Sugere, a autora, que podemos olhar para este sofrimentos e esta dor e nos fortalecermos, com possibilidades, enriquecimento e aprendizado para a própria existência.

Referências:

DUARTE, Livia Peretti. Os grandes conflitos interiores do homem contemporâneo: solidão, vazio e ansiedade. Revista Educação. Guarulhos, v. 5, n. 2, 2010. Disponível em . Acesso em: 17 abril. 2016.


	
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