A Síndrome de Exaustão no Contexto do Professor Universitário

Trata-se de um artigo de revisão bibliográfica onde faremos um pequeno apanhado da opinião de alguns autores que discorrem sobre o contexto do professor universitário mergulhado na problemática da exaustão emocional causada pela fadiga e o estresse no exercício de sua profissão de docente. A forma de atuação e condução do seu dia-a-dia, a logística da organização da sua atuação profissional está totalmente ligada à promoção de sua qualidade de vida. O que pode favorecer ou não a esta exaustão. Faz-se necessário observar a saída isto é, uma intervenção quando se já está mergulhado numa completa exaustão e seus sintomas.

Palavras-chave: docente, estresse, fadiga, exaustão.

Rosiléa Bezerra de Lima Câmara – Psicóloga clínica – CRP – 17/1898

A SÍNDROME DE EXAUSTÃO EMOCIONAL NO CONTEXTO DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO.

A partir da década de 1960, o professor se vê submetido às mesmas condições dos trabalhadores fabris, pois a escola tem adquirido a nova função de formar trabalhadores comprometidos com o novo tempo. O aluno passou a ser visto como produto e a escola como uma instituição produtora de força de trabalho.

Na última década, o trabalho docente tornou-se tema de diversos estudos, com o incentivo de formação de grupos e de redes de pesquisadores organizados para esse fim (Gasparin et.al. 2005). A rede de Estudos sobre trabalho docente (Redestrado) criada em 1999, por exemplo, tem como principal objetivo, propiciar o intercâmbio entre pesquisadores latino-americanos que debruçam sobre a temática “trabalho docente”. Essas investigações têm revelado processos de adoecimento entre docentes e defendido a necessidade de intervenções nas condições laborais dos professores.

É escassa a literatura sobre condições de trabalho e saúde de docentes, principalmente no contexto universitário, quando comparado a outras áreas trabalhistas; até pouco tempo, os estudos privilegiavam as relações entre saúde e trabalho, em contextos fabris, onde a relação entre trabalho e saúde é mais direta e os riscos à saúde são mais evidentes (Araújo et al.,2005). Entretanto, os professores tornaram-se um trabalhador intelectual na área de serviços. (Fernandes, 1989; Oliveira, 2006)

A expressão mal estar docente (Esteve, 1987) apareceu como um conceito da literatura pedagógica que pretende resumir o conjunto de reações dos professores como um grupo profissional desajustado devido à mudança social. Esta, expressão, emprega-se para descrever os efeitos permanentes e negativos, que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que exerce a docência, devido à mudança social acelerada (Esteve,1987). O mal estar docente refere os sentimentos de desmoralização (Esteve e Fracchia, 1988), de desmotivação ou de desencanto que emergem nos professores, devido às vicissitudes do processo de reconstrução identitária em que a emergência da mudança seja qual for o seu sentido como finalidade da educação, irreversivelmente, os colocou.

De um modo geral, são devido às transformações sofridas nas políticas educacionais; superiores da quase totalidade dos países que estão levando a Universidade a adotar um modelo, também chamado “anglo-saxônico” que a configura não mais como uma instituição social, em moldes clássicos, mas como uma organização social neoprofissional, heterônoma, operacional e empresarial, tendo em vista, as exigências do capitalismo.

O sofrimento no trabalho:

Segundo o dicionário Michaelis (1998) a palavra sofrimento apresenta as seguintes definições: 1) ação ou efeito de sofrer, dor, padecimento. 2) amargura 3) paciência, tolerância, desastre.

Na medicina, o sofrimento vem pela dor física, dor que acomete o corpo; na Psicanálise, pelo trabalho do luto, a morte. Chama-nos a atenção o sofrimento como efeito causado por algo, sendo o descortinamento desta causa à chave para superá-lo. De acordo com Arendt (1997), a condição humana está submetida à condição de sofrimento, e o ser humano é humano, tendo em vista, estar em processo de dor psíquica de fundo emocional.

As de doenças emocionais que causam sofrimento psíquico a doença seja ela qual for, pode ser entendida como uma perturbação não-resolvida no equilíbrio interior do ser vivo e em sua interação com o ambiente que o cerca. Em biologia esse equilíbrio é denominado homeostase. Os trabalhos clássicos de Cannnon e Claude Bernard, ao estabelecer o conceito de “constância do meio interno”, mostraram que a vida somente é possível dentro de determinadas constantes químicas (quantidade de sal no corpo, por exemplo), físicas (por exemplo, temperatura corporal) e ainda imunológicas.

A concepção do psiquismo e de seu caráter dinâmico, introduzida por Freud, nos indica que também aí há um equilíbrio a manter, que influencia e, ao mesmo tempo, é influenciado por outras variáveis como o meio profissional e suas relações interpessoais e pessoais com a família, amigos, dentre outras.

Em que pese a noção já antiga, do papel dos estados emocionais na gênese das doenças, durante séculos, e mesmo até o próprio Freud, admitia que, com a exceção dos males congênitos e hereditários, as doenças eram causadas por agentes externos, isto é: vinham de fora para dentro. O advento da psicanálise, todavia, e sua progressiva aceitação revolucionaram esse conceito e introduziram um novo: o de que, em algumas doenças, os males do corpo constituíam uma mera expressão dos males do espírito, ou seja, provinham de dentro da pessoa. As primeiras

O processo saúde/doença dependerá da conjunção da carga genética com que a pessoa nasce e dos fatores de risco a que se expõe ao longo da vida. Essa conjunção, por sua vez, é modulada pela interação do ser humano com o ambiente em que está inserido e tem como fator determinante das relações o ponto central do psiquismo e a personalidade do indivíduo.

Desde a origem da palavra trabalho, consta a sua relação com o sofrimento em que podemos nomear de patogênico. O sofrimento é patogênico quando todos os recursos defensivos do indivíduo se esgotaram e o sofrimento continua a provocar uma descompensação do corpo ou da mente, debilitando o aparelho mental e psíquico do sujeito.

(…) sofrimento não é unicamente definido pela dor física nem pela dor mental, mas pela diminuição, até a destruição, da capacidade de agir, do poder fazer, sentidos como um golpe à integridade de si. (Ricoeur, 1991, p.223).

O taylorismo caracterizado como uma nova tecnologia da organização do trabalho apresenta, como consequência mais evidente, a repercussão fulminante na saúde do corpo do trabalhador, uma vez que, as exigências físicas, em decorrência de novos tempos e ritmos de trabalho, vão colocar o corpo como ponto nevrálgico, visto que os operadores são submetidos aos ritmos das máquinas, e não ao ritmo do seu próprio corpo.

No sentido exposto acima, para realizar o trabalho, é necessário um investimento pessoal da inteligência dos sujeitos, em nível de inventividade, frente à imprevisibilidade na execução da tarefa, tendo em vista que o prescrito não comporta, ou seja, não dá conta do real trabalho. Esta concepção contesta a divisão tradicional do trabalho, entre e de concepção, planejamento (intelectual) do “docente” e o de execução (manual), pois todo trabalho é um ato de concepção, de criação. Cabe, neste momento, situarmos o contexto do trabalho.

Dejours (1994), partindo da análise da psicodinâmica das situações de trabalho, considera que quando o trabalho torna-se fonte de tensão e de desprazer, gerando um aumento da carga psíquica sem possibilidade de alívio desta carga por meio das vias psíquicas, ele dá origem ao sofrimento e à patologia. Sendo assim, a insatisfação no trabalho é uma das formas fundamentais de sofrimento no trabalho.

O trabalho é energia, tempo e habilidade que se vende para obter condições de sobrevivência, nos situando na hierarquia social dos valores. Consequentemente, o trabalho é uma totalidade complexa que desafia entendimento, gera subjetividade, relações sociais e uma identidade própria.

O trabalho ocupacional constituiu-se numa preocupação da OMS (Organização Mundial de Saúde) considerando as suas consequências danosas para a qualidade de vida do indivíduo, bem como, para o exercício cotidiano do seu desempenho profissional. A atividade docente é considerada uma das mais estressantes estando exposta ao desenvolvimento da síndrome de burnout, em decorrência das peculiaridades das atividades laborais pertinentes à profissão como, por exemplo: pressão dos gestores e alunos, relacionamentos conflituosos com alunos e colegas de trabalho, dificuldades na vida pessoal dentre outras.

E nesse contexto, de forma analítica, seria propício voltar-se às contribuições que a Psicologia clínica pode nos oferecer ao tocante ao processo terapêutico desse docente em uma intervenção coerente que pudesse fornecer a ele subsídios de suporte para a problemática enfrentada por ele nesse contexto de muitas faces. Desta forma, propor melhorias para a qualidade de vida total desse docente tirando ele do quadro patológico de exaustão que o estresse trás ao indivíduo para um quadro de desempenho da função com prazer e qualidade de vida.

Em recente pesquisa Oliveira (2006) também revela esse “mal-estar docente”, revelando como resultado desse processo manifestações como desinteresse, apatia, desmotivação e “sintomas psicossomáticos” como: angústia, fobias, crises de pânico, o que parece caracterizar sintomas da síndrome de burnout. Todas essas situações configuram fatores psicossociais do trabalho que podem gerar sobrecargas de trabalho físicas e mentais que trazem consequências para a satisfação, saúde e bem-estar dos trabalhadores (Martinez, 2002).

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso, definido por Herbert J. Freudenberger como um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida. A síndrome de burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo Psicanalista nova-iorquino, Freudenberger, logo após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.

Neutralização é um termo que se refere à psicológica exaustão a longo prazo e diminuição do interesse em trabalho. A pesquisa indica clínicos gerais têm a maior proporção de casos de burnout, de acordo com um estudo holandês recente no Psychological Reports, nada menos que 40% destes altos níveis de burnout experientes. Burnout não é um distúrbio reconhecido no DSM-IV, embora seja reconhecida no CID-10 e especificada como um estado de exaustão vital (Z 73.0) sob o título “problemas relacionados à dificuldade de gerenciamento da vida”, porém, não considerada como desordem.

A partir da década de 1970, a literatura científica apresentou um termo inglês para caracterizar essa exaustão no trabalho é “burn-out” ou “burnout”; refere-se, de forma geral, aos aspectos negativos do trabalho capazes de produzir redução da condição mental dos trabalhadores. Anteriormente, outros termos foram também vastamente utilizados para se referir à situação semelhante, como “alta-exigência”, “astenia neurocirculatória” e “fadiga industrial” (PEREIRA, 2002).

O ESTRESSE DOCENTE:

De acordo com (SILVA 2010), derivada da palavra inglesa ESTRESSE, o termo era originalmente empregado em física, no sentido de traduzir o grau de deformidade sofrido por um material quando submetido a um esforço, ou tensão. Os termos eutresse/distresse podem ajudar a perceber esta dicotomia de significação. Eutresse pode ser usado para designar o estresse decorrente de situações agradáveis ou de curta duração e distresse, em contrapartida, o estresse decorrente de situações ameaçadoras ou de longa duração.

Pode-se ainda atrelar o termo eutresse a situações nas quais a quantidade de estímulos que suscitam respostas adaptativas é em número suficiente apenas para motivar o indivíduo para o desenvolvimento. Por outro lado, o termo distresse estaria vinculado à ausência ou excesso de estímulos (pressões). No primeiro caso, o indivíduo cairia na desmotivação e no tédio; no segundo, experimentaria opressão e exaustão, o que seria contraproducente.

Nesse sentido, o estresse pode ser saudável, pode produzir mudança; promovendo assim, flexibilidade e transformação, além de ser um fator de risco de doenças. É substancial o volume de estudos que apontam para a associação entre o estresse e os processos de manifestação de problemas de saúde.

A maneira como a pessoa lida com o estresse depende frequentemente de crenças rígidas e profundamente enraizadas, baseadas em sua experiência. Há pessoas com altos índices de estresse e baixos índices de doenças que apresentam três características: controle, isto é, um sentido de propósito e de direção para as suas vidas, compromisso em relação ao trabalho; hobbies, vida social, família e desafios que consistem em considerar as mudanças como normais e positivas, muito mais do que como ameaças.

Trabalhando a idéia de vulnerabilidade ao estresse, Bernik aponta fatores pessoais, familiares, sociais que estão envolvidos nesse fenômeno. Entre os fatores pessoais destacam-se características de personalidade (traço de ansiedade e traço de estresse), tipo de alimentação, dificuldade de expressar afeto, alto nível de perfeccionismo, baixo nível de pensamento construtivo. Além disso, indivíduos que se isolam estão sujeitos à maior dificuldade para superar o estresse.

A suscetibilidade ao estresse ocorre quando existem características do modo de vida do indivíduo, de sua família e grupo social que tornam os seus recursos adaptativos mais escassos. Na vigência de uma situação que requer esforço e que demanda adaptação, essa pessoa terá menos chances de retornar à homeostase.

Já nos primórdios da civilização, os médicos antigos chamavam a atenção para o fato de que o principal fator causal das doenças – ao menos das doenças graves- é a conduta isto é, o estilo de vida e forma de pensar de cada um. O psiquismo é, portanto, fundamental para a conservação da saúde e, ao modular o comportamento da pessoa, tem o poder de multiplicar a vulnerabilidade biológica do corpo, abrindo as portas para as manifestações orgânicas das doenças.

Ao emitir esse conceito, Goethe o iniciava perguntando: “Há síntese maior do que o ser vivo? E resumia nessa questão/afirmação, e no restante da citação que a essência da noção em que se apóia a medicina psicossomática: a unidade indivisível do ser humano.

Em que pese a noção, bastante antiga, do papel dos estados emocionais na gênese das doenças, Freud durante séculos, admitia que as doenças eram causadas por agentes externos, isto é: vinham de fora para dentro.

A doença poderia também ser compreendida como uma válvula de escape dos conflitos intrapsíquicos e emocionais. O mais rígido e o mais saudável ego do mundo tem seu limite e sua medida de resistência. Algumas pessoas parecem ter uma tendência crônica para se estressarem e esta se constitui em um quadro que inclui distorções cognitivas, isto é, um modo inadequado de pensar e avaliar os eventos da vida, expectativas ilógicas e exageradas, vulnerabilidades pessoais e comportamentos observáveis eliciadores de estresse. Inclui também uma hiper-reatividade fisiológica perante as demandas psicossociais a qual pode ser gerada por uma hipersensibilidade do sistema límbico, conduzindo à produção excessiva de catecolaminas, testosterona e cortisol.

Pesquisa relatada:

Segundo a tese de mestrado de Maria Márcia Bachion sobre a Vulnerabilidade ao estresse dos professores de uma escola publica de Goiás viu-se que: -os professores universitários se constituem em um grupo de trabalhadores reconhecidamente susceptíveis ao estresse. Na Universidade Federal de Goiás, foi identificado que 73,6% dos docentes se sentem estressados, sendo que, na área da saúde, 61% dos professores apresentam estresse leve e 32% estresse moderado.

A ocorrência de estresse ocupacional tem sido observada em todas as partes do mundo como um importante fator causal de morbimortalidade e de quebra da saúde mental e o bem estar do trabalhador e consequentemente um fator preponderante para o prejuízo da qualidade de vida.

A literatura científica aponta que as mulheres podem ser mais vulneráveis ao estresse que os homens por vivenciarem conflitos entre papéis: ser trabalhadora de uma instituição, além de ser mãe, dona-de-casa e esposa.

Em 1936, Hans Selye, o médico austríaco introduziu a expressão no jargão médico e biológico, expressando o esforço de adaptação dos mamíferos para enfrentar situações que o organismo perceba como ameaçadoras à sua vida e ao seu equilíbrio interior. Pode-se compreendê-lo como uma síndrome que envolve aspectos biopsicossociais. O estresse, nos termos em que é conhecido hoje, começou a ser estudado por volta de 1920, por Hans Selye, portanto, observou que muitos pacientes reclamavam dos mesmos sintomas, como pressão alta, desânimo e fadiga. O médico chamou esse fenômeno de síndrome da adaptação geral, terminologia que, posteriormente, ficou conhecida como estresse, ou seja, é o desgaste experimentado pelo organismo e sinalizado mediante alterações psicofisiológicas.

O Estresse quando analisado dentro do contexto das emoções e dos conflitos psíquicos se encontra, portanto, na gênese das doenças de acordo com o CID – 10 – O Código Internacional das Doenças fornece uma classificação para uma reação considerada aguda ao Stress é (F 43.0).

Esse componente individual do estresse, ligado à personalidade da pessoa, tem muito a ver com a sua história de vida e com os aspectos psicodinâmicos relacionados. Afinal, quase todos hão de concordar em um vertente consenso de que os fenômenos humanos e as doenças entre eles tem uma motivação e nada acontece por acaso; os vetores contribuem: o estresse, a genética, a alimentação, os vícios; dentre outros.

Quando nos referimos ao Estado de Estresse dizemos que os seres vivos permanecem isto é, com vida é enquanto conseguirem manter um estado de equilíbrio interior chamado por Cannon de homeostase. Segundo tal concepção, qualquer modificação percebida como “diferente” pelo organismo nesse status quo seria sentida como ameaça à sua vida enquanto sistema organizado – e desencadearia toda uma situação de alarme e preparação para fazer face ao perigo que se aproxima.

No caso dos seres humanos, o processo de estresse é basicamente o mesmo verificado nos outros animais; com duas grandes diferenças: em primeiro lugar, as ameaças do mundo externo ao “eu” do indivíduo são de múltiplas origens e, em sua percepção, há um forte componente subjetivo – isto é, o componente imaginário, provindo do interior da pessoa, é muito mais significativo. Em segundo lugar, e não menos importante, a descarga da tensão gerada pela sensação de perigo que ocorre principalmente sobre a musculatura responsável pela movimentação do estômago, dos intestinos e das artérias do coração.

De acordo com (SILVA, 2000) As situações estressantes relacionadas à família e ao trabalho são as mais graves, não só pela natureza e multiplicidade das facetas que encerram, mas, principalmente por configurar, na maioria das vezes, uma fonte permanente de tensão ao longo da vida.

Em qualquer um dos contextos profissionais a vida tem se tornado em uma luta constante, quer para a sobrevivência do indivíduo nos dias de hoje, quer pela autoafirmação e independência financeira de cada um. Há em nosso caso, a necessidade não menos vital, de alcançar um estado de paz e satisfação na vida, que denominamos felicidade e está intimamente vinculado ao princípio do prazer de que nos fala Freud.

A necessidade humana ensina Pontes, podem ser biogênicas ou aprendidas. Biogênicas são necessidades que derivam de algo que falta ao organismo, como é o caso, por exemplo, da necessidade de sono, de alimentos e de sexo.

A necessidade de poder assim, como a necessidade de prestígio é uma necessidade aprendida, um provável subproduto da necessidade fundamental de amor que nos acompanha por toda a vida. Em todo esse contexto de uma busca exagerada pela realização pessoal, social e financeira vemos então, uma curva perigosa no centro do eixo do trabalho trata-se, portanto, do ativismo que é esse vetor preponderante que trás a sobrecarga física que na maioria das vezes, carrega uma sintomatologia a ser explicada pela Saúde mental.

Os meios de que nossa psique lança mão para controlar o conflito entre os impulsos do id (instintivo e puramente animal) e a necessidade de ceder à realidade e às exigências do ego e do superego são denominados mecanismos mentais de defesa e de adaptação. De uma forma mais simplificada, podemos entendê-lo como “válvulas de escape” de uma panela de pressão: se não existirem, ou não funcionarem a contento, a panela explode. A explosão em nosso caso é a doença ou até a morte.

As situações de estresse e suas consequências sobre a saúde humana constituem objeto de inúmeros estudos em todo mundo, havendo múltiplas correntes teóricas de compreensão desse fenômeno. Denomina-se estresse ocupacional aquele oriundo do ambiente de trabalho, embora não exista consenso quanto à sua definição entre os diversos pesquisadores desse assunto (LIPP, 2002). A quantidade de estresse de cada pessoa experimenta pode ser modulada por fatores como experiência no trabalho, nível de habilidade, padrão de personalidade e autoestima.

O estresse é um estado geral de tensão fisiológica e mantém relação direta com as demandas do ambiente. O estresse ocupacional constitui uma experiência um tanto desagradável, associada a sentimentos de hostilidade, tensão, ansiedade, frustração e depressão desencadeadas por estressores localizados no ambiente de trabalho.

Ensinar é uma atividade em geral altamente estressante, com repercussões evidentes na saúde física, mental e no desempenho profissional dos professores. Dentre as repercussões mais relatadas destacam-se doenças cardiovasculares e sintomas advindos do estresse emocional como: cefaleia, angústia, ansiedade, depressão, choro fácil dentre outros sintomas.

O estresse docente é um conceito complexo que contempla um conjunto de respostas cognitivas, afetivas e comportamentais que ocorrem nas situações de trabalho em que os professores interpretam as condições ambientais como exigências que ultrapassam os recursos pessoais. Os efeitos sobre o desempenho incluem, entre outros, problemas atencionais, interferência de pensamentos disfuncionais, diminuição das competências pedagógicas interpessoais. (Lazarus et al, 1984). O estresse surge de processos perceptivos e cognitivos, que produzem sequelas físicas e psicológicas. De acordo com Lazarus (1966), a interação entre os agentes estressores e o ser humano resulta da apreciação e avaliação realizada pelos sujeitos. Deste ponto de vista, a condição de estresse só existe quando o indivíduo a percebe como tal.

O COTIDIANO DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO – VULNERÁVEL AO ESTRESSE:

Dentro do contexto do professor universitário inserido ele em seu processo do ensino vai destacar fatores os quais tem a devida e propícia importância.

Dificilmente, alguém discordaria de que a sociedade de nosso século é a sociedade da informação. Essa informação é o principal traço característico do debate público sobre desenvolvimento, seja em nível local ou global, neste alvorecer do séc. XXI. Das propostas políticas oriundas dos países industrializados e das discussões acadêmicas, a expressão “sociedade de informação” transformou-se rapidamente em jargão nos meios de comunicação, alcançando, de forma conceitualmente imprecisa, o universo vocabular do cidadão.

Seria pertinente e propício nos unir a todos os que têm procurado desfazer a teia de imprecisões verbais em relação às mudanças do mundo contemporâneo e, desta forma, contribuído para destruir mitos que impedem uma consciente participação nesse processo de mudança.

Uma reflexão crítica que permita compreender as presentes transformações sociais e avaliar suas implicações com base em critérios definidos deverá permitir a integração de critérios socioculturais.

Esse docente está inserido nesse processo de mudanças sociais não como um mero espectador, porém, como um facilitador que vai abrir o caminho para a construção de um futuro melhor na mente de todos nós e na vida. Dentre os papéis do professor vamos observar sua prática através de várias lentes desse professor sendo um vetor da aprendizagem; ou até mesmo uma máquina de ensinar inserido ele em qualquer nível de ensino.

O professor universitário é aquele que possui uma profissão bastante complexa por possuir um desempenho de múltiplos papéis como não só o de ensinar, porém, como diz Rogers (…) mas o de ajudar o estudante a aprender.

A formação do professor universitário passa pelo princípio da competência no exercício da profissão que seriam ações visando conferir uma maior competência técnica aos professores; através da obtenção de graus na pós-graduação atendendo às resoluções do Conselho Federal de Educação.

Autor de muitos papéis tem algumas tarefas ou até “determinada” postura social esperada desse professor como notável conteúdo valorativo diante da sociedade. Alguns traços são mencionados pelo autor como pessoais: apaixonado e dirigido para a missão, é positivo e real, professor-líder, ser alerta com o que acontece em sala, além disso, ter estilo, ser motivador, eficácia instrucional, detém conhecimento teórico, possui a sabedoria das ruas e a capacidade intelectual.

A INTERVENÇÃO QUE DIMINUI O ESTRESSE DO DOCENTE:

O estresse pode tornar sua vida profissional em um episódio de tormentas. No entanto, com um pouco de conhecimento, análise sobre o momento que está vivendo e compreensão sobre o seu limite pode ser o melhor caminho para o enfrentamento do processo de exaustão do docente.

O caminho para atenuar os efeitos cumulativos do estresse seria fazer opção por uma melhor qualidade de vida; tendo hábitos saldáveis e prazerosos associados a uma boa organização e logística do próprio tempo. Fazer a gestão da própria vida adotando uma postura ética e diplomática evitando dessa forma, um maior desgaste emocional.

Fazer opção por sessões em Psicoterapia, reconhecendo seu limite e no momento que a fadiga estiver alcançando um estágio alto reconhecer que precisa parar e entrar em descanso físico e mental.

Há alguns casos em que a pessoa que está vivenciando um quadro de exaustão emocional avançada com sintomas altos em que precisa de uma intervenção psicológica e psiquiátrica com a administração de medicamentos para diminuir o efeito do estresse sentido pelo paciente.

A psicanálise nos ensina que existe um conflito dentro de nós: dois “eus” um que somos e um que gostaríamos de ser. O real e o ideal. A incoerência portanto, pode se instalar quando se existe um conflito entre nosso discurso e nossa prática e, também, entre nossas convicções e nossas emoções. Esse desgate resulta como estímulo nocivo, tanto para nossa paz interior como para a saúde.

Quanto mais conseguirmos aproximar o eu real do ideal, mais próximos estaremos da paz interior (amor a si mesmo) e, por conseguinte, da felicidade e da saúde. A aceitação de nós mesmos implica necessariamente o reconhecimento e a aceitação de nossas limitações e fragilidades. O gostar de nós mesmos como somos e o reconhecimento de nossas limitações trazem consigo vários e úteis subprodutos. O primeiro é não se balizar pela opinião dos outros como referencial de nosso próprio valor e sim tornar-se livre.

O homem verdadeiramente livre, o espírito livre que caracteriza Jean-Christophe, personagem do romance homônimo de Romain Rolland, é justamente aquele que consegue, de fato, libertar-se de todo referencial externo. Mesmo porém, precisando em determinados momentos dever satisfações sociais. Mas a liberdade consiste no entanto, em não pautarmos nossas atitudes pelas exigências do padrão, mas sobretudo, em não nos deixar atingir interiormente pelo julgamento social, privilegiando nossos próprios valores, e não aqueles que nos querem impor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Através do consenso de alguns autores como Dejours (1994) e Silva (2000) pôde ser observado que a profissão de docente é vulnerável a episódios de estresse por estar proporcionando aos docentes em escala alta fonte de tensão e desprazer e isso de fato acontecendo passa a ser uma das formas de sofrimento no trabalho; que podemos caracterizar assim como a síndrome de burnout.

O Estresse por sua vez, faz a quebra do estado de homeostase, que sofre por sua vez, uma descarga de tensão gerada pela sensação de perigo que ocorre principalmente, sobre a musculatura responsável pela movimentação do estômago, intestinos e artérias do coração.

A Psicologia clínica e seu esforço instrumental poderia contribuir para a problemática do docente que se encontra em processo de exaustão emocional; foi a pessoa que por excesso de esforço físico e mental perdeu o seu prazer no trabalho e se percebe adoecendo por causa dos sintomas como cefaléia, pressão alta, depressão dentre outros.

Entendendo o processo pelo qual está vivenciando e fazendo a associação entre o estresse e os processos de manifestação dos problemas de saúde é o primeiro passo para o reconhecimento do limite psíquico que favoreceu a quebra da homeostase e alterou o meu bem estar emocional e clínico.

Observou-se que a ocorrência de estresse ocupacional tem sido observada em todas as partes do mundo, como um importante fator causal de quebra da saúde mental e alta morbimortalidade do trabalhador; que consequentemente, tem trazido prejuízos para a qualidade de vida do docente.

A intervenção apropriada nesse caso, de acordo com a psicologia, é a observação do próprio limite, parando para tratar-se e na maioria das vezes, fazendo opção pela qualidade de vida melhor alimentação, mais horas de descanso e lazer.

REFERENCIAS

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Esteve, J.M.(1987). El mal –estar docente. Barcelona: Laia

Lazarus, R. S & Folkman, S.(1984). Stress, Apraisal and Coping. N.Y.; Springer.

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SILVA, Marco Aurélio Dias da, Quem ama não adoece. Edição Revista. 41ª ed. – Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2010.

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