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    <title>Psicologia - RedePsi</title>
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    <description>O seu Portal de Psicologia</description>
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    <category>Artigos</category>
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      <title>Psicologia - RedePsi</title>
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      <title>A permanência do tratameto em saúde mental no hospital psiqquiátrico na lógica manicomial: relato de uma experiência</title>
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      <description>&lt;p&gt;Trabalho de Conclus&amp;atilde;o de Curso apresentado ao Curso de psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial do t&amp;iacute;tulo de psic&amp;oacute;logo.&lt;br /&gt;Palho&amp;ccedil;a, 23 de novembro de 2010.&lt;/p&gt;RESUMO&lt;br /&gt;&lt;p&gt;MORAES, Geofilho Ferreira. A perman&amp;ecirc;ncia do tratamento em sa&amp;uacute;de mental no hospital psiqui&amp;aacute;trico na l&amp;oacute;gica manicomial: relato de uma experi&amp;ecirc;ncia. 108f. Trabalho de Conclus&amp;atilde;o de Curso (Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Psicologia) &amp;ndash; Universidade do Sul de Santa Catarina, Palho&amp;ccedil;a, 2010.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A perman&amp;ecirc;ncia do tratamento em sa&amp;uacute;de mental no modelo hospitaloc&amp;ecirc;ntrico desenvolvido na l&amp;oacute;gica manicomial tem sido questionado h&amp;aacute; bastante tempo, colocando em pauta reflex&amp;otilde;es acerca da institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o/desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O objeto em quest&amp;atilde;o no estudo &amp;eacute; a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, tive como foco identificar pr&amp;aacute;ticas de tratamento na l&amp;oacute;gica manicomial que s&amp;atilde;o desenvolvidas em hospital psiqui&amp;aacute;trico. No Brasil, a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lei n&amp;ordm; 10.216, de 06 de abril de 2001, representou um grande avan&amp;ccedil;o nas pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas de sa&amp;uacute;de mental no Brasil e, a partir desse dispositivo legal, afirma-se a necessidade de que haja a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que institucionalizam pessoas na l&amp;oacute;gica do manic&amp;ocirc;mio. O estudo busca contribuir para a ci&amp;ecirc;ncia atrav&amp;eacute;s da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento visando a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pr&amp;aacute;ticas manicomiais de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ainda hoje est&amp;atilde;o presentes no hospital psiqui&amp;aacute;trico. Para a sociedade, o estudo busca contribuir para a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dignidade e do exerc&amp;iacute;cio de cidadania das pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico, objetivando pol&amp;iacute;ticas para que ocorra a desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o em nosso pa&amp;iacute;s. A pesquisa caracteriza-se como explorat&amp;oacute;ria/qualitativa com delineamento de estudo de caso; utilizei entrevista como instrumento para coleta de dados. Participou da pesquisa uma pessoa do sexo feminino que foi internada v&amp;aacute;rias vezes em hospital psiqui&amp;aacute;trico, seu esposo foi o segundo participante da pesquisa. Meu trabalho aponta a perman&amp;ecirc;ncia do tratamento em sa&amp;uacute;de mental na l&amp;oacute;gica manicomial sendo praticada nos dias de hoje e indica que a cultura do manic&amp;ocirc;mio ultrapassa os muros do hospital psiqui&amp;aacute;trico, estando &amp;agrave; institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o presente em nossa vida cotidiana na sociedade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Palavras-chave: Interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica. L&amp;oacute;gica manicomial. Hist&amp;oacute;ria de vida. Pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas em sa&amp;uacute;de mental.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ABSTRACT&lt;br /&gt;MORAIS, Geofilho Ferreira. The permanence of mental health treatment in a psychiatric hospital in asylum logic: account of an experience. 108f. Trabalho de Conclus&amp;atilde;o de Curso (Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Psicologia) &amp;ndash; Universidade do Sul de Santa Catarina, Palho&amp;ccedil;a, 2010.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;The permanence of mental health treatment in hospital-centered model developed in asylum logic has been questioned for a long time, putting in hand reflections on the institutionalization / deinstitutionalization The object in question in the study is the psychiatric hospital, had focused on identifying treatment practices in asylum logic that are developed in a psychiatric hospital. In Brazil, the approval of Law No. 10216 of April 6, 2001, represented a major advance in public policy on mental health in Brazil, and from this legal provision, states the need that there is a transformation of practices intervention logic of institutionalized people in mental hospitals. The study seeks to contribute to science through the production of knowledge aimed at transforming asylums intervention practices that are still present in the psychiatric hospital. For society, the study seeks to contribute to the affirmation of the dignity and the exercise of citizenship for people who are in psychological distress, objective policies for institutionalization to occur in our country. The research is characterized as exploratory / qualitative case study design, interview used as an instrument for data collection. Participated in the survey a female person who was hospitalized several times in a psychiatric hospital, her husband was the second research participant. My work points out the permanence of treatment for mental health in asylum logic being practiced today and indicates that the asylum culture beyond the walls of the psychiatric hospital, with the institutionalization present in our everyday life in society.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Keywords:&amp;nbsp; Psychiatric hospitalization. Mental institutions. Life history. Public policies on mental health&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;1. Introdu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O trabalho de conclus&amp;atilde;o de curso que realizei na &amp;aacute;rea da sa&amp;uacute;de mental teve como foco de estudo, pr&amp;aacute;ticas que foram ou s&amp;atilde;o desenvolvidas na perspectiva do modelo de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o na l&amp;oacute;gica manicomial em hospital psiqui&amp;aacute;trico. A motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a escolha da problem&amp;aacute;tica a ser pesquisada me acompanha desde o in&amp;iacute;cio do curso de psicologia, tendo mais &amp;ecirc;nfase na 8&amp;ordf; fase do curso, a partir de reflex&amp;otilde;es nas disciplinas: Sa&amp;uacute;de Mental Coletiva e Est&amp;aacute;gio em Sa&amp;uacute;de Mental Coletiva; e principalmente, por realizar est&amp;aacute;gio n&amp;atilde;o curricular desde outubro de 2009 em um hospital psiqui&amp;aacute;trico no estado de Santa Catarina.&lt;br /&gt;A pesquisa est&amp;aacute; vinculada ao N&amp;uacute;cleo Orientado da Sa&amp;uacute;de que faz parte da grade curricular do curso de psicologia da UNISUL. Eu como estagi&amp;aacute;rio, o projeto de pesquisa e a professora orientadora estiveram integrados ao projeto de Media&amp;ccedil;&amp;atilde;o Familiar, que est&amp;aacute; implantado no F&amp;oacute;rum de S&amp;atilde;o Jos&amp;eacute; e atende situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que envolvem conflitos familiares e demandas da Vara de Fam&amp;iacute;lia (separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o judicial, div&amp;oacute;rcio, dissolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uni&amp;atilde;o est&amp;aacute;vel, guarda, alimentos, visitas). Devido ao est&amp;aacute;gio oferecido no projeto est&amp;aacute; integrado ao N&amp;uacute;cleo Orientado da Sa&amp;uacute;de, permite discuss&amp;otilde;es acerca da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o Psicologia e Sa&amp;uacute;de, e diante do meu interesse e pela relev&amp;acirc;ncia da pesquisa a ser desenvolvida, os orientadores do mesmo compreenderam ser pertinente e poss&amp;iacute;vel o projeto ser desenvolvido integrado ao projeto de Media&amp;ccedil;&amp;atilde;o Familiar.&lt;br /&gt;De acordo com as normas t&amp;eacute;cnicas de trabalhos cient&amp;iacute;ficos desenvolvidos na UNISUL, o trabalho de pesquisa foi dividido em cinco partes, a primeira parte &amp;eacute; a introdu&amp;ccedil;&amp;atilde;o, composta pela problem&amp;aacute;tica, justificativa e objetivos, onde apresento o contexto da tem&amp;aacute;tica para se assinalar o recorte do fen&amp;ocirc;meno da pergunta que nortearam os objetivos do projeto de pesquisa; autores como Franco Basaglia, Franco Rotelli, Michel Foucault, Erving Goffman, Walter Oliveira, entre outros, contribu&amp;iacute;ram nas reflex&amp;otilde;es apresentadas nas discuss&amp;otilde;es iniciais, bem como na fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica. A segunda parte comp&amp;otilde;e-se da fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica, que foi dividida em unidades e subunidades. E na terceira parte do projeto de pesquisa apresento o m&amp;eacute;todo, descreve os procedimentos que foram empregados no desenvolvimento do projeto. Na quarta parte, apresento a an&amp;aacute;lise e discuss&amp;otilde;es dos dados, que analisei a partir do referencial te&amp;oacute;rico que fundamentaram o projeto de pesquisa. Na quinta e &amp;uacute;ltima parte do meu trabalho de conclus&amp;atilde;o de curso, apresento as considera&amp;ccedil;&amp;otilde;es finais, assinalo as conclus&amp;otilde;es que pude fazer a partir do estudo realizado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.1. Tema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A perman&amp;ecirc;ncia do tratamento em sa&amp;uacute;de mental no hospital psiqui&amp;aacute;trico na l&amp;oacute;gica manicomial: relato de uma experi&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;1.2. Problem&amp;aacute;tica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O modelo de assist&amp;ecirc;ncia hospitalar psiqui&amp;aacute;trica desenvolvido na l&amp;oacute;gica manicomial para o tratamento de pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico tem sido questionado h&amp;aacute; bastante tempo, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; no Brasil, mas no mundo. Basaglia (1978) com a proposta de implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Lei 180 na It&amp;aacute;lia e a publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do seu livro: A institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o negada (1985); Michel Foucault com sua obra: A hist&amp;oacute;ria da loucura (1978); Erving Goffman com o seu livro: Manic&amp;ocirc;mios, pris&amp;otilde;es e conventos (1961), em que relata suas observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre a vida de pessoas que estiveram internadas em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, s&amp;atilde;o exemplos de relatos e cr&amp;iacute;ticas que na contemporaneidade, faz pensar sobre a institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o/desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sobre pessoas em sofrimento ps&amp;iacute;quico que viveram esse processo de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica na l&amp;oacute;gica manicomial e como estas enfrentaram essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;A desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o prop&amp;otilde;e uma mudan&amp;ccedil;a de paradigma na assist&amp;ecirc;ncia em sa&amp;uacute;de mental, tendo como a&amp;ccedil;&amp;atilde;o a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de servi&amp;ccedil;os substitutivos ao modelo hospitaloc&amp;ecirc;ntrico como: os Centros de Aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o Psicossocial (CAPS), as Resid&amp;ecirc;ncias Terap&amp;ecirc;uticas (SRTs), as emerg&amp;ecirc;ncias psiqui&amp;aacute;tricas, leitos em hospitais gerais, bem como a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de leis, portarias, programas do governo que regulamentem esses servi&amp;ccedil;os.&lt;br /&gt;Sobre a cr&amp;iacute;tica a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica desenvolvida na l&amp;oacute;gica manicomial, uma das pessoas mais conhecidas no Brasil na luta antimanicomial foi o paranaense Austreg&amp;eacute;silo Carrano, considerado um marco no movimento antimanicomial em nosso pa&amp;iacute;s. Em 2001, Carrano publicou o livro autobiogr&amp;aacute;fico: &amp;ldquo;Canto dos malditos&amp;rdquo;, onde relata a experi&amp;ecirc;ncia que teve nos hospitais psiqui&amp;aacute;tricos e denuncia o tratamento desumano realizado na l&amp;oacute;gica manicomial praticada nessas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. No seu livro, Carrano enfatiza principalmente, os tr&amp;ecirc;s anos e meio em que ficou internado em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos no estado do Paran&amp;aacute;, sendo submetido a 21 eletrochoques e a usar medicamentos com fortes efeitos colaterais, que, como Carrano citou, o deixaram em uma &amp;quot;pris&amp;atilde;o qu&amp;iacute;mica&amp;quot;, deixando-o revoltado por ter perdido anos de sua juventude (CARRANO, 2003).&lt;br /&gt;O livro de Carrano recebeu 43 pr&amp;ecirc;mios nacionais e oito internacionais, sendo censurado em 2001 e retirado de circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 2003, mas uma nova decis&amp;atilde;o da justi&amp;ccedil;a permitiu a sua reedi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 2005 (PRADO, 2008); foi a primeira vez que uma obra liter&amp;aacute;ria foi cassada desde a ditadura (CARRANO, 2003).&lt;br /&gt;Carrano Bueno morreu em 27 de maio de 2008, aos 51 anos de idade, em S&amp;atilde;o Paulo, por uma infec&amp;ccedil;&amp;atilde;o provocada por um c&amp;acirc;ncer no f&amp;iacute;gado (PRADO, 2008).&lt;br /&gt;O filme &amp;ldquo;Bicho de sete cabe&amp;ccedil;as&amp;rdquo; lan&amp;ccedil;ado em 2001 foi inspirado no livro de Carrano; retrata como funcionavam os hospitais psiqui&amp;aacute;tricos naquela d&amp;eacute;cada e o sofrimento de quem estivesse em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es com caracter&amp;iacute;sticas manicomiais (PRADO, 2008).&lt;br /&gt;A experi&amp;ecirc;ncia relatada por Carrano me fez refletir e questionar sobre os servi&amp;ccedil;os de assist&amp;ecirc;ncia em sa&amp;uacute;de mental no Brasil, pensar sobre o estigma que as pessoas em nossa sociedade t&amp;ecirc;m em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aqueles que est&amp;atilde;o em sofrimento ps&amp;iacute;quico ou simplesmente se comporta de modo contr&amp;aacute;rio ao comportamento tido como normal que &amp;eacute; estabelecido pela sociedade.&lt;br /&gt;Em entrevista concedida em 2003, a Rede de Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es para o Terceiro Setor (RITS), Carrano falou sobre as interna&amp;ccedil;&amp;otilde;es psiqui&amp;aacute;tricas que viveu:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No meu caso, foram tr&amp;ecirc;s anos e cinco meses de entra-e-sai em chiqueiros psiqui&amp;aacute;tricos. [...] N&amp;oacute;s, usu&amp;aacute;rios e n&amp;atilde;o-usu&amp;aacute;rios que fomos violentados dentro dessas casas de exterm&amp;iacute;nio, exigimos os mesmos direitos constitucionais que receberam os presos pol&amp;iacute;ticos na &amp;eacute;poca da ditadura militar. Foram indenizados, e muito bem. [...] Costumo citar o meu caso como exemplo de como esta experi&amp;ecirc;ncia como cobaia psiqui&amp;aacute;trica interferiu em minha vida.&lt;br /&gt;Minha forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o profissional foi anulada de forma est&amp;uacute;pida por um erro m&amp;eacute;dico-psiqui&amp;aacute;trico. Tr&amp;ecirc;s anos e meio de minha adolesc&amp;ecirc;ncia e de meu preparo profissional prejudicados. As seq&amp;uuml;elas f&amp;iacute;sicas e emocionais que abalam toda uma forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comportamento, temperamento e efeitos em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es tomadas. Os preconceitos sociais enfrentados dia a dia, quando tomam conhecimento de seu hist&amp;oacute;rico psiqui&amp;aacute;trico, o que muitas vezes gera medo nas pessoas. Tudo somado leva ao preconceito agressivo, tanto f&amp;iacute;sico como moral. Existem, assim, grandes chances de esses sobreviventes psiqui&amp;aacute;tricos serem levados ao isolamento social, ou seja, a uma destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o total do seu processo de reinser&amp;ccedil;&amp;atilde;o, caso n&amp;atilde;o tenha ajuda profissional como a que n&amp;oacute;s damos na Rede de Trabalhos Substitutivos aos Hospitais Psiqui&amp;aacute;tricos Brasileiros. [...] Isto &amp;eacute; fazer justi&amp;ccedil;a social, ao contr&amp;aacute;rio das esmolas sociais (CARRANO, 2003, s/p).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Consolidando a luta do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, com a bandeira levantada por Carrano contra o modelo de tratamento em sa&amp;uacute;de mental na l&amp;oacute;gica manicomial, considero que essa l&amp;oacute;gica de tratamento teve importante influ&amp;ecirc;ncia na cronifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sofrimento ps&amp;iacute;quico de pessoas; no Brasil, a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lei n&amp;ordm; 10.216, de 06 de abril de 2001, que disp&amp;otilde;e sobre a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o e os direitos da pessoa com transtorno mental e que redireciona o modelo assistencial em sa&amp;uacute;de mental em nosso pa&amp;iacute;s, representou um grande avan&amp;ccedil;o nas pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas de sa&amp;uacute;de mental no Brasil e, a partir desse dispositivo legal, confirmou-se a necessidade de que se haja a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pr&amp;aacute;ticas de modalidades de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que s&amp;atilde;o disponibilizadas as pessoas que est&amp;atilde;o passando por algum sofrimento ps&amp;iacute;quico.&lt;br /&gt;A partir da lei da reforma psiqui&amp;aacute;trica brasileira, na l&amp;oacute;gica da desospitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ocorreu a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de leitos em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos, em 2001 havia 52.962 leitos, no ano de 2009 esses leitos foram reduzidos para 35.426 (BRASIL, 2001). Apesar de ter havido uma redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o no n&amp;uacute;mero de interna&amp;ccedil;&amp;otilde;es psiqui&amp;aacute;tricas em nosso pa&amp;iacute;s, na maior parte dos estados, o principal recurso de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise a pessoas que est&amp;atilde;o em sofrimento ps&amp;iacute;quico ainda &amp;eacute; a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, que ocorre em hospitais especializados, como aponta a pesquisa de Brito (2004) realizada no Rio de Janeiro. Essa realidade tamb&amp;eacute;m ocorre no estado de Santa Catarina, neste estado h&amp;aacute; 738 leitos do Sistema &amp;Uacute;nico de Sa&amp;uacute;de (SUS) para interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, sendo a maioria desses leitos disponibilizados em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos especializados distribu&amp;iacute;dos em quatro estabelecimentos de sa&amp;uacute;de (BRASIL, 2009a). Tr&amp;ecirc;s desses hospitais psiqui&amp;aacute;tricos est&amp;atilde;o localizados na Regi&amp;atilde;o da Grande Florian&amp;oacute;polis e um destes na cidade de Crici&amp;uacute;ma (SANTA CATARINA, 2010).&lt;br /&gt;No contexto apresentado, questiono a exist&amp;ecirc;ncia do tratamento em sa&amp;uacute;de mental na l&amp;oacute;gica manicomial, defendo meios menos invasivos de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que n&amp;atilde;o seja a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos, que pelos dados apresentados acima e com base em outras pesquisas que ser&amp;atilde;o apresentadas no desenvolvimento do meu estudo, esses procedimentos garantidos pela Lei n&amp;atilde;o ocorrem em Santa Catarina (SC) e parece ser essa a realidade nos demais estados do Brasil.&lt;br /&gt;Corroboro com Delgado (1997 apud MACHADO; COLVERO, 2003, p. 676), quando afirmam que a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de unidades psiqui&amp;aacute;tricas em hospitais gerais &amp;quot;n&amp;atilde;o ser&amp;atilde;o a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o da reforma psiqui&amp;aacute;trica&amp;quot;, mas a inclus&amp;atilde;o dessas unidades em hospitais gerais podem contribuir para a dignidade &amp;agrave; aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o em pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico, podendo favorecer &amp;agrave; rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, solidariedade e compreens&amp;atilde;o que as demais pessoas da sociedade n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m para com a pessoa que est&amp;aacute; vivendo essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o; pois o ser humano s&amp;oacute; aprende a lidar com a diferen&amp;ccedil;a quando este convive com esta.&lt;br /&gt;Parafraseando Carrano:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;ldquo;N&amp;atilde;o sou contra a psiquiatria, a sa&amp;uacute;de mental&amp;rdquo;. Sou contra o modelo de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise a pessoas que estiveram ou est&amp;atilde;o em sofrimento ps&amp;iacute;quico, contra pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial na interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica em hospitais especializados, &amp;ldquo;que vem se aplicando no Brasil, que &amp;eacute; voc&amp;ecirc; confinar pessoas em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos&amp;rdquo; (CARRANO, 2003, s/p).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que questiono neste trabalho de conclus&amp;atilde;o de curso como pesquisador em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica s&amp;atilde;o as pr&amp;aacute;ticas de tratamento por quais as pessoas que viveram ou est&amp;atilde;o vivendo essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o foram submetidas; ao ambiente onde estas pr&amp;aacute;ticas s&amp;atilde;o desenvolvidas, sendo este ambiente um hospital psiqui&amp;aacute;trico especializado. Na minha pesquisa esse tipo de aparato &amp;agrave; assist&amp;ecirc;ncia de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise a pessoas em sofrimento ps&amp;iacute;quico caracterizado nessa perspectiva n&amp;atilde;o &amp;eacute; compreendida como sendo modelo de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que respeite os direitos dos usu&amp;aacute;rios.&lt;br /&gt;Concordo com a cr&amp;iacute;tica de Oliveira et al. (2009), de que &amp;eacute; historicamente o manic&amp;ocirc;mio o local de escolha para tratar pessoas que estejam vivendo algum sofrimento ps&amp;iacute;quico; as atitudes estigmatizantes das pessoas em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a pessoa que &amp;eacute; vista nesta situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m constituem essa l&amp;oacute;gica de tratamento.&lt;br /&gt;Laube e Pinto (2008) confirmam a minha posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que o tratamento realizado no servi&amp;ccedil;o substitutivo &amp;eacute; eficaz, estas autoras analisaram prontu&amp;aacute;rios de 42 usu&amp;aacute;rios do CAPS III em Cascavel Paran&amp;aacute;, no &amp;uacute;ltimo ano apenas 4 destes tiveram de ser submetidos a novas interna&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Esses dados indicam que Acompanhamento, tratamento e a interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o psicossocial s&amp;atilde;o eficientes no seu contexto e mostram a inefic&amp;aacute;cia do tratamento no manic&amp;ocirc;mio.&lt;br /&gt;Ser&amp;aacute; se o servi&amp;ccedil;o de sa&amp;uacute;de mental na modalidade interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, realizada num hospital especializado, o per&amp;iacute;odo que a pessoa viveu nesta interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o, teve como proposta e pr&amp;aacute;tica contribuir &amp;agrave; preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dignidade, a reintegra&amp;ccedil;&amp;atilde;o psicossocial de sua subjetividade e de seus direitos? Ser&amp;aacute; que a interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o terap&amp;ecirc;utica realizada na interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, da qual a pessoa esteve sob aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o abordaram o objeto: a &amp;ldquo;exist&amp;ecirc;ncia &amp;ndash; sofrimento&amp;rdquo; (ROTELLI, 1990, p. 89) dessa pessoa e a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o destas com o seu corpo?&lt;br /&gt;Embora com avan&amp;ccedil;os conquistados, principalmente em 2001, a partir da san&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Lei 10.216, a sa&amp;uacute;de mental brasileira ainda continua carente de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Diante desse contexto, realizei a seguinte pergunta de pesquisa:&lt;br /&gt;Que pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise podem ter sido desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial em hospital psiqui&amp;aacute;trico a partir do relato de uma pessoa que tenha vivido a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.3. Justificativa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De acordo com dados da Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mundial da Sa&amp;uacute;de 2001 (ONU), 450 milh&amp;otilde;es de pessoas com transtorno mental ainda est&amp;atilde;o sem acesso aos servi&amp;ccedil;os especializados, principalmente, nos pa&amp;iacute;ses em desenvolvimento. As verbas or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rias para a sa&amp;uacute;de mental, na maioria dos pa&amp;iacute;ses, representam menos de 1% dos gastos totais em sa&amp;uacute;de; 40% dos pa&amp;iacute;ses n&amp;atilde;o investem em pol&amp;iacute;ticas de sa&amp;uacute;de mental (BRASIL, 2002d).&lt;br /&gt;A sa&amp;uacute;de mental possui dimens&amp;atilde;o ampla, que se constitui por diversos fen&amp;ocirc;menos complexos que est&amp;atilde;o em constantes transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Cada vez mais, os fen&amp;ocirc;menos relacionados a sa&amp;uacute;de mental variam gerando novas discuss&amp;otilde;es, novos conceitos ou desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conceitos, tornando-se um campo f&amp;eacute;rtil e necess&amp;aacute;rio &amp;agrave; realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas pesquisas. Sa&amp;uacute;de mental &amp;eacute; um tema que envolve v&amp;aacute;rios fatores, tais como sociais, financeiros, pol&amp;iacute;ticos, conceituais que interferem diretamente neste processo, estando e sendo influenciado sob esses fatores o sofrimento ps&amp;iacute;quico que acomete as pessoas. As discuss&amp;otilde;es que giram em torno da loucura; da pessoa em sofrimento ps&amp;iacute;quico, das pr&amp;aacute;ticas de tratamento disponibilizadas a essas pessoas; das pol&amp;iacute;ticas de sa&amp;uacute;de p&amp;uacute;blica, que devem ser planejadas para inserir-se neste contexto indicam a relev&amp;acirc;ncia de pesquisas nesse campo.&lt;br /&gt;H&amp;aacute; na literatura diversos trabalhos que foram realizados em hospitais psiqui&amp;aacute;tricos ou relacionados a estas, s&amp;atilde;o pesquisas realizadas com pessoas moradoras dessas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou com profissionais que trabalham nas mesmas. Trabalhos como de Barreto, B&amp;uuml;chele e Coelho (2008); Andrade e Lavrador (2007); Brito (2004); Pacheco et al (2003); Costa (2002); Spricigo (2001); Reverbel (1996); Rotelli et al. (1990); Basaglia (1985); Goffman (1961). Os trabalhos realizados apresentam cr&amp;iacute;ticas &amp;agrave;s pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial e est&amp;atilde;o constituindo a fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica do meu trabalho.&lt;br /&gt;A principal relev&amp;acirc;ncia social do estudo &amp;eacute; contribuir para a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dignidade e do exerc&amp;iacute;cio de cidadania das pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico, para que de fato aconte&amp;ccedil;a a desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pois defendo a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o que s&amp;atilde;o desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial que est&amp;atilde;o enraizadas nos servi&amp;ccedil;os de sa&amp;uacute;de, nas atitudes dos profissionais que atuam na sa&amp;uacute;de mental e &amp;aacute;reas afins. Tamb&amp;eacute;m essa l&amp;oacute;gica manicomial est&amp;aacute; presente no modo de elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas em sa&amp;uacute;de mental que s&amp;atilde;o desenvolvidas em nosso pa&amp;iacute;s.&lt;br /&gt;No &amp;acirc;mbito da sa&amp;uacute;de mental, no estudo pretendi contribuir para a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento cient&amp;iacute;fico em psicologia, para que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de verdades acerca do sofrimento ps&amp;iacute;quico de pessoas seja referenciada a partir da compreens&amp;atilde;o das mesmas.&lt;br /&gt;No meu trabalho, busquei contribuir principalmente &amp;agrave;s pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise, para que quando pessoas optarem ou necessitar de uma interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica, que esta n&amp;atilde;o ocorra em institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es onde prevale&amp;ccedil;a pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o na l&amp;oacute;gica manicomial, pois pela bibliografia presente no meu trabalho e pelo estudo que realizei, essas pr&amp;aacute;ticas podem possibilitar de modo significativo a cristaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sofrimento ps&amp;iacute;quico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.4. Objetivos&lt;br /&gt;1.4.1. Objetivo geral&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Compreender pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise que podem ter sido desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial, na modalidade de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1.4.2. Objetivos espec&amp;iacute;ficos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;a) Caracterizar pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise que podem ter sido desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial em hospital psiqui&amp;aacute;trico, a partir do relato de uma pessoa que tenha vivido essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;b) Descrever a partir do relato do entrevistado como ocorreu sua interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica;&lt;br /&gt;c) Descrever a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pessoa sobre sua vida antes e depois dela ter vivido a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica;&lt;br /&gt;d) Verificar se a pessoa que viveu a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica teve esclarecimento sobre os seus direitos enquanto usu&amp;aacute;ria do servi&amp;ccedil;o de sa&amp;uacute;de mental.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o Te&amp;oacute;rica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Foi numa &amp;eacute;poca relativamente recente que o Ocidente concedeu &amp;agrave; loucura um status de doen&amp;ccedil;a mental&lt;/em&gt;.&amp;rdquo; (FOUCAULT, 1975, p. 74).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.1. A constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica da doen&amp;ccedil;a mental e o surgimento da Psiquiatria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Diversos autores escreveram ou realizaram pesquisas sobre a institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas em sofrimento ps&amp;iacute;quico, os denominados loucos; um dos principais autores que se tornou refer&amp;ecirc;ncia para essa reflex&amp;atilde;o &amp;eacute; Michel Foucault. Foucault escreveu obras e textos sobre ou relacionadas ao assunto como: a hist&amp;oacute;ria da loucura (1978); a constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica da doen&amp;ccedil;a mental, conxtido no livro: doen&amp;ccedil;a mental e psicologia (1975); o Nascimento da Cl&amp;iacute;nica (2001); O poder psiqui&amp;aacute;trico (1997). No primeiro cap&amp;iacute;tulo da fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica utilizei como texto base o texto de Foucault: &amp;ldquo;a constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica da doen&amp;ccedil;a mental&amp;rdquo;, nesse texto Foucault atribui &amp;agrave; loucura como fundadora da psicologia. Como complemento a este cap&amp;iacute;tulo, utilizei escritos de Lancetti e Paulo Amarante e Rui Carlos Stockinger, ao escreverem sobre a hist&amp;oacute;ria da loucura ou da compreens&amp;atilde;o sobre o louco estes autores fundamentam suas reflex&amp;otilde;es nos trabalhos desenvolvidos por Foucault.&lt;br /&gt;Para o entendimento do leitor e contextualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mesmo sobre a problem&amp;aacute;tica que apresento neste trabalho, senti ser necess&amp;aacute;rio para entender a dimens&amp;atilde;o da institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o/desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o escrever sobre os movimentos sociais que reivindicaram a reforma psiqui&amp;aacute;trica; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos servi&amp;ccedil;os substitutivos e para que se entenda o tratamento na l&amp;oacute;gica manicomial ainda praticada com as pessoas em sofrimento ps&amp;iacute;quico pelos recursos humanos dos servi&amp;ccedil;os de sa&amp;uacute;de, entendi ser necess&amp;aacute;rio que o leitor tenha o conhecimento acerca da constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o hist&amp;oacute;rica da doen&amp;ccedil;a mental, articulada com a hist&amp;oacute;ria do surgimento da psiquiatria.&lt;br /&gt;Utilizo o termo &amp;ldquo;l&amp;oacute;gica manicomial&amp;rdquo; no trabalho a partir da compreens&amp;atilde;o de Oliveira et al. (2009, p. 34), de que &amp;eacute; &amp;ldquo;o manic&amp;ocirc;mio, historicamente, o local de escolha para o tratamento psiqui&amp;aacute;trico e por ali ter se desenvolvido a pr&amp;aacute;tica cl&amp;iacute;nica que fundamenta o conhecimento psiqui&amp;aacute;trico sobre a doen&amp;ccedil;a mental&amp;rdquo;. Neste contexto, a pessoa em sofrimento ps&amp;iacute;quico &amp;eacute; exclu&amp;iacute;da e vista como objeto (OLIVEIRA, 2009).&lt;br /&gt;Al&amp;eacute;m da l&amp;oacute;gica manicomial estar relacionada ao confinamento de pessoas em manic&amp;ocirc;mios, as atitudes estigmatizantes de profissionais e das pessoas da comunidade se relacionar com o usu&amp;aacute;rio dos servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos e privados de sa&amp;uacute;de mental, tamb&amp;eacute;m estabelecem elementos institucionais e subjetivos que constituem a perspectiva do modelo do tratamento no manic&amp;ocirc;mio (OLIVEIRA et al., 2009).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com Stockinger (2007), a loucura na Gr&amp;eacute;cia Antiga era considerada uma manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o divina, a pessoa em sofrimento ps&amp;iacute;quico era entendida pela sua excentricidade supersticiosa, ela era considerada dotada de determinada sabedoria prof&amp;eacute;tica e transformadora. Neste per&amp;iacute;odo n&amp;atilde;o havia ainda a segrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o do louco. O m&amp;eacute;todo de tratamento empregado a essas pessoas era pelo sono e incuba&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos templos esculapianos, imaginava-se que quando elas sonhavam com o deus dos mortais (Escul&amp;aacute;pio), da sa&amp;uacute;de e da medicina e com outros deuses, os sintomas que elas apresentavam poderiam desaparecer.&lt;br /&gt;Na idade m&amp;eacute;dia a pessoa que estivesse em sofrimento ps&amp;iacute;quico, &amp;ldquo;o louco&amp;rdquo;, era considerado um &amp;ldquo;possu&amp;iacute;do&amp;rdquo;, eram ignorados e aprisionados pelos significados atribu&amp;iacute;dos pela religi&amp;atilde;o, como m&amp;aacute;gicos, pervers&amp;otilde;es sobrenaturais. Essas pessoas definidas como possu&amp;iacute;das eram &amp;ldquo;doentes mentais&amp;rdquo;; mas como disse Foucault (1975, p. 74), isso foi um erro de racioc&amp;iacute;nio: &amp;ldquo;deduz-se que se os possu&amp;iacute;dos eram na verdade loucos, os loucos eram tratados realmente como possu&amp;iacute;dos. De fato, o complexo problema da possess&amp;atilde;o n&amp;atilde;o revela diretamente de uma hist&amp;oacute;ria da loucura, mas de uma hist&amp;oacute;ria das id&amp;eacute;ias religiosas&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;No s&amp;eacute;culo XV, o manual: Martelo das feiticeiras (aprovado pela Universidade de Col&amp;ocirc;nia) descrevia que os loucos, al&amp;eacute;m daquelas pessoas exclu&amp;iacute;das da sociedade, que n&amp;atilde;o houvesse encontrado raz&amp;atilde;o observ&amp;aacute;vel org&amp;acirc;nica para seus sintomas, eram considerados tomados por feiti&amp;ccedil;os e dem&amp;ocirc;nios. Eles eram julgados por ambi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, lux&amp;uacute;ria, infidelidade e por suas tend&amp;ecirc;ncias sensuais (STOCKINGER, 2007).&lt;br /&gt;No s&amp;eacute;culo XVI ao XVII, a medicina interferiu por duas vezes no problema da possess&amp;atilde;o, a primeira vez atrav&amp;eacute;s de J. Weyer a Duncan (de 1560-1640), a pedido dos Parlamentos, dos governos, da igreja cat&amp;oacute;lica, contra certas ordens mon&amp;aacute;sticas de pr&amp;aacute;ticas da Inquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Os m&amp;eacute;dicos tiveram de mostrar que todos os pactos e ritos diab&amp;oacute;licos podiam ser explicados pelos poderes de uma imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o desregrada (FOUCAULT, 1975).&lt;br /&gt;De 1680 a 1740, ocorre a explos&amp;atilde;o de misticismo protestante e jansenista, desencadeada pelas persegui&amp;ccedil;&amp;otilde;es do final do reinado de Luis XIV, a medicina &amp;eacute; solicitada a interferir pela segunda vez no problema da possess&amp;atilde;o a pedido da Igreja cat&amp;oacute;lica e do governo. Os m&amp;eacute;dicos tiveram de mostrar que todos os fen&amp;ocirc;menos do &amp;ldquo;&amp;ecirc;xtase, da inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o, do profetismo, da possess&amp;atilde;o pelo Esp&amp;iacute;rito-Santo&amp;rdquo; eram causados pelos her&amp;eacute;ticos, tidos como demonizados ou feiticeiros (FOUCAULT, 1975, p. 75).&lt;br /&gt;Os loucos eram exorcizados em rituais demon&amp;iacute;acos, na Santa Inquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Igreja Cat&amp;oacute;lica, v&amp;aacute;rias dessas pessoas, al&amp;eacute;m dos judeus ou quaisquer outras pessoas consideradas como amea&amp;ccedil;a a institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o cat&amp;oacute;lica, eram martirizadas em tribunais religiosos, quase sempre queimadas nas fogueiras (STOCKINGER, 2007).&lt;br /&gt;A doen&amp;ccedil;a mental &amp;ldquo;n&amp;atilde;o &amp;eacute; resultante de um esfor&amp;ccedil;o essencial para o desenvolvimento da medicina; &amp;eacute; a pr&amp;oacute;pria experi&amp;ecirc;ncia religiosa que, para se apoiar, apelou, e de modo secund&amp;aacute;rio, para a confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a cr&amp;iacute;tica m&amp;eacute;dicas.&amp;rdquo; (FOUCAULT, 1975, p. 75).&lt;br /&gt;Mais tarde, a contraposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da medicina aos fen&amp;ocirc;menos considerados pela religi&amp;atilde;o, a cr&amp;iacute;tica foi feita a Igreja Cat&amp;oacute;lica &amp;ldquo;para mostrar ao mesmo tempo, e de modo paradoxal, que a religi&amp;atilde;o depende dos poderes fant&amp;aacute;sticos da neurose, e que aqueles que a religi&amp;atilde;o condenou eram v&amp;iacute;timas&amp;rdquo;, ao mesmo tempo de sua &amp;ldquo;religi&amp;atilde;o e de sua neurose&amp;rdquo; (FOUCAULT, 1975, p. 75). Neste per&amp;iacute;odo a defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o da doen&amp;ccedil;a mental no modelo positivista j&amp;aacute; tinha sido alcan&amp;ccedil;ada (FOUCAULT, 1975, p. 75).&lt;br /&gt;Desde a medicina grega, uma parte da loucura j&amp;aacute; era dominada pelas no&amp;ccedil;&amp;otilde;es de patologia e as pr&amp;aacute;ticas que a ela se relacionavam. Na idade m&amp;eacute;dia, os hospitais alojavam, na sua maior parte, como o H&amp;ocirc;tel-Dieu de Paris, leitos fechados reservados para os loucos (FOUCAULT, 1975).&lt;br /&gt;Durante o Renascimento (s&amp;eacute;culo XV) na Europa (Espanha e depois na It&amp;aacute;lia) surgem as primeiras institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es destinadas aos loucos, estes s&amp;atilde;o submetidos a tratamentos inspirados na medicina &amp;aacute;rabe. Neste per&amp;iacute;odo de acordo com Foucault (1975, p. 77), at&amp;eacute; o ano de 1650, a cultura ocidental n&amp;atilde;o repugnou esses tipos de manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o: a &amp;ldquo;loucura &amp;eacute; no essencial experimentada em estado livre, ou seja, ela circula, faz, parte do cen&amp;aacute;rio e da linguagem comuns, &amp;eacute; para cada um uma experi&amp;ecirc;ncia cotidiana que se procura mais exaltar do que dominar&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;Em meados do s&amp;eacute;culo XVII, o mundo da loucura torna-se o mundo da exclus&amp;atilde;o, cria-se em toda a Europa institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es para interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o s&amp;oacute; dos loucos, mas toda uma variedade de pessoas como: os inv&amp;aacute;lidos pobres, as pessoas idosas que estavam na mis&amp;eacute;ria, os mendigos, os desempregados opini&amp;aacute;ticos, pessoas com doen&amp;ccedil;as ven&amp;eacute;reas, libertinos de toda esp&amp;eacute;cie; enfim, seriam internadas todas as pessoas que em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; &amp;ldquo;ordem da raz&amp;atilde;o, da moral e da sociedade, d&amp;atilde;o mostras de &amp;ldquo;altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; (FOUCAULT, 1975, p. 78).&lt;br /&gt;As primeiras casas de internamento surgem na Inglaterra nas regi&amp;otilde;es de: Worcester, Norwich, Bristol, eram as regi&amp;otilde;es mais industrializadas deste pa&amp;iacute;s. Em 1656 foi fundado em Paris o Hospital Geral, a partir desta data, essas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es foram destinadas aos pobres de Paris, de todos os sexos, lugares e idades, inv&amp;aacute;lidos, doentes ou convalescentes; pessoas que se apresentavam voluntariamente ou eram encaminhadas pela autoridade real ou judici&amp;aacute;ria foram recolhidas. Foucault (1997) denominou essas macroinstititui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de: &amp;ldquo;A Grande Interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; quando se refere a essas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es asilares. Era preciso cuidar da subsist&amp;ecirc;ncia dessas pessoas, pela boa conduta e pela ordem geral.&lt;br /&gt;O objetivo da exist&amp;ecirc;ncia desses hospitais n&amp;atilde;o eram cuidar dos loucos e das demais pessoas que foram alojadas nessas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, a assist&amp;ecirc;ncia era para que essas pessoas n&amp;atilde;o fizessem mais parte da sociedade. Nesses hospitais as pessoas foram for&amp;ccedil;adas a trabalhar, fabricam-se objetos diversos que s&amp;atilde;o lan&amp;ccedil;ados a pre&amp;ccedil;o baixo no mercado para que o lucro permita ao hospital funcionar; al&amp;eacute;m disso, a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho for&amp;ccedil;ado tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; relacionada a san&amp;ccedil;&amp;otilde;es e de controle moral.&lt;br /&gt;Compreendo a partir de Foucault (1997) que neste per&amp;iacute;odo as pessoas incapazes de produzir por qualquer motivo, eram confinadas nestas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es por n&amp;atilde;o poderem acompanhar o mundo moderno, por n&amp;atilde;o poderem participar de modo ativo na reestrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da economia.&lt;br /&gt;Para Stockinger (2007), no per&amp;iacute;odo do Iluminismo, com a &amp;ecirc;nfase no racionalismo e a predomin&amp;acirc;ncia do modelo mercantilista, a exclus&amp;atilde;o por parte da religi&amp;atilde;o aos loucos e demais pessoas refere-se principalmente a fatores econ&amp;ocirc;micos, ocorre &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de abrigos para essas pessoas que n&amp;atilde;o conseguiam ter um aproveitamento produtivo para movimentar o mercado. A loucura passou a ser entendida como desraz&amp;atilde;o, desqualificantes morais eram atribu&amp;iacute;dos a loucura.&lt;br /&gt;Nas palavras de Foucault que apresento na cita&amp;ccedil;&amp;atilde;o a seguir, ele fez uma avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de atribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es que s&amp;atilde;o dadas &amp;agrave; loucura, como a descoberta a respeito da mesma que ocorriam de forma progressiva, atribuindo-lhe culpa pelo que seja errado, pelo que seja imoral, pela desraz&amp;atilde;o; esses atributos que cristalizaram na loucura n&amp;atilde;o fazem parte dela em si, mas &amp;eacute; sim o ac&amp;uacute;mulo hist&amp;oacute;rico, que foi sobrepondo ao longo de sua constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;N&amp;atilde;o nos espantemos que se tenha desde o s&amp;eacute;culo XVIII descoberto uma esp&amp;eacute;cie de filia&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre a loucura e todos os &amp;ldquo;crimes do amor&amp;rdquo;, que a loucura tenha-se tornado, a partir do s&amp;eacute;culo XIX, a herdeira dos crimes que encontram, nela, ao mesmo tempo sua raz&amp;atilde;o de serem, e de n&amp;atilde;o serem crimes; que a loucura tenha descoberto no s&amp;eacute;culo XX, em seu pr&amp;oacute;prio centro, um n&amp;uacute;cleo primitivo de culpa e de agress&amp;atilde;o. Tudo isto n&amp;atilde;o &amp;eacute; a descoberta progressiva daquilo que &amp;eacute; a loucura na sua verdade de natureza; mas somente a sedimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que a hist&amp;oacute;ria do Ocidente fez dela em 300 anos. A loucura &amp;eacute; muito hist&amp;oacute;rica do que se acredita geralmente, mas muito mais jovem tamb&amp;eacute;m (FOUCAULT, 1975, p. 79).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em meados do s&amp;eacute;culo XVIII, o louco faz sua reapari&amp;ccedil;&amp;atilde;o na vida cotidiana da sociedade. Surgem den&amp;uacute;ncias ao tratamento utilizado nas casas de recolhimentos, repugna&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular a essas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e &amp;ldquo;cr&amp;iacute;tica econ&amp;ocirc;mica das funda&amp;ccedil;&amp;otilde;es e da forma tradicional da assist&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo;. O internamento dos loucos torna-se medida de car&amp;aacute;ter m&amp;eacute;dico, Pinel na Fran&amp;ccedil;a, Tuke na Inglaterra e na Alemanha, Wagnitz e Riel ligaram seus nomes a esta reforma (FOUCAULT, 1975).&lt;br /&gt;Para Foucault (1975, p. 80): &amp;ldquo;Pinel, Tuke, seus contempor&amp;acirc;neos e sucessores n&amp;atilde;o romperam com as antigas pr&amp;aacute;ticas do internamento; pelo contr&amp;aacute;rio, eles as estreitaram em torno do louco&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;Pinel, considerado o pai da psiquiatria, em Bic&amp;ecirc;tre, &amp;ldquo;libertou os acorrentados&amp;rdquo;, ele rompeu com essas liga&amp;ccedil;&amp;otilde;es materiais que reprimiam fisicamente aos loucos. Mas reconstituiu em torno deles um tratamento moral, transformando o manic&amp;ocirc;mio num tribunal assistido por todo o tempo. O louco tinha que ser vigiado nos seus gestos, ridicularizado nos seus erros; o m&amp;eacute;dico exercia um controle &amp;eacute;tico sobre o louco inv&amp;eacute;s de realizar uma interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o terap&amp;ecirc;utica (FOUCAULT, 1975, p. 81).&lt;br /&gt;Foucault (1975) em sua obra, descreve as pr&amp;aacute;ticas de tratamento dado ao louco, a pessoa em sofrimento ps&amp;iacute;quico era submetida &amp;agrave; ducha ou ao banho para refrescar seus esp&amp;iacute;ritos ou suas fibras; era injetado sangue fresco para renovar sua circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o perturbada; tentava-se provar nela impress&amp;otilde;es vivas para modificar o curso da sua imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;Leuret submeteu seus &amp;ldquo;doentes&amp;rdquo; a uma ducha gelada na cabe&amp;ccedil;a, realizando um di&amp;aacute;logo durante o qual os for&amp;ccedil;avam confessar que suas cren&amp;ccedil;as s&amp;atilde;o apenas del&amp;iacute;rio. Tamb&amp;eacute;m neste per&amp;iacute;odo foi inventada uma m&amp;aacute;quina rotat&amp;oacute;ria onde se colocava o &amp;ldquo;doente&amp;rdquo; a fim de que o curso de seus esp&amp;iacute;ritos demasiado fixo numa id&amp;eacute;ia delirante fosse recolocado em movimento e reencontrasse seus circuitos naturais. No s&amp;eacute;culo XIX essa inven&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; aperfei&amp;ccedil;oada para um car&amp;aacute;ter estritamente punitivo, a cada manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o delirante do doente fazia-se gir&amp;aacute;-lo at&amp;eacute; desmaiar; se este n&amp;atilde;o havia se arrependido, era empregado uma gaiola m&amp;oacute;vel que gira sobre si mesma segundo um eixo horizontal e cujo movimento &amp;eacute; tanto mais vivo quanto esteja mais agitado ao louco que estava preso (FOUCAULT, 1975).&lt;br /&gt;Pinel e seus sucessores entenderam esses m&amp;eacute;todos n&amp;atilde;o mais como terapia fisiol&amp;oacute;gica, mais sim com um car&amp;aacute;ter puramente repressivo e moral, passaram a aplicar esse recurso quando o louco cometia o que eles elegiam como sendo um erro (FOUCAULT, 1975).&lt;br /&gt;Ora, &amp;eacute; a partir deste momento que a loucura deixou de ser considerada um fen&amp;ocirc;meno global relativo, ao mesmo tempo, por interm&amp;eacute;dio da imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o e do del&amp;iacute;rio, ao corpo e &amp;agrave; alma. [...]. N&amp;atilde;o nos surpreendamos, conseq&amp;uuml;entemente, se toda a psicopatologia &amp;mdash; a que come&amp;ccedil;a com Esquirol, mas a nossa tamb&amp;eacute;m, for comandada por estes tr&amp;ecirc;s temas que definem sua problem&amp;aacute;tica: rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es da liberdade com o automatismo; fen&amp;ocirc;menos de regress&amp;atilde;o e estrutura infantil das condutas; agress&amp;atilde;o e culpa. O que se descobre na qualidade de &amp;ldquo;psicologia&amp;rdquo; da loucura &amp;eacute; apenas o resultado das opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es com as quais se a investiu. Toda esta psicologia n&amp;atilde;o existiria sem o sadismo moralizador no qual a &amp;ldquo;filantropia&amp;rdquo; do s&amp;eacute;culo XIX enclausurou-a, sob os modos hip&amp;oacute;critas de uma &amp;ldquo;libera&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo; (FOUCAULT, 1975, p. 82-83).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A loucura para Foucault (1975, p. 83) foi fundadora da psicologia e de toda a sua possibilidade de trabalho: a origem hist&amp;oacute;rica da psicologia &amp;ldquo;objetiva&amp;rdquo;, &amp;ldquo;positiva&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;cient&amp;iacute;fica&amp;rdquo; fundamenta-se numa experi&amp;ecirc;ncia patol&amp;oacute;gica.&lt;br /&gt;Foucault (1975, p. 84) complementa dizendo que: &amp;ldquo;Nunca a psicologia poder&amp;aacute; dizer a verdade sobre a loucura, j&amp;aacute; que &amp;eacute; esta que det&amp;eacute;m a verdade da psicologia&amp;rdquo;. Nesta cita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, entendo que Foucault quer dizer que, n&amp;atilde;o foi a psicologia que produziu a verdade sobre a loucura, a psicologia s&amp;oacute; se apropriou dessa verdade j&amp;aacute; produzida sobre a loucura para se constituir como ci&amp;ecirc;ncia.&lt;br /&gt;Para Stockinger (2007) Foi a partir de Philippe Pinel que a loucura passou a ter o status m&amp;eacute;dico de doen&amp;ccedil;a, surgindo a psiquiatria. A partir do m&amp;eacute;todo de Pinel de identificar as patologias, observ&amp;aacute;-las, descrev&amp;ecirc;-las minuciosamente, classific&amp;aacute;-las e separ&amp;aacute;-las, surge a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o do saber e da pr&amp;aacute;tica cl&amp;iacute;nica (LANCETTI; AMARANTE, 2006).&lt;br /&gt;A psiquiatria nasce como produto das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es hospitalares e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio. Surge como uma especialidade para tratar dos asilados, os miser&amp;aacute;veis, pessoas tidas como libertinas, hereges, b&amp;ecirc;bados e sifil&amp;iacute;ticos confinados nos hospitais europeus daquela &amp;eacute;poca (STOCKINGER, 2007).&lt;br /&gt;Pinel criou a primeira modalidade de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da psiquiatria: o alienismo ou aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o mental, ele come&amp;ccedil;ou a retirar do hospital todos os que n&amp;atilde;o eram considerados enfermos e a dar-lhes outros destinos; para ele somente as pessoas doentes deveriam ficar no hospital, passando a separar as pessoas de acordo com os tipos de enfermidade (LANCETTI; AMARANTE, 2006).&lt;br /&gt;A &amp;ldquo;aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o mental&amp;rdquo; foi o primeiro conceito utilizado na medicina para nomear o que ent&amp;atilde;o era denominado de loucura. O livro: Tratado M&amp;eacute;dico-Filos&amp;oacute;fico da Aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mental ou Mania, escrito por Pinel, &amp;eacute; um marco na funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do saber psiqui&amp;aacute;trico, esse tratado se tornou fonte obrigat&amp;oacute;ria de consultas e estudos dos psiquiatras por um longo per&amp;iacute;odo de tempo. O termo aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o provem do latim alienatio, que significa: separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ruptura, del&amp;iacute;rio, estar fora de si, fora da realidade; alien&amp;iacute;gena, (estrangeiros, que pode remeter a id&amp;eacute;ia de algu&amp;eacute;m que vem de fora, de outro mundo, de outra natureza) (LANCETTI; AMARANTE, 2006, p. 617).&lt;br /&gt;Nomear algu&amp;eacute;m de alienado nessa &amp;eacute;poca, conforme os autores acima significaria que esta pessoa estava incapaz de participar da sociedade. Na Idade da Raz&amp;atilde;o, as pessoas que eram identificadas como alienadas eram exclu&amp;iacute;das do conv&amp;iacute;vio com a comunidade. Para Pinel, &amp;ldquo;a aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o mental seria fruto, n&amp;atilde;o de uma perda total da Raz&amp;atilde;o, mas de um dist&amp;uacute;rbio na Raz&amp;atilde;o, O que &amp;eacute; paradoxal, pois a Raz&amp;atilde;o &amp;eacute; um conceito absoluto. Uma pequena altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Raz&amp;atilde;o implica que n&amp;atilde;o existe Raz&amp;atilde;o verdadeira&amp;rdquo; (LANCETTI; AMARANTE, 2006, p. 618).&lt;br /&gt;Uma das necessidades de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas que estivessem em sofrimento ps&amp;iacute;quico decorre da probabilidade de que o louco seja perigoso, representando risco para si pr&amp;oacute;prio e para a sociedade. Pinel aconselhava que todos os alienados fossem isolados de suas fam&amp;iacute;lias e de todo o conv&amp;iacute;vio social, estes deveriam estar confinados em uma institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o onde n&amp;atilde;o existissem interfer&amp;ecirc;ncias indesej&amp;aacute;veis a observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ao conhecimento cient&amp;iacute;fico.&lt;br /&gt;Compreendo que Pinel acreditava que a subjetividade humana poderia ser observada de maneira neutra como se observa um objeto ou animal em laborat&amp;oacute;rio, para ele a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pessoa em uma institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o bem-estruturada poderia contribuir para a reorganiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da pr&amp;oacute;pria pessoa, a pr&amp;oacute;pria institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o por si mesma tornar-se-ia a esta pessoa uma esp&amp;eacute;cie de tratamento vigiado e punitivo. Pinel com seu tratamento moral, que consistia em regras, princ&amp;iacute;pios rotinas, etc. - tinha como &amp;ldquo;objetivo reorganizar o mundo interno dos sujeitos institucionalizados&amp;rdquo; (LANCETTI; AMARANTE, 2006, p. 619).&lt;br /&gt;O sucessor de Pinel, o alienista Jean Etienne Esquirol (1772-1840), contribuiu para a perman&amp;ecirc;ncia da pr&amp;aacute;tica pineliana, prevalecendo em seu pensamento a cren&amp;ccedil;a de que o tratamento aos alienados deveria ter como local exclusivo o manic&amp;ocirc;mio.&amp;nbsp; O isolamento de pessoas em manic&amp;ocirc;mios se consolida n&amp;atilde;o s&amp;oacute; com o objetivo de experimentar um modelo de tratamento, mas o isolamento dos alienados surge como condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o m&amp;eacute;dica necess&amp;aacute;ria (STOCKINGER, 2007).&lt;br /&gt;Jean Antenon, pesquisador das doen&amp;ccedil;as infecto-contagiosas, refor&amp;ccedil;ou essa pr&amp;aacute;tica de tratamento que era realizada as pessoas em sofrimento ps&amp;iacute;quico, dizendo que: &amp;ldquo;era necess&amp;aacute;rio isolar para melhor tratar&amp;rdquo; (STOCKINGER, 2007, p. 25).&lt;br /&gt;As institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es na perspectiva de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o na l&amp;oacute;gica manicomial tratam a pessoa em sofrimento ps&amp;iacute;quico, desvinculando-a de todo o seu contexto social, o objetivo destas no tempo de Pinel era apreender de forma &amp;ldquo;pura&amp;rdquo;, &amp;ldquo;a doen&amp;ccedil;a e suas implica&amp;ccedil;&amp;otilde;es e n&amp;atilde;o o doente o objeto a ser classificado&amp;rdquo; (STOCKINGER, 2007, p. 25).&lt;br /&gt;Sobre o funcionamento dos hospitais psiqui&amp;aacute;tricos, Lancetti e Amarante (2006, p. 219), afirmam que estes &amp;ldquo;s&amp;atilde;o calcados em pr&amp;aacute;ticas de tutela, disciplina, vigil&amp;acirc;ncia e controle&amp;rdquo;. Ainda hoje se pode observar e tem not&amp;iacute;cias desse tipo de tratamento sendo aplicado em diversos hospitais psiqui&amp;aacute;tricos do Brasil e do mundo.&lt;br /&gt;Os hospitais n&amp;atilde;o nasceram como institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; pr&amp;aacute;tica de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da medicina, estes eram institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de hospedagem para alojar pessoas. Surgiram como institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es religiosas, filantr&amp;oacute;picas, para cuidar dos necessitados, dos mendigos, dos miser&amp;aacute;veis. As pessoas que eram alojadas nos hospitais eram pessoas paup&amp;eacute;rrimas com poucas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;mico-sociais com variados tipos de doen&amp;ccedil;as (LANCETTI; AMARANTE, 2006).&lt;br /&gt;Institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;br /&gt;A proposta de ter desenvolvido este cap&amp;iacute;tulo foi para que o leitor tivesse no&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre compreens&amp;otilde;es acerca do processo de institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas no tratamento na l&amp;oacute;gica manicomial, e apresentar a desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que tem como proposta o desmonte desse processo, a partir da cr&amp;iacute;tica de Rotelli e Mauri (1990). O estudo de Brito (2004); Costa (2002); Reverbel (1996); Basaglia (1985) e Goffman (1961). Estes autores nos apresentam reflex&amp;otilde;es sobre as pr&amp;aacute;ticas que institucionalizam e violam o direito das pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico.&lt;br /&gt;No meu trabalho, a compreens&amp;atilde;o sobre a institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; fundamentada com base no pensamento de Basaglia (1985); Rotelli e Mauri (1990), tamb&amp;eacute;m apresentarei compreens&amp;atilde;o de outros autores sobre a tem&amp;aacute;tica, como Oliveira et al. (2009); Foucault (1975); Goffman (1961) e Amarante (2003).&lt;br /&gt;Os termos que utilizei na fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica deste trabalho indicam qual perspectiva te&amp;oacute;rica estou considerando para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conclus&amp;atilde;o da pesquisa, e ser&amp;atilde;o apresentados no desenvolvimento da mesma.&lt;br /&gt;Dividi o cap&amp;iacute;tulo em duas partes, a primeira centra-se nas pr&amp;aacute;ticas institucionalizantes que perpetuam a l&amp;oacute;gica manicomial, e apresento estudos sobre as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, em especial, a institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica que tem como estrutura arquitet&amp;ocirc;nica o hospital psiqui&amp;aacute;trico. Na segunda parte do cap&amp;iacute;tulo: desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o escrevo sobre este processo na perspectiva apresentada por Rotelli e Mauri (1990).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.1.1. Institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em pesquisa desenvolvida por Brito (2004) &amp;ldquo;Interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o Psiqui&amp;aacute;trica Involunt&amp;aacute;ria e a Lei 10.216: Reflex&amp;otilde;es acerca da garantia de prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos direitos da pessoa com transtorno mental&amp;rdquo;, a autora teve como objetivo estudar o &amp;ldquo;aspecto da prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o e dos direitos das pessoas com transtorno mental internadas involuntariamente de acordo com o que determina a Lei 10.216 de 6 de abril de 2001&amp;rdquo;. Atrav&amp;eacute;s de um estudo de campo, Brito buscou verificar se a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lei e a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico na fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das interna&amp;ccedil;&amp;otilde;es involunt&amp;aacute;rias promoveram mudan&amp;ccedil;as &amp;agrave;s pessoas com transtorno mental e na pr&amp;aacute;tica da emerg&amp;ecirc;ncia psiqui&amp;aacute;trica hospitalar.&lt;br /&gt;A autora realizou a pesquisa na emerg&amp;ecirc;ncia de uma institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica integrada ao Sistema &amp;Uacute;nico de Sa&amp;uacute;de, no munic&amp;iacute;pio do Rio de Janeiro. Para a fundamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o te&amp;oacute;rica da pesquisa, Brito estudou as principais leis brasileiras referentes &amp;agrave; sa&amp;uacute;de mental e utilizou como instrumento de coleta de dados entrevista semi-estruturada, di&amp;aacute;rio de campo e a observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o participante.&lt;br /&gt;Participaram da pesquisa: sete m&amp;eacute;dicos psiquiatras do setor de emerg&amp;ecirc;ncia do hospital, sendo: um m&amp;eacute;dico psiquiatra perito do Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico e dois promotores da Promotoria de Cidadania do Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico do Rio de Janeiro. A pesquisadora verificou a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do minist&amp;eacute;rio p&amp;uacute;blico estadual do Rio de Janeiro no controle e acompanhamento da interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica involunt&amp;aacute;ria (IPI) em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cumprimento dos termos estabelecidos pela legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;O relat&amp;oacute;rio final da pesquisa De Brito, principalmente o relato das observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es realizadas no campo onde ocorre a pr&amp;aacute;tica psiqui&amp;aacute;trica, est&amp;aacute; centrado na interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica involunt&amp;aacute;ria, como os profissionais atuam na realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste procedimento, como a pessoa em crise e seus acompanhantes v&amp;ecirc;em a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em que circunst&amp;acirc;ncias os m&amp;eacute;dicos optam por realiz&amp;aacute;-la.&lt;br /&gt;De acordo com os resultados do estudo de campo realizado por Brito (2004), ela concluiu que, no Rio de Janeiro, a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica ainda continua sendo o principal recurso de tratamento, identificando que a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Minist&amp;eacute;rio P&amp;uacute;blico da lei 10.216/01 ainda n&amp;atilde;o garantiu a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos direitos das pessoas que estejam em sofrimento ps&amp;iacute;quico, n&amp;atilde;o mudou a pr&amp;aacute;tica exercida pela psiquiatria, n&amp;atilde;o promovendo uma redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da hospitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;Assim como no Rio de Janeiro, a interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o psiqui&amp;aacute;trica em Santa Catarina vem se constituindo como o principal recurso de tratamento, permanecendo a pr&amp;aacute;tica de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o a crise na l&amp;oacute;gica manicomial. O estudo de Brito afirma a necessidade de que se haja a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pr&amp;aacute;ticas que est&amp;atilde;o sendo desenvolvidas nesta modalidade de servi&amp;ccedil;o em sa&amp;uacute;de mental.&lt;br /&gt;A Portaria n&amp;ordm; 251/GM, de 31 de janeiro de 2002, define &amp;ldquo;como hospital psiqui&amp;aacute;trico aquele cuja maioria de leitos se destine ao tratamento especializado de clientela psiqui&amp;aacute;trica em regime de interna&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo; (BRASIL, 2002b). Considero o termo hospital psiqui&amp;aacute;trico no meu trabalho de conclus&amp;atilde;o de curso de acordo com esta Portaria.&lt;br /&gt;Costa (2002) em sua disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mestrado: &amp;ldquo;Problematizando para humanizar: uma proposta de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cuidado em uma enfermaria psiqui&amp;aacute;trica&amp;rdquo; realizou um estudo anal&amp;iacute;tico descritivo de uma pr&amp;aacute;tica assistencial a partir da abordagem s&amp;oacute;cio human&amp;iacute;stica de Paulo Freire. A autora procurou desenvolver com a equipe de enfermagem, processos educativos - reflexivos em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao cuidado prestado, buscando alcan&amp;ccedil;ar a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da assist&amp;ecirc;ncia psiqui&amp;aacute;trica, explorando a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de trabalho e a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;Costa definiu como objetivo geral de trabalho: Desenvolver com a equipe de enfermagem de uma enfermaria de portadores de transtornos ps&amp;iacute;quicos cr&amp;ocirc;nicos, um processo reflexivo acerca do cuidado na perspectiva de alcan&amp;ccedil;ar a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da assist&amp;ecirc;ncia, explorando a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de trabalho e a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a partir dos referenciais te&amp;oacute;ricos metodol&amp;oacute;gicos da Pedagogia Libertadora de Paulo Freire.&lt;br /&gt;Como objetivos espec&amp;iacute;ficos, Costa estabeleceu:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a) desenvolver com um grupo de trabalhadores de enfermagem uma reflex&amp;atilde;o coletiva em&amp;nbsp; oficinas, sobre aspectos relativos ao cuidado e a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho a partir da&amp;nbsp; metodologia problematizadora;&lt;br /&gt;b) instrumentalizar a equipe de enfermagem da unidade onde se desenvolveu o estudo com conceitos e pressupostos da Reforma Psiqui&amp;aacute;trica e a nova forma de cuidado de enfermagem voltado para a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana e cidad&amp;atilde;;&lt;br /&gt;c) contribuir para a reflex&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica dos trabalhadores de enfermagem sobre o seu trabalho;&lt;br /&gt;d) avaliar a proposta da pr&amp;aacute;tica assistencial a partir do marco referencial e a metodologia&amp;nbsp; utilizada, com base nos princ&amp;iacute;pios &amp;eacute;ticos e educativos. (COSTA, 2002, p. 25).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pesquisa de Costa foi desenvolvida com profissionais de enfermagem de um grande hospital psiqui&amp;aacute;trico na Regi&amp;atilde;o Sul do pa&amp;iacute;s no per&amp;iacute;odo de outubro a dezembro de 2001. Como instrumento de coleta de dados, a pesquisadora realizou seis oficinas na qual foram abordados os temas eleitos pelos participantes, para que houvesse a formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de hip&amp;oacute;teses, como contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cuidado. Cada oficina teve dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o de quatro horas.&lt;br /&gt;Os temas trabalhados em cada oficina foram: 1&amp;ordf; oficina: re-avaliando o in&amp;iacute;cio para subsidiar o caminho; 2&amp;ordf; oficina: subsidiando o caminho para as novas mudan&amp;ccedil;as; 3&amp;ordf; oficina: conhecendo o passado, compreendendo o presente e transformar para o futuro; 4&amp;ordf; oficina: buscando caminhos para praticar a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o; 5&amp;ordf; oficina: conhecer e compreender o sujeito de nosso Cuidado e; 6&amp;ordf; oficina: a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ser humano no processo educativo como possibilidade de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;A pesquisadora analisou os dados a partir do referencial te&amp;oacute;rico metodol&amp;oacute;gico escolhido, focalizando a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o como possibilidade para a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ela descreveu que os momentos das oficinas propiciaram uma reflex&amp;atilde;o para que as ideias e experi&amp;ecirc;ncias do grupo fossem socializadas, provocando modifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es na maneira de pensar e de agir do grupo.&lt;br /&gt;Costa (2002) concluiu que, apesar do progresso nas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica como as leis, a humaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do SUS n&amp;atilde;o atingiu os setores. Para ela, para que isto aconte&amp;ccedil;a &amp;eacute; preciso existir profissionais comprometidos com o ser humano e com a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a aus&amp;ecirc;ncia de um processo educativo permanente gera a aliena&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que para a autora &amp;eacute; um dos caminhos para a desumaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;A pesquisa de Costa focalizou o cuidado numa perspectiva hist&amp;oacute;rica, compreendendo e tentando transform&amp;aacute;-lo a partir da reflex&amp;atilde;o de cren&amp;ccedil;as e valores de cada participante. Para ela, ficou evidente nos resultados, o poder institucional, as cren&amp;ccedil;as, valores coletivos e pessoais, mostrando que o saber constru&amp;iacute;do na pr&amp;aacute;tica e o saber cient&amp;iacute;fico s&amp;atilde;o fatores determinantes no processo de cuidado, sendo a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, amor e solidariedade, como pr&amp;eacute;-requisito fundamental do cuidado humanizado (COSTA, 2002).&lt;br /&gt;Compreendo que o trabalho realizado por Costa (2002), contribuiu para o processo de desinstitucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a autora a partir da operacionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de oficinas buscou desconstruir os conceitos, promovendo a reflex&amp;atilde;o dos participantes sobre pr&amp;aacute;ticas manicomiais no trabalho exercido pela enfermagem &amp;agrave;s pessoas que permaneciam como moradoras deste hospital.&lt;br /&gt;Apresentando pr&amp;aacute;ticas de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o desenvolvidas na l&amp;oacute;gica manicomial que ocorreram na hist&amp;oacute;ria da sa&amp;uacute;de mental em Santa Catarina, Costa (2002) assinala que, em 1944 neste estado, no munic&amp;iacute;pio de Florian&amp;oacute;polis foi criado o primeiro ambulat&amp;oacute;rio de sa&amp;uacute;de mental ligado ao Servi&amp;ccedil;o Nacional de Doen&amp;ccedil;as Mentais. Na primeira metade do s&amp;eacute;culo XX, as pr&amp;aacute;ticas psiqui&amp;aacute;tricas se caracterizavam quase que exclusivamente pelo uso de recursos fisioter&amp;aacute;picos e por interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es como a insulinoterapia, eletroconvulsoterapia, e, tamb&amp;eacute;m, a lobotomia.&lt;br /&gt;Em 1951, surgem os medicamentos neurol&amp;eacute;pticos utilizados pela psiquiatria, sendo utilizados progressivamente no tratamento do &amp;ldquo;transtorno mental&amp;rdquo;.O saber, o controle e poder efetivo da institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos psiquiatras e o uso da medicaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o na assist &lt;/p&gt;</description>
      <pubDate>Tue, 31 Jan 2012 13:40:00 -0000</pubDate>
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      <title>Obesidade e ansiedade: auto-controle numa intervenção em grupos - Thaísa de Carvalho Jaoude; Maria de Jesus Dutra dos Reis</title>
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      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
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      <title>O efeito da ocorrência de evento contíguo sobre a variabilidade de respostas - Jéssica Balisardo Coelho; Leonardo de Oliveira Barro; Gabriel Vieira Candido</title>
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      <title>Análise funcional de comportamentos inadequados em crianças com agenesia do corpo caloso - Patrícia Pires de Matos</title>
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      <title>Treino de leitura por reforçamento específico: possibilidade um procedimento experimental utilizando consequência como nódulo - Gleiton Nunes de Azevedo; Marcelo Frota Lobato Benvenuti</title>
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      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
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      <title>Uma análise comportamental cognitivista dos procedimentos da equoterapia no tratamento de autismo: entre limites e superações - Diego Tadeu Mota Baptista, Joice Marianabaldesin, Rosemary Almeida Vasconi, Patrícia Ribeiro Campos Correa</title>
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      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
      <guid>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2007</guid>
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      <title>Elaboração de um instrumento de medida do ciúme em relacionamentos amorosos de jovens - Fabiana Cristina Pereira; Fernanda Estevaletto Macedo; Maria Laura Nogueira Pires</title>
      <link>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2008</link>
      <description></description>
      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
      <guid>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2008</guid>
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      <title>Análise funcional do comportamento de gritar de professoras em sala de aula - Carolina Mesquita de Oliveira; Rosa Maria Corrêa</title>
      <link>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2009</link>
      <description></description>
      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
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      <title>Vídeo feedback como recurso de capacitação em Análise do Comportamento Aplicada - Silvia Aparecida Fornazari; Maria Beatriz Carvalho Devides; Giuliana Inocente; Francislaine Flâmia Inácio; Carolina Martins Rizardi</title>
      <link>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2002</link>
      <description>Comportamentos inadequados como agress&amp;atilde;o, autoles&amp;atilde;o, birra, estereotipia e comportamento aberrante relacionado &amp;agrave; sexualidade, s&amp;atilde;o emitidos com frequ&amp;ecirc;ncia por pessoas com defici&amp;ecirc;ncias m&amp;uacute;ltiplas, gerando a necessidade de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o desses comportamentos e instala&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas habilidades ditas adequadas que as ajudem no seu desenvolvimento f&amp;iacute;sico, social e cognitivo. Os procedimentos utilizados neste estudo que visam tal manejo comportamental s&amp;atilde;o: an&amp;aacute;lise funcional e Refor&amp;ccedil;o Diferencial de Comportamentos Alternativos (DRA). O objetivo do trabalho, resultado do projeto de extens&amp;atilde;o, &amp;eacute; capacitar profissionais da &amp;aacute;rea da sa&amp;uacute;de de um instituto especializado de Londrina, PR, para que possam trabalhar de maneira a atender as necessidades j&amp;aacute; citadas. O procedimento consistiu em capacitar os profissionais atrav&amp;eacute;s do software &amp;ldquo;Ensino a Professores&amp;rdquo; e realizar sess&amp;otilde;es de v&amp;iacute;deo-feedback, onde eram discutidos os conceitos aprendidos pelo software e observadas as filmagens feitas dos atendimentos antes, durante e depois da capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A an&amp;aacute;lise dos resultados foi realizada a partir das grava&amp;ccedil;&amp;otilde;es, transcri&amp;ccedil;&amp;otilde;es e categoriza&amp;ccedil;&amp;otilde;es dessas sess&amp;otilde;es, de acordo com o relato verbal dos participantes. As categorias levantadas sobre os assuntos discutidos foram: Impress&amp;otilde;es sobre o software, An&amp;aacute;lise Funcional, DRA, Especificidades de cada usu&amp;aacute;rio, Conceitos de an&amp;aacute;lise do comportamento, Estrat&amp;eacute;gias/dicas, Mudan&amp;ccedil;as de comportamento durante o atendimento, Generaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conte&amp;uacute;do da capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o a outras situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e Outros. O resultado da an&amp;aacute;lise das transcri&amp;ccedil;&amp;otilde;es das duas sess&amp;otilde;es de capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos profissionais indica progresso na utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos conceitos propostos pelo software. Na primeira sess&amp;atilde;o de v&amp;iacute;deo-feedback houve a descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de medo de reprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e dificuldade por parte dos participantes devido a aprendizagem de novas nomenclaturas e alternativas para se lidar com os pacientes nos atendimentos, havendo ent&amp;atilde;o, o in&amp;iacute;cio do entendimento e da aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa aprendizagem, nos pacientes. J&amp;aacute; na segunda sess&amp;atilde;o, analisou-se: o aumento do dom&amp;iacute;nio do que foi aprendido; a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da analise funcional e o procedimento de DRA para a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de estrat&amp;eacute;gias por parte dos profissionais nos atendimentos, seguindo a proposta da capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o; e, consequentemente, a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de melhor desenvolvimento dos pacientes.&amp;nbsp; Conclui-se que a capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; v&amp;aacute;lida, pois proporcionou aos profissionais a capacidade de elaborar alternativas eficazes para um desenvolvimento adequado dos pacientes no decorrer dos atendimentos.</description>
      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 14:00:00 -0000</pubDate>
      <guid>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=2002</guid>
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      <title>O erro de Kelsen: os estudos de B. F. Skinner contra a ciência do direito - Thor Lincoln Nunes Grünewald</title>
      <link>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1997</link>
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      <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 13:50:00 -0000</pubDate>
      <guid>http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1997</guid>
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