O perigo não está naquele que sabe demais, mas naquele que pensa que sabe!
Assimilamos rapidamente a cultura competitiva que as empresas de “alta performance” utilizam, ao mesmo tempo estamos assistindo, com a atual CRISE MUNDIAL a decadência desta cultura. Percebemos que os Gurus do desempenho a qualquer preço andam meio desorientados nesse momento, aprenderam e ensinaram por muito tempo que a resposta está sempre na estratégia, desempenho, capacidade, potencial... UFA.
Na última palestra que realizei, estava diante de um grupo de executivos águias, gente com sede de vencer, o tipo de equipe que qualquer empresa precisa. Começamos a conversar e dentre as muitas coisas que pude compartilhar com eles, uma se destacou: Disse a eles que as pessoas não podem viver em estado de alerta o tempo todo, que competir deve ser mais um evento e não uma maneira de viver que atinja todas os nossos papeis, que sentir-se dependente e muitas vezes incapaz de fazer tudo sozinho não é um sentimento ruim, mas uma demonstração de humanidade e verdade; Na verdade este sentimento, se bem administrado, pode ser uma porta enorme para a entrada de valores espirituais excepcionais, alguns deles: Humildade, contentamento positivo e auto-avaliação; Um dos executivos me procurou ansioso durante o Coffe break, ele é um dos Campeões daquela equipe, mas confessou que aquele comentário foi um grande alívio emocional para ele que estava se sentindo a ponto de explodir. Me disse que não se sentia “normal” há muito tempo, que tinha medo de ser ele mesmo porque sabia o que era esperado de um Gigante, Campeão, Pit Bull...
Mais tarde, junto com outro colega, estivemos com este executivo reservadamente e descobrimos o quanto a pressão para ser competitivo, eficiente, vencedor, poderosos o estava destruindo interiormente;
Ser simplesmente o “Zé” é parte essencial de nosso equilíbrio. Ninguém é feliz representando um único papel o tempo todo; Ninguém nesta vida é ator de um personagem só. Às vezes somos e devemos ser “Sansão” e em outras vezes o “Menino maluquinho” e de vez em quando até mesmo a “Dalila”; (Somente para mulheres)
Descobrir o outro lado pode ser uma experiência fantástica, especialmente para a Geração X criada à base de vitaminas virtuais, liberalismo moral e competição; A isso eu chamo de ESPIRITUALIDADE. Achar aquele lado sem muitas explicações ou lógica, sem modelos ou sistematizações, sem passo a passo, apenas você e sua verdade, suas descobertas...
Qualquer processo organizado de trabalho que envolva pessoas precisa valorizar os princípios que os unem naquele projeto, e estes são espirituais. Antes de estar unidos em torno de um serviço ou produto, estamos buscando interação, compromisso, união de propósitos em torno daquele projeto e estes valores são ESPIRITUAIS; Não há como sistematizá-los, apenas existem, surgem, são desenvolvidos ou não, podemos tentar materializar o resultado, mas as ferramentas são espirituais e espiritualidade é algo que se cultiva por meio de educação para práticas de interiorização, busca, meditação e desenvolvimento das diversas consciências;
E DEUS entra nessa?É evidente que sim, mas crendo em Deus ou não, os valores imateriais, essenciais de cada um de nós não está no campo daquilo que pode ser adquirido pelo capital e pelo lucro, mas existe na essência de cada ser humano, colocado lá (segundo minha crença) pelo arquiteto da humanidade a quem chamamos de Deus e particularmente eu o chamo simplesmente de PAI;
A minha relação com o “PAI” é pessoal, à margem da religiosidade, apenas reconheço a existência de um ser pessoal e superior que como criador de todas as coisas e administrador do universo, certamente deve ter propósitos dirigidos a cada ser inteligente de sua criação; Não posso me imaginar simplesmente como um peixinho no aquário, colocado lá para ser apreciado e cujo único propósito na vida é sobreviver para ser apreciado. Vejo-me e a todos os demais como seres inteligentes e plurais que certamente atravessam este imenso vale em busca de algo, dirigidos para algo, movidos por e para algo; Enxergo a vida como mais que uma simples travessia, mas uma travessia cheia de propósitos, aventuras e descobertas; Entendo que minha missão em relação ao criador é descobrir seus planos;
E que diferença isso faz para as empresas? Muita diferença, ter gente com compromisso que transcende o “fazer por fazer” é muito melhor. Ter pessoas que avaliam e investem nas relações porque entendem o valor do outro é fantástico. Ter pessoas com sensibilidade e percepção do que realmente é essencial é inegavelmente um trunfo diante da concorrência, que o digam os torcedores do Milan na recente “oferta recebida” pelo seu astro e símbolo KAKA, 120.000.000,00 de Euros, Sabem a resposta dele? Estou feliz aqui no Milan, quero envelhecer aqui e sonho em ser Capitão do time um dia. Preciso falar mais? Abram o site do Milan (
http://www.acmilan.com/) e vejam quem está lá, abrindo o site, representando uma das entidades esportivas mais tradicionais e queridas da Itália...
Empresas que valorizam a espiritualidade como um capital essencial terá muito mais sucesso nos próximos anos porque a humanidade está dando mostras de que está parando para balanço e não tenho dúvidas de que descobriremos que os valores do capitalismo selvagem não são mais apropriados para se ter um mundo mais equilibrado, justo e em constante desenvolvimento. Sinceramente acredito nisso.
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