RedePsi
 
 
Entrar
Usuário:

Senha:

Lembrar-se de mim


Esqueceu a senha?
Registre-se agora.
Página inicial > Colunistas > Discutindo Psicanálise Colunistas

Discutindo Psicanálise

O psicanalista e sua função dentro do enquadre

17 Aug 2007
Denise Deschamps

Mais artigos de Denise Deschamps
Explorar todos os artigos [29]

Para cumprir com a tarefa para a qual me propus no atual texto, estava eu às voltas com inúmeros livros, citações, textos da ne em links, anotações que fiz ao longo de 23 anos de trabalho diário, relatos de caso publicados por psicanalistas, colunas de jornais etc. Experimentei então um certo sentimento de angústia, tive que parar, e como penso que qualquer pessoa deva fazer, frente a uma angústia despertada por fato novo em sua vida, parei tudo e me afastei da tarefa para tentar entender o que se passava. E o que entendi? Vou explicar passo a passo.

Entendi então que, se quero falar dessa função e principalmente questionar algumas de suas lendas, devo em primeiro lugar falar dessa função como ela acontece em mim e em como a faço acontecer na tal realidade da relação transferencial. Obviamente que, tudo isso, também estará fundado e atravessado nas inúmeras leituras que fiz ao longo de todos esses anos, e de tudo que, em minha prática vi que funcionava quando eu utilizava, e o que não funcionava, talvez muito a partir de como sou e de minhas experimentações em relação a vida, afetos, aprendizagens e processos terapêuticos pelos quais passei e/ou vivencio na atualidade.

Lembrei-me então, de vários terapeutas e supervisores que tive ao longo de minha vida, desde que o mundo da psicanálise se abriu, através do curso de graduação que procurei, a Psicologia. Nas lembranças, dois ficaram muito forte como indicativos para o que quero dizer aqui. Vou falar primeiro de um “mestre” muito querido que tive e que infelizmente não está mais entre nós, o psicólogo Paulo Hindemburgo a quem serei sempre grata por inúmeras aprendizagens. Ele sempre disse, em seus grupos de formação, que se pode ensinar tudo para terapeutas iniciantes, mas o tal “pulo do gato”, isso cada um tem que achar o seu, ou não achar. Fato é que isso não se ensina, nem se aprende, devemos buscar em nossos “interiores”. Li sobre isso, recentemente, em um artigo muito interessante da psicanalista Maria Helena Saleme com o título genial “A Normopatia na formação do Analista”(disponível no link) - Clique Aqui

Acho que de outra maneira, ela a partir de sua experiência, fala-nos um tanto sobre a impossibilidade de alguns, apesar de todos os esforços empreendido em busca disso, alcançarem o requisito mínimo da escuta para desempenhar o ofício de psicanalista. Ou nas palavras de Paulo, o tal “pulo do gato”.

Lembrei-me também do meu primeiro supervisor, no IBRAPSI, em uma experiência inédita que aquele instituto abriu, o setor de estágios para ainda estudantes de psicologia, participei dele ainda no penúltimo e último ano da faculdade de Psicologia(1983), neste último ano, no atendimento em clínica social nesse instituto onde depois ingressei para a Formação. Mais adiante vim a ser coordenadora do setor de estagiários, experiência também muito enriquecedora. Mas, voltando a lembrança do meu supervisor. Fazíamos o que chama-se “dramatizações” supervisionadas sobre prováveis atendimentos. Certa vez, eu fazia o lugar da terapeuta, fazendo intervenções até que apropriadas, e esse supervisor, interrompeu tudo e me perguntou se eu falava daquele jeito com meus amigos, família etc Eu, entre sem graça e sem resposta, fiquei pensando. Ele perguntou para turma que foi unânime em dizer que não, que aquele não era meu jeito de falar habitualmente. Entendi e aprendi ali que a “fala” de um psicanalista inevitavelmente deve partir de quem ele(a) é, quem somos, como somos e de que maneira estamos incluídos nas relações sociais. Não dá para entrar no consultório e despir-se de si mesmo e de seu jeito e sua postura. E tudo isso transporta informações sobre cada um de nós, quer queira, quer não queira.

Então, partirei para falar desse lugar que ocupo enquanto psicanalista, inevitavelmente fundado no que eu sou e como eu sou, acredito que como todo e qualquer outro psicanalista. Teremos que entender-nos, e também nossa prática, dentro daquilo que Freud falou sobre o uso do divã e de suas características pessoais, que impunham tal uso e tal posicionamento na sala e de como acreditava que para outros talvez isso não fosse tão importante. Por que algumas correntes fizeram disso uma condição da técnica psicanalítica é algo para qual não acredito que se possa achar uma resposta única. Não mesmo!

Então, será desse lugar que me “contém”, que falarei do que acredito ser a função que exerço como psicanalista: mulher, brasileira, mãe, psicóloga e etc e de todas as emoções que se apresentam a partir desse lugar. Eu acredito que seja um engano pensar que podemos fazer de alguma outra maneira, mas como já deixei claro, essa é a minha função enquanto psicanalista, da forma como eu e somente eu, acredito que possa exercê-la.

O trabalho psicanalítico deverá segundo seu inventor, Sigmund Freud, levar em conta sempre o estabelecimento da neurose de transferência, ou seja, algo que é convidado a se estabelecer dentro do setting analítico e que levará o analisando a visitar suas lembranças conscientes e inconscientes, suas repetições da matriz de suas relações atuais. Espera-se que tenha lá um outro ser, o psicanalista, disponível para acompanhar esse alguém em suas viagens atemporais.

Ao estabelecer o contrato terapêutico terei que levar em conta qual a demanda que ouvi e qual será a meta que a análise deverá andar ao encontro de(mapa), nem sempre ou quase nunca elas coincidem, mas com certeza deverá ser dada ao analisando a possibilidade de empreender essa viagem ou de não aceitar fazê-la. Por isso acredito que ao final das entrevistas, será necessário comunicar ao paciente de onde partirá a busca para aquele algo que, deverá ser o caminho por onde irá iniciar sua jornada “sem fim”, como o tal jogo de xadrez ao qual Freud compara a psicanálise(no texto “Sobre o Início do Tratamento - Novas Recomendações aos Médicos que exercem a Psicanálise – vol XII). E sugerir a ele(a) um tempo para que possa refletir e escolher pela entrada ou recusa da situação de análise. E só depois considerarei a análise iniciada com todas as considerações que se devo fazer em relação ao seu andamento, formulando seu contrato terapêutico que significa bem mais do que regras para dar forma ao “enquadre”.

Mas, aqui nesse texto, não vou falar da psicanálise em andamento, mas daquilo que penso a partir de minha atuação, ser o lugar que o analista ocupa dentro desse contrato terapêutico, e, como pode trabalhar a partir de uma desejada neutralidade, sem abdicar na contra-transferência, daquilo que ela tem de ferramenta de trabalho e não suas partes cegas que se aliam às resistências do paciente. Para isso estaremos falando de um(a) analista com longo processo terapêutico já empreendido, ou que pelo menos esteja em pleno curso dele, isso jamais poderá ser diminuído ou negligenciado.

Parto do princípio que a neutralidade se circunscreve naquilo que podemos chamar encaminhamento do desejo, o fluxo das associações do analisando e seus padrões de repetição, mas no que tange aos conteúdos que passam pelo real que é histórico e político, acho quase impossível manter-se absolutamente neutro, assim como no campo do afeto de interlocutor. Se isso posto, as sociedades psicanalíticas não teriam entrado em crise tão profunda, à época da discussão sobre a presença do Amílcar Lobo como psicanalista em formação em sociedade ligada a IPA do Rio de Janeiro, a partir do fato dele de forma comprovada, fazer parte de quadros médicos ligados a tortura na ditadura militar. Então, sabemos que a neutralidade se rompe em um processo dessa magnitude, ou ainda em outras menores, como por exemplo poderemos ter que enfrentar ao lidar com pacientes potencialmente suicidas ou portadores de doenças terminais. Então, coloco esses casos excepcionais, para tentar demonstrar que, quanto a suposta neutralidade, nem que seja por situações limites, não poderá defender uma posição da pretendida frieza de um cirurgião(se é que este também a possui).

Ao longo de meus anos de prática fui percebendo como atuar a partir de minha contra-transferência é sempre uma bússola bem mais precisa. Quem já não viveu uma sessão de sono avassalador, apenas naquela hora e não em outras do seu longo dia? Cito assim, um exemplo corriqueiro. Deixar disponibilizado o Inconsciente e seus conteúdos para a tarefa psicanalítica, fundamentada para o analista no conceito de “atenção flutuante” é dispor-se bem mais que a uma simples escuta e muito mais que manter-se isento. Ao mesmo tempo é entregar-se a um fluxo onde o outro diz para onde ir, onde minhas crenças pessoais ou limites estão suspensos como em um sonho, porque ali, naquele espaço, não serei eu a realizar. Isso dará isenção motora, mas não emocional. Dessa maneira considero que a experiência inteira de um psicanalista é “indizível”, e por mais que tenhamos a vontade de comunicá-la, não será possível. Esse lugar de analista é um lugar ao mesmo tempo muito preciso e ao mesmo tempo mágico, como diz tão bem Luiz Alfredo Garcia-Roza, em sua obra “Introdução a metapsicologia freudiana vols 1, 2 e 3”:

"A bruxa metapsicologia: é desta forma que Freud se refere à metapsicologia. A Bruxa, a feiticeira. E Freud, mais do que ninguém, acreditava na bruxa,posto que ela existe. E um sentido mais amplo,o termo metapsicologia designa o conjunto da elaboração teórica de Freud, a produção de modelos conceituais afastados da experiência, ficções teóricas a partir das quais a própria experiência é radicalmente transformada."

Mas, se há algo do qual estou plenamente convencida, é de que esse lugar não é neutro e nem tão somente idealizado(sujeito-suposto-saber), ele é habitado por preceitos próprios e que precisam ser compreendidos enquanto lugar da técnica, porém esta como universal, ao mesmo tempo que, absolutamente particular. Será algo bem mais próximo do que Winnicott fala sobre mãe “suficientemente boa”, esse talvez seja o lugar mais apropriado para fazer enxergar o desempenho que acredito ser a função de um psicanalista, voltando a ressaltar que talvez essa seja a característica que em minha prática procuro redirecionar.

Há um limite muito tênue entre uma atuação que se poderá chamar de invasora daquela que será participativa. Em ambas diremos que há a presença de um certo “acting” operado pelo psicanalista, a diferença é que o primeiro a faz convencido de que não o realiza, de que se mantém neutro, e, no segundo caso, irá operar a partir de elementos bem precisos e conscientes, ao mesmo tempo que disponibiliza parte de sua carga afetiva, compreendida e utilizada para o processo terapêutico, tendo como seu desejo, como falamos no texto anterior, a inscrição da meta da eficácia de seu trabalho, ou o objetivo de alcançar a proposta daquele contrato terapêutico que foi desenhado pelo mapa do desejo daquele que procurou aquela análise, o paciente ou analisando.

Penso ser pouco provável um psicanalista que nunca se emocionou com conteúdos de seu paciente, ou se comoveu e se alegrou com suas conquistas. Alguns fugirão do contato com esses conteúdos em si, presentes em seu trabalho; outros como acredito, tornarão isso parte integrante daquilo que entendem como sua tarefa. A principal dificuldade que encontro de defender tal postura, passa pelo uso equivocado e manipulador que a defesa dessa tese poderá trazer em seu bojo. Porém acontece, que tenho entendido que as maiores barbaridades que tenho tido notícias, sobre atuações pretensamente psicanalíticas, têm sido feitas em defesa de uma ausência e neutralidade fria e cirúrgica, porque se não está dito de onde parte, reforça a crença infantil na existência de uma verdade ou ideal de normalidade a ser alcançado. Entender, e deixar que o processo analítico faça compreender, que nenhuma verdade vem sem assinatura e que, com certeza, não se mostrará imutável de maneira única e para sempre, assim como muito menos, atenderá a todos e em todas as situações. Entender que esse movimento é próprio do amadurecimento psíquico. Que tudo que está vivo é flexível, como diria a sabedoria oriental, e que, o que só encontra a rigidez, será o que está morto,mesmo quando esse organismo permaneça vivo.

Posso esconder minhas impressões em pensamentos e minhas expressões faciais, sentada atrás do divã ou poderei fazer delas, ferramentas de minha tarefa, por exemplo. Já que não posso ter aquela face de “jogador de pôquer” pretendida por alguns profissionais psis. Então faço uma escolha que não irá custar-me pedaços daquilo que me identifica como quem sou, e de certa maneira, acho que isso seria uma recomendação técnica porque como disse Freud o mínimo que se deve para o paciente no processo de sua análise é que usemos de sinceridade. A dissimulação e as duplas mensagens foram com certeza, muitos fortes, nos motivos que os trouxeram para o divã.

A linha que dará a sensatez de tal escolha será dada pela capacidade analítica, o potencial do compromisso em relação ao desejar, nesse caso do contrato terapêutico, o desejar do outro que não se realizará em minha vida, mas na do outro com seus Outros e seus vínculos. A qual lerei, como a um livro muito interessante que está sendo escrito e que posso sugerir modificações para seu autor. Nada além disso.

A única ressalva que faço é que, essas características, daquilo que entendo como postura do psicanalista, propondo a troca da neutralidade por uma transparência comprometida, é que isso só será totalmente entendido e possível, depois de se ter construído uma profunda intimidade com todas as propostas mais tradicionais da técnica psicanalítica, inclusive e principalmente, pela passagem pelo divã. Mal comparando, diria que seria como as pinturas de Miró. Quem as aprecia, tem uma mínima noção do quanto se tem que ter acumulado de “saber” e manejo técnico, para poder se expressar daquela maneira “simples”. Mantive por anos em meu consultório, uma gravura desse artista, intitulada de “3 personnages sur fond noir” que ganhei de presente. Observá-la serviu-me para lembrar da complexidade que o aprofundamento nos remete e de como, quase sempre dentro desse processo de crescimento, vamos nos tornando menos máscaras e mais apenas o que somos, mesmo quando nossa tarefa é a psicanálise. Embora haja ainda hoje grande parte das linhas em psicanálise que defendam uma postura rigorosa e afastada, para que se exerça a função de psicanalista. Pode ser inclusive que, muitos digam então, que o que eu faço não seja psicanálise. Isso é bem possível, mas não é o que acredito que aconteça. Vou considerar, como o próprio Freud postulou, que entendo a função do psicanalista fundada na relação transferencial, por hora isso será o que considerarei suficiente.

Com esse texto, pretendo encerrar a primeira série que pretendi fazer, aqui nessa coluna. Na verdade se observarem bem os textos estão de certa maneira interligados e me permiti, neste aqui, repetir citações antes feitas para serem sublinhadas.

Acredito que a psicanálise, dada a crise que atravessa neste momento, esteja se afirmando mais uma vez, enquanto identidade, abandonando algumas crenças infantis e permitindo-se alguns passos que, ouso acreditar, a levarão até uma maturidade de sua atuação e conseqüente alteração na sua forma de inscrição e reconhecimento pela sociedade. Cada psicanalista atravessará essa crise acompanhado de todos os demais, mas também de alguma maneira, absolutamente solitário.


Discutindo Psicanálise: Denise Deschamps é formada pela UGF/RJ - 1984 com Formação Psicanalítica e Socio-analítica pelo IBRAPSI - 1989. Sua área de atuação: Clínica e Ensino/Supervisão Clínica.

Artigo lido 3331 vezes | Avaliando: 7.50 | Votos: 4.

  1 2 3 4 5 6 7 8 9 10  

Os comentários são de propriedade de quem os enviou. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
adalbertotripicchio
Publicado: 8/8/2007 14:40  Atualizado: 8/8/2007 14:49
Da casa...
Usuário desde: 11/10/05
localidade: São Paulo-SP
Mensagens: 1423
 Discutindo psicanálise
Belo texto, Denise, e vivo é o meu entusiasmo em continuar-lhe lendo nesta coluna. Você se permitiu fazer uma exposição, vale dizer, você se expôs por inteira na sua práxis profissional. Penso eu, que somente com essa autenticidade, que você desvela em seu artigo, possa-se chegar a ser um analista de fato. A leitura que fiz da evolução de seu despreendimento na maneira de atuar foi o que eu aprendi como sendo a buscada postura existencial em qualquer tipo de setting. Sem se descuidar de sua ferramenta interpretativa de trabalho, você o faz como uma verdadeira psicanalista do Dasein.
TOVARTOMASELLI
Publicado: 8/8/2007 14:56  Atualizado: 8/8/2007 14:56
Da casa...
Usuário desde: 26/4/07
localidade: São Paulo
Mensagens: 334
 O analista e sua função dentro do enquadre
<strong>DENISE:Apenas um comentário inicial,sobretudo quanto ao 9*parágrafo. A demanda que vc. ouviu te leva à um MAPA e,com certeza deverá ser dada ao analisando a possibilidade de empreender ou não essa viagem.Ao final das entrevistas,será necessário comunicar ao paciente de onde partirá(...)por onde irá iniciar à sua jornada "sem fim". Me pareceu que,de alguma forma, vc. criticou os lacanianos e o seu "Sujeito Suposto Saber"(Note que é "SUPOSTO"),o qual para eles estaria na base do estabelecimento do processo transferencial.Mas quando vc. fala em MAPA e, POR ONDE O PACIENTE DEVERÁ INICIAR SUA JORNADA,me parece que há um pressuposto de que NÓS SABEMOS POR ONDE, e eu entendo que NÓS NÃO SABEMOS e, que o MAPA DA VIAGEM se fará VIAJANDO. Claro é, que depois das entrevistas ou mesmo ao longo delas, devemos dar noticias ao paciente do que estamos podendo identificar através da nossa "escuta", mas penso que o ÚNICO MAPA que podemos ter, é o MAPA onde o nosso desejo e o desejo de nosso paciente se tangenciam. Nós e o paciente, estamos cada um à seu modo,diante daquilo a que P. Fédida,chamou com muita propriedade,do "SÍTIO DO ESTRANGEIRO".Temos,em mãos,o MAPA do nosso desejo de empreendermos essa jornada juntos,mas tudo à nossa frente será UM DEVIR. Te convido para refletirmos sobre isso tudo juntos,convite extensivo aos membros do fórum. Um grande abraço,&nbsp;&nbsp; TT</strong>
denisedeschamps
Publicado: 8/8/2007 19:05  Atualizado: 8/8/2007 19:05
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<p class="MsoNormal">Adalberto</p> <p class="MsoNormal">Sinceramente ganhei meu ano, talvez a década, depois de seu comentário aqui. Pelo que vc disse e por quem o disse, um profissional com uma capacidade de trabalho que admiro e que me deixa de queixo caído, acrescido por tudo mais, que em outros papos vc tem mostrado de grandiosidade do viver e de disponibilidade para ensinar. Obrigada mesmo! Tê-lo como leitor interessado é um presente, acredite, que eu tento retribuir com muito prazer, tentando ler tudo que vc nos oferece aqui pelo Rede Psi. Claro que pela sua produção, eu tenho que correr um tantinho e estudar outro tanto mais.&nbsp; Abraços</p>
denisedeschamps
Publicado: 8/8/2007 19:08  Atualizado: 8/8/2007 19:08
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p> <p class="MsoNormal">Tovar,</p> <p class="MsoNormal">Já está aceita nossa viagem, com certeza continuará sendo um prazer enorme. </p> <p class="MsoNormal">Entenda que compreendo um mapa, como algo que fala de vários e variados caminhos e destinos, e que dão a volta e retornam ao local de onde se partiu - o viajante, ou os viajantes. É tão difícil construir uma imagem sobre isso, que ouso dizer queremos <span>&nbsp;</span>os dois descrever, na tentativa de compartilhar.</p> <p class="MsoNormal">Eu não estou criticando nenhuma atuação em especial, mas é correto o quando vc afirma que falo de um determinado segmento do lacanismo. Tenho, entretanto, ótimos interlocutores entre alguns lacanianos e outros de outras linhas. Acho que vai depender de quem está na cadeira do sujeito-suposto-saber, conceito que acho que diz muito e que considero formidável o convite para não sê-lo.</p> <p class="MsoNormal">Vamos para nossa viagem. Tomara que seja uma longa estrada! Abraços</p>
adalbertotripicchio
Publicado: 8/8/2007 19:33  Atualizado: 8/8/2007 19:33
Da casa...
Usuário desde: 11/10/05
localidade: São Paulo-SP
Mensagens: 1423
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<br /><br />Esses meus dois meninos são fabulosos. Que alegria! Que orgulho!
TOVARTOMASELLI
Publicado: 9/8/2007 13:12  Atualizado: 9/8/2007 13:12
Da casa...
Usuário desde: 26/4/07
localidade: São Paulo
Mensagens: 334
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<strong>DENISE: não esperava ouvir outra explicação de você. Entendo que o problema que me pegou foi em relação à forma e não ao conteúdo de sua fala. Quanto&nbsp; à circulação dos caminhos ,voltando à um ponto inicial e re-iniciando, sabe que tenho uma imagem que prá mim faz muito sentido e, que não é minha, mas sim de Jean Laplanche. Imagine uma espiral, sobre a qual você dará início a um movimento em qualquer sentido .Se você reverter o trajeto, passará pelos mesmos pontos que percorreu inicialmente. Essa imagem vale para a própria conceituação de Ciência, nas suas idas e vindas. Carlos Drummond de Andrade tem um livro que se chama: "AMAR SE APRENDE AMANDO" e, o que eu tentei te dizer é que penso que "VIAJAR, SE APRENDE VIAJANDO". Assim, o termo ANALISANDO. Gosto do gerúndio, onde o que fica explícito é&nbsp;a&nbsp; idéia de MOVIMENTO, ao contrário de algo estagnado. Desta forma ,estamos sempre diante de UM DEVIR. Acho também que estamos sempre numa relação de ambivalência quanto ao DEVIR: o tememos e ansiamos por ele, mas isso faz parte da natureza humana. Um grande abraço e meus votos de que possamos continuar a nossa longa e interminável jornada, até porque e o mais importante, JÁ DEMOS O PRIMEIRO PASSO.</strong>
TOVARTOMASELLI
Publicado: 9/8/2007 13:17  Atualizado: 9/8/2007 13:17
Da casa...
Usuário desde: 26/4/07
localidade: São Paulo
Mensagens: 334
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<strong>Só pelos "MENINOS", acho que eu e a Denise, lhe seremos eternamente gratos. Agora, que bom poder saber que podemos trocar idéias, sentimentos, profissionalismo e, sobretudo, amizade. prá mim, é uma honra e você sabe disso, poder tê-lo como interlocutor e poder me constituir em um para você. Um forte abraço.,&nbsp;&nbsp; TT</strong>
denisedeschamps
Publicado: 9/8/2007 14:44  Atualizado: 9/8/2007 14:47
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
Adorei mesmo os meninos. Só não adorei mais que a foto <font color="#000000">G</font>enial do Adalberto(he,he). Muito boa!<br /><br />Na verdade, isso fica parecendo rasgação de seda, mas não é, simplesmente é a expressão de algo que tem se tornado muito real para mim, que se traduz no grande privilégio que encontrei aqui no Rede Psi de merecer a atenção tanto do Adalberto quanto do Tovar. Profissionais nos quais reconheço a marca do ideal, além dos amigos que têm se revelado para mim, cada um com suas características. Eu realmente tenho estado bem feliz com isso. Acho que sou uma pessoa bem sortuda.<br /><br />Tovar,<br />É verdade, a espiral traduz bem essa questão, tive um supervisor que sempre sublinhava isso, acho que é uma maneira bem interessante de abordar essa função da psicanálise. Muito bem lembrado!<br />Pois é, já demos muitos passos e vamos continuar "fazendo o caminho".<br /><br />Então rapazes inté já!<br />
denisedeschamps
Publicado: 9/8/2007 20:49  Atualizado: 9/8/2007 20:49
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
Mudou a foto? Agora está um Mastroianni.
TOVARTOMASELLI
Publicado: 9/8/2007 23:20  Atualizado: 9/8/2007 23:20
Da casa...
Usuário desde: 26/4/07
localidade: São Paulo
Mensagens: 334
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
<strong>DENISE: já que falávamos de imagens metafóricas para ilustrar o setting analítico, me lembrei de mais uma que talvez você conheça,mas enfim,prá mim também faz muito sentido: " A CADEIRA DO ANALISTA NÃO PODE SER FIXA, MAS SIM DE RODINHAS,PARA QUE POSSA GIRAR 360 GRAUS", ilustrando assim, as várias posições que podemos ocupar para o paciente durante uma sessão de análise, dentro do âmbito transferencial e contra-transferencial. Espero que lhe seja útil. Um abração,&nbsp;&nbsp; TT</strong>
denisedeschamps
Publicado: 10/8/2007 9:20  Atualizado: 10/8/2007 9:21
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
Oi Tovar! Grande metáfora! Se a conhecia, não me lembrava dela de jeito nenhum. Dá bem a idéia do quanto esse lugar deve ter flexibilidade, embora seja bem demarcado(deverá sê-lo até para que se possa movimentá-lo). Gostei! Obrigada!<br />Outro dia assisti a um filme, não é novo, mas eu não havia ainda tido a oportunidade de vê-lo, chama-se "Confidências muito íntimas"(2004 - França) e que é super interessante, embora ironize um tanto o lugar que ocupamos (se pensarmos na psicanálise na França hoje fica compreensível). Uma mulher busca a psicanálise e entra na sala errada, de um consultor de finanças, o filme se desenvolve a partir disso, ela continua indo lá e ele "atendendo-a" porque ficou interessado nela e não consegue contar a verdade. Depois ele, o consultor, acaba tendo uma "supervisão" com o psicanalista vizinho, com quem na verdade havia ela marcado a consulta. O filme traz para reflexão alguns elementos da relação transferencial de uma forma cheia de humor e delicadeza.&nbsp; Vale a indicação nesse fórum! Vc assistiu esse filme? <br />Vou trabalhar hoje com a imagem da cadeira de rodinhas. Abraços<br />
denisedeschamps
Publicado: 12/8/2007 14:37  Atualizado: 19/8/2007 1:30
Da casa...
Usuário desde: 26/5/07
localidade: Rio de janeiro
Mensagens: 389
 RE: O analista e sua função dentro do enquadre
Pensando mais sobre as rodinhas na cadeira, lembrei-me de explicar porque escolhi o termo enquadre para esse texto, ao invés de setting. Fiz essa escolha como algo que fazia parte do pretendido como a alcançar nele, demarcar o contrato desse lugar para ser ocupado pelo psicanalista, como eu disse no texto: "esse lugar que me contém", para daí poder movimentar-me livremente. A cadeira tem rodinhas, mas é um "lugar" onde só o psicanalista senta.<br />Já usei como intervenção trocar de poltrona em uma sessão e continuar no mesmo "lugar". <br />

Todos os logotipos e marcas registradas são propriedade de seus respectivos donos. Os comentários e demais publicações são de propriedade e responsabilidade de seus respectivos publicantes. Todo o resto © 2007 RedePsi
Powered by RedePsi © 2004