Relação terapeuta & paciente

Quatro profissionais discutem questões acerca do vínculo terapêutico

Para conversar a respeito da relação terapeuta/paciente, reunimos a psicóloga e psicodramatista Rachel Alvim, da Comissão de Ética do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), o psicólogo clínico Eduardo Villarom, editor da revista eletrônica Redepsi, a psicóloga Liane Zink, presidente do Instituto de Bioenergética de São Paulo, e a psicóloga e psicanalista Maria Rosa Spinelli, presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – Regional São Paulo (ABMP-SP).
Quatro profissionais discutem questões acerca do vínculo terapêutico

Para conversar a respeito da relação terapeuta/paciente, reunimos a psicóloga e psicodramatista Rachel Alvim, da Comissão de Ética do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), o psicólogo clínico Eduardo Villarom, editor da revista eletrônica Redepsi, a psicóloga Liane Zink, presidente do Instituto de Bioenergética de São Paulo, e a psicóloga e psicanalista Maria Rosa Spinelli, presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática – Regional São Paulo (ABMP-SP).
O debate começou abordando em que situações o vínculo entre terapeuta e paciente pode sair de um padrão esperado e resultar em manipulações, jogo de poder ou dependência.
“O que se pode chamar de normal na relação do terapeuta e paciente?”, questionou a psicóloga Rachel Alvim. Na sua opinião, existem normas petrificadas que vêm dos modelos psicanalítico e médico e norteiam a atuação clínica dentro da psicologia. O problema resultante dessa visão seria a falta de flexibilidade para outras abordagens e outras formas de trabalho. “Tanto é que a gente encontra muita dificuldade com alunos e até com profissionais da área para desenvolver um trabalho clínico fora do espaço do consultório”, diz Rachel. Fora do setting original, o atendimento passa a ser chamado, mesmo quando não é o caso, de clínica social.
“Seria interessante primeiro diferenciar psicanálise de psicoterapia, pois existe um estado de confusão muito grande”, propõe Maria Rosa Spinelli.
Liane Zink ressalta que, na bioenrgética, os profissionais também trabalham com os conceitos de transferência e contratransferência. “E não somos ingênuos de não saber que, com nosso toque e com os exercícios, rompemos um campo muito importante dentro da psicoterapia e temos de saber lidar com isso. Então, somos sujeitos mesmo a manipulações e às questões de poder e narcisismo.” Eduardo Villarom concorda. “Acho que a manipulação está presente em quase todo o processo psicoterápico e é comum o paciente querer de alguma forma manipular a situação.” Cabe ao analista colocar-se num lugar diferenciado para não entrar nesse jogo.

Falta terapia
Mas, afinal, como tem se dado atualmente o preparo profissional e de que recursos dispõe o recém-formado para o enfrentamento dessas questões na clínica? “Esse é um outro ponto polêmico”, sinaliza Maria Rosa, “porque o recém-formado ou o quintanista na verdade paga a supervisão e não faz necessariamente sua própria psicoterapia; e você só consegue trabalhar o outro até onde você já se trabalhou.” A facilidade de compreensão do analisando requer primeiramente uma autocompreensão. Isso é consenso entre os psicólogos. E, na impossibilidade de fazer a própria terapia, o aluno carrega para a supervisão não a dificuldade de olhar e entender o outro, mas a dificuldade de olhar a si próprio. “Esse é o grande problema que nós temos encontrado: eles sabem, têm embasamento teórico, a informação é tranqüila, mas o problema é a vivência dessa informação”, observa Maria Rosa.
Um dos motivos para o problema, já se sabe, é o contexto sociofinanceiro. E uma das soluções é apontada no debate por Liane Zink: a clínica social. O atendimento com custo diferenciado é uma prática adotada há algum tempo pela instituição que dirige.
Em seu trabalho no Conselho Regional de Psicologia, Rachel Alvim também encontrou um posto privilegiado de observação de outras questões da categoria. A dificuldade em adquirir o preparo necessário para o exercício da clínica apenas com a graduação. O despreparo não é exclusividade do recém-formado ou do estudante supervisionado, mas de profissionais habilitados que ainda não conseguiram ultrapassar um modelo estereotipado de atendimento. A maioria procura como regra seguir uma orientação de distanciamento do cliente e não consegue sequer lidar com situações prosaicas, como se deparar com o seu paciente fora da clínica.
Entretanto, as queixas dos usuários de serviços psicológicos não derivam apenas de uma incapacidade técnica. É preciso lembrar que o paciente já chega ao consultório com uma expectativa dos resultados do atendimento. Mas ele pode se frustrar e, com base exclusivamente nessa insatisfação pessoal, denunciar o profissional. E cabe aos Conselhos de Psicologia investigar todo tipo de denúncia não-anônima que ali chega, mesmo que ao fim se descubra ser infundada.

Custo–benefício
Eduardo Villarom conta que o psicanalista Contardo Calligaris, ao contar a experiência vivida nos EUA, relata que lá os pacientes ligam e perguntam quanto tempo vai levar o tratamento, quanto isso vai lhes custar e qual o prognóstico de cura. “Eu sou terapeuta há 35 anos e nunca tinha visto o paciente perguntar: quanto tempo vai levar esse nosso tratamento? E hoje em dia eu só tenho isso”, comenta Liane Zink. Precavida, Maria Rosa Spinelli adotou a tática de primeiro explicar sua conduta em cada caso. A partir daí é ela quem pergunta: “Qual seu objetivo com esse trabalho? Quanto tempo você acha que tem na vida para se dedicar a isso? E quanto dinheiro você julga que será necessário?”
Mas ainda resta a subjetividade do conceito de melhora. Eduardo Villarom lembra que, aos olhos da mãe, nem sempre o avanço significativo alcançado por seu filho, a partir da psicoterapia, representa um progresso. “Meu filho não era assim, agora está fazendo muita balbúrdia na escola”, muitas se queixam. Comunicar-se com clareza, evitando a armadilha dos jargões e da fala muito técnica, é o principal caminho para o entendimento. Maria Rosa Spinelli também sustenta o direito do paciente de interromper o tratamento no momento que quiser.
Do outro lado, resta perguntar quais são os pânicos que o terapeuta tem. “Como é que a gente se sente abusada também?”, questiona Liane Zink. Não precisa nem haver uma situação de manipulação ou de disputa de poder para colocar o profissional numa saia-justa. Rachel Alvim conta o caso de uma paciente, atendida por ela há alguns anos, que chegou relatando um relacionamento complicado com um ex-namorado. O ex-namorado da analisanda tinha, por sua vez, uma ex-namorada, que aparecia em muitos momentos nas falas da terapia. Num dado momento, Rachel descobriu – e contou à moça – que essa ex-namorada era ela própria. E isso acabou sendo, para a paciente, uma circunstância incontornável no processo terapêutico, interrompendo o tratamento. Rosa Spinelli também lembra de uma mãe controladora que chegou a lhe propor pagar parte da terapia da filha – depois de Rosa ter descoberto que estava atendendo, sem saber, mãe e filha em seu consultório – para que a psicanalista lhe fornecesse algumas informações. Nesse caso, por ética profissional, foram interrompidos os atendimentos.
Na delicada relação entre paciente e terapeuta, outras questões podem surgir. Como o abuso moral, a violência e até a agressão sexual. Na outra ponta da variada paleta de emoções que permeiam o vínculo, também está a possibilidade do amor homem/mulher. Ainda neste caso, e antes que o desfecho possa ser o altar, rezam a ética e o bom senso que o laço terapêutico se desfaça.

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One Response to Relação terapeuta & paciente

  1. Roberto Borges 8 de fevereiro de 2016 at 12:39 #

    oi tudo bem! comecei um tratamentode de terapia com uma psicologa onde que também tivémos um relacionamento foi muito bom para enguanto esta tendo esse relacionamento dentro da sala, no começo ela era só minha psicologa e depois com um tempo passou a ser minha mulher durante um ano e mei ,mas o problema era que ela era noiva e o noivo dela descobriu tudo e ela terminou comigo por força do noivo dela eu não achei justo, e hoje me encotro estrmamente destruido ,precisando de ajuda para me levantar ,se alguem poder me ajudar por favor entre em contato comigo pelo face ; meu face é Roberto Borges ou pelo email godoiborges.roberto@hotmail.com