Índice de violência entre portadores de transtornos mentais no Brasil é menor em relação ao exterior.

Comparação é feita numa pesquisa da Faculdade de Medicina que acompanhou pacientes com transtornos mentais. No estudo, 206 pacientes da cidade de São Paulo foram acompanhados durante um ano.
Comparação é feita numa pesquisa da Faculdade de Medicina que acompanhou pacientes com transtornos mentais. No estudo, 206 pacientes da cidade de São Paulo foram acompanhados durante um ano.
No Brasil, os níveis de violência e a prevalência do uso de drogas registrados entre a população com transtornos mentais são menores que os encontrados em estudos internacionais. “Nossa pesquisa envolveu 206 pacientes que vivem na comunidade, não incluindo os internados ou presos”, conta a médica Lílian Ribeiro Caldas Ratto.

Durante um ano, pacientes de sete distritos da cidade de São Paulo (escolhidos por possuírem maior assistência pública para portadores de transtornos mentais) foram acompanhados e entrevistados pela pesquisadora. “Eles tinham entre 18 e 65 anos e haviam estabelecido algum tipo de contato com o serviço público de saúde num intervalo de dois meses”, conta Lílian. Segundo ela, os resultados colocam em xeque a visão popular da existência de maior violência neste grupo.

O estudo, que é a tese de doutorado de Lílian, nasceu de um projeto do professor Paulo Rossi Menezes, no Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, que tratava do uso de drogas entre pacientes com esquizofrenia, depressão grave e transtorno bipolar. Lílian conta que durante o acompanhamento foram avaliados a estabilidade do uso de substâncias como álcool, tabaco e drogas ilícitas, ajustamento social, e conseqüências da doença para o portador.

De acordo com a médica, no Brasil há poucos estudos nessa área. Dados de pesquisas da Europa e dos Estados Unidos revelam que a prevalência do uso de drogas nessa população fica entre 20% e 75%. “Nesse estudo, o valor encontrado foi em torno de 10%”, salienta. Essa diferença pode decorrer da discrepância do tratamento dado a esses pacientes aqui e no exterior. Em países como a Inglaterra, os portadores de transtornos mentais graves são independentes, e recebem ajuda de custo do governo. No Brasil, são raros os que possuem alguma ajuda, e muitos são totalmente dependentes da família, que exerce um maior controle.

O estudo mostra que a população com transtornos mentais, além de ter um uso de drogas menor ou igual ao da população geral, pode realmente ser muito menos violenta (nenhum dos pacientes acompanhados foi preso ou esteve em uma delegacia durante o ultimo ano de acompanhamento). O consumo de álcool é semelhante (cerca de 10%), e o de tabaco muito superior.

“Existem diversas teorias para justificar o maior consumo de tabaco, de neuroquímicas – a medicação dos pacientes compete com as mesmas substâncias do tabaco, a mesma base neurológica do tabagismo e dos transtornos mentais – a sociais – o cigarro seria um passatempo”, afirma Lílian.

Lílian observou nos pacientes seu funcionamento social, como interesse pelo trabalho e papel na família, verificando as principais áreas prejudicadas. “Percebemos que os que usavam substâncias estavam mais socialmente preservados que aqueles que não tinham nenhum uso, e possuíam menos sintomas da doença”, relata a médica. “Dois terços dos participantes apresentaram comprometimento do funcionamento social, como hipoatividade, isolamento social e dificuldade em participar nas atividades de casa. A capacidade de conseguir trabalho e o papel sexual foram as áreas mais afetadas”, conta Lílian.

Fonte: [url=http://www.usp.br/agen/repgs/2006/pags/057.htm]www.usp.br[/url]

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