Depressão preocupa entre profissionais da educação

Cresce o número de casos da doença entre professores das redes municipal e particular. Situação também é grave no ensino superior.
Cresce o número de casos da doença entre professores das redes municipal e particular. Situação também é grave no ensino superior.
Um seminário entre profissionais da área de saúde, realizado ontem em Ponta Grossa, teve por objetivo aumentar o debate sobre um problema que tem se tornado cada vez mais comum: a depressão. Psicólogos, médicos e administradores se reuniram para conversar sobre os casos da doença que têm afastado cada vez mais trabalhadores do serviço. Apesar de a discussão ter abrangido várias áreas de atuação, os profissionais da educação tiveram destaque especial. A psicóloga Sara Soriano Meister, palestrante do evento, tentou explicar porque tantos professores, e outros trabalhadores da área, têm abandonado as escolas para iniciar tratamento médico.

De fato, devido à solicitações cada vez mais freqüentes dos professores, a Secretaria de Educação de Ponta Grossa criou uma sessão para tratar exclusivamente de casos de depressão, estresse e pressão no trabalho. Atualmente, dos quase dois mil trabalhadores em educação contratos pelo Município, 111 recebem atendimento especial do Serviço de Psicologia e Apoio Social. Embora hoje o número já seja preocupante, no ano passado mais de 200 pessoas chegaram a ser acompanhadas mensalmente.

Mas o problema com professores depressivos não acontece unicamente no ensino público. Apesar de não apresentar números, a representante regional do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Sandra Mongruel, afirma que é expressivo o número de trabalhadores afastados do serviço por conta da doença. “Não existe muita diferença entre professores da rede particular e pública. Nos dois meios os profissionais precisam lidar com a pressão constante, com o grande número de alunos em sala e, agora sim especificamente nas particulares, com a cobrança dos supervisores”, relata.

No ensino superior o quadro é praticamente o mesmo. Somente em 2006, a Universidade Estadual de Ponta Grossa encaminhou para aposentadoria por invalidez quatro trabalhadores com depressão profunda. A chefe da seção de Assistência e Promoção Social da UEPG, Sônia Gomes dos Santos, acredita que entre 3 e 4% dos 1,7 mil trabalhadores da instituição estão ou já estiveram com depressão ou estresse agudo. “A situação é bem mais complicada do que se pensa. O número de pessoas doentes vem aumentando gradativamente e de forma preocupante”, destacou.

No encontro que debateu a fundo a depressão, a psicóloga Sara Meister afirmou que, em alguns casos, o afastamento do trabalho não é a melhor alternativa para o paciente. Apesar de confirmar a gravidade do problema, ela diz existe um pouco de confusão para definir quais são realmente os casos de depressão. Ela recomenda que as pessoas consideradas doentes procurem uma reconciliação consigo mesmas, valorizando a própria vida e estipulando novos desafios. De qualquer forma, antes que a situação chegue a graus críticos, sempre é recomendado procurar auxílio profissional.

Fonte: [url=http://www.abpbrasil.org.br/clipping/exibClipping/?clipping=3516]www.abpbrasil.org.br[/url]

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