Manifestação: contra o descaso com a Febem

Integrantes do Cedeca Interlagos ficam “enjaulados” aos pés da árvore de Natal do Ibirapuera, em protesto ao descaso público com a Febem
Integrantes do Cedeca Interlagos ficam “enjaulados” aos pés da árvore de Natal do Ibirapuera, em protesto ao descaso público com a Febem
Nos últimos dias, várias denúncias de espancamento dos internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) foram registradas. Numa delas, um garoto sofreu descolamento de retina, que o deixou cego. Em outra, internos urinavam sangue depois de terem levado vários chutes no abdômen. Protestando contra essas violações, o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Interlagos realizou um protesto que durou 48 horas (entre os dias 28, 29 e 30/11). O objetivo foi questionar os valores da Febem e de seus responsáveis.

Integrantes do Cedeca montaram uma prisão simbólica, uma ‘jaula’, no meio do canteiro da Avenida Pedro Álvares Cabral, em frente à Câmara dos Deputados Estaduais de São Paulo e bem embaixo da árvore de Natal do Ibirapuera, onde ficaram “presos” para simbolizar a contenção dos direitos da criança e do adolescente. No símbolo, também estão representadas outras duas negligências do Estado: a falta de políticas sociais para a família e o bairro dos jovens assistidos em meio aberto, em Liberdade Assistida ou em Prestação de Serviço à comunidade. “Não adianta a Febem tentar fazer um trabalho com a molecada, se quando ela retorna para seu bairro é induzida e ou até obrigada praticar crimes”, explica Fabio Silvestre, um dos diretores da entidade.

Neste protesto silencioso, “denunciamos a omissão do Governo Estadual e Municipal perante a não municipalização das medidas sócio-educativas em meio aberto”, diz Fábio. Segundo ele, o Cedeca entende que a política mantida pelo Estado vai na contramão da recuperação de jovens e crianças internos da Febem. “Das 31 regiões de São Paulo, apenas três estão aprovadas: Sapopemba, Brasilância e Cidade Ademar.”

Outra negligência questionada foi ao subsídio oferecido para a assistência em meio aberto. Enquanto um jovem custa em torno de R$ 300,00 / mês à Febem, o poder público só paga R$ 120,00 ao Cedeca, que atende hoje mais de 300 jovens e precisa buscar o complemento em outras fontes.

Fez parte desta manifestação a entrega de uma pasta de acompanhamento de adolescentes para uma organização não-governamental de reciclagens. Uma proposta simbólica da ampla reciclagem da Febem, compreendendo uma mudança na estrutura dos grandes complexos, que deveriam ser menores e com uma arquitetura que proporcionasse o acompanhamento mais pessoal da cada interno, o fim da tortura, o cumprimento de medidas sócio-educativas pedagógicas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Sistema Nacional de Acompanhamento Sócio-Educativa (SINASE).

Uma outra barreira tão forte quanto os deputados e vereadores é a da própria sociedade. Como em toda intervenção urbana, as pessoas que lá passavam, assobiavam, davam ‘tchauzinho’ e até houve aqueles que disseram “vão trabalhar, vagabundos!”, ou ainda “Mata os Febem”.

Quando deixou o local, o grupo do Cedeca se dirigiu à sede da Febem para entregar duas pastas: uma com os sonhos dos adolescentes e outra com as criticas e denúncias dos próprios adolescentes contra as normas da Fundação e de seu respectivo governo. O grupo entregou também o convênio de Liberdade Assistida à Fundação. Ou seja, devolveu as pastas de todos os adolescentes já atendidos pelo centro, que em sete anos somam mais de cinco mil adolescentes.

Fonte: [url=http://www.revistaviracao.com.br/pilulas/blog.php#texto,30_11_2006,cedeca]www.revistaviracao.com.br[/url]

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