Estudo das estratégias adaptativas utilizadas por crianças e adolescentes diante das adversidades da vida

Resumo

Este artigo se insere no campo da Psicologia Social, cuja linha é o desenvolvimento da capacidade de crianças e adolescentes em lidar de maneira positiva com as adversidades da vida. Assim, ela visa analisar os modelos de estratégias adaptativas usadas por esses atores sociais, nessa situação através da literatura cientifica. Com ele buscaremos salientar a necessidade de tornar possível a compreensão sobre crianças e adolescentes com a capacidade de enfrentar positivamente as dificuldades apesar do impacto negativo da adversidade, as condições físicas, sociais e econômicas a que estão inseridos, os perigos que podem encontrar e os mecanismos de defesa que criam para alcançar a estabilidade. Assim os resultados podem fornecer subsídios aos estudantes, professores e profissionais da psicologia social e programas de cursos para que os conceitos, as pesquisas e as políticas de proteção e prevenção em psicologia sejam ampliados.

Palavras – chave: adaptação, vulnerabilidade, situação de risco e resiliência.

Introdução

Um individuo será considerado em meio às adversidades quando um evento estressor acarretar mudanças internas e/ou externas a partir da interpretação, percepção, recursos adaptativos e a história pregressa que o indivíduo possui

A história mostra que os riscos e as adversidades sempre estiveram presentes em qualquer tempo e cultura, entretanto, há eventos que no século passado eram considerados prejudiciais, hoje podem não ser reconhecidos como tais devido a multiplicidade de interpretações dos fatos que envolve o pertencimento a diferentes estratos sociais, raça, gênero, faixa etária, grupo cultural e período histórico.São inúmeros os fatores que provocam adversidades, dentre esses eventos que mais causam estresse no adolescente e na criança, é possível classificar as seguintes dimensões: socioeconômica familiar, relacionamento familiar, problemas de saúde na família, vida escolar, amigos, namoro e comunidade. A vida de crianças e adolescentes gera vários índices de estresse, riscos freqüentes e intensos  testam permanentemente a vulnerabilidade social, no entanto, exige que eles sejam resilientes e desenvolvam estratégias, tenham força para lidar com o importuno e para se adaptar (DONALD & SWART – KRUGER, 1994).           

Método e Técnicas

A pesquisa constitui-se em buscar fontes secundárias, que abrangem algumas bibliografias já tornadas públicas em relação ao tema de estudo com a finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que já foi produzido (LAKATOS, 2005). A pesquisa bibliográfica não tem como objetivo fazer repetições de assuntos já abordados, e sim dar um maior enfoque com novas conclusões. Além das bibliotecas escolares e universitárias, o estudo também foi realizado em bibliotecas especializadas e gerais que foram úteis para a construção do tema abordado nesta pesquisa (Almeida, 1995), além do uso de sites científicos. No que se refere ao modelo de amostragem, partiu-se do pressuposto de que uma pesquisa geralmente não é feita com todos os elementos que compõem uma população, por isso foi selecionada uma parte dela (SELLTIZ, HET). Estas amostras foram escolhidas de acordo com os temas relacionados aos estudos das estratégias adaptativas utilizadas por crianças na rua em situação de risco.  A seleção de amostras representativas é a característica que faz o modelo de amostragem ser não-probabilístico intencional (RUDIO, 1986).O instrumento de coleta de dados foi através da pesquisa bibliográfica a qual se baseia em fontes secundarias como dois artigos, especificamente explorando a vida de indivíduos em seu espaço vivido, além de quatro leituras usadas para fundamentar metodologicamente a pesquisa às fontes livros, artigos, busca de dados. A análise documental se constitui no conjunto de operações que visam representar o conteúdo de um documento (BARDIN, 1997). Ao mesmo tempo em que a interpretação foi a atividade intelectual que deu um significado mais amplo às respostas vinculando-as a outros conhecimentos os expondo, o verdadeiro significado do material apresentado, em relação aos objetivos propostos e ao tempo. Na fase de análise e interpretação, a pesquisa constituiu-se como crítica de interpretação, a qual se caracterizou em compreender um texto e entender o que o autor quis dizer com os problemas que postulou e a soluções que propôs para os mesmos (ASTI, Vera, 1979). A pesquisa também se constituiu como critica ao valor interno do conteúdo o qual aprecia a obra e forma um juízo sobre a autoridade do autor e o valor que representa, o trabalho e as idéias nela contida (LAKATOS,2001).

Resultados e Discurssões

Os adolescentes e crianças constroem sua rotina em função de suas atividades e do uso dos espaços de vida, esse processo é progressivo e esta ligada ao aprendizado que eles vão desenvolvendo em seus espaços de vida. Uma importante habilidade demonstrada pelo adolescente é a facilidade em estabelecer diversas redes de apoio (PESCE & ASSIS, 2005). Estes fatores consistem em mecanismos de proteção e recursos os quais as crianças e adolescentes dispõe na sua rede de apoio social e afetiva. Por outro lado, eles demonstram varias habilidades para lidar com riscos, compensando suas dificuldades com estratégias que exigem competência e autonomia. Relativiza os eventos negativos que passou contando momentos bons de sua vida, não se fixando no sofrimento nem se colocando como vítima da situação (PESCE & ASSIS, 2005). Pelo fato das crianças e adolescentes disporem de menos recursos adaptativos do que os adultos, elas fazem uso da inação que é caracterizada pela falta de ação para lidar com as adversidades. A morte,  algumas vezes para a criança e para o adolescente, pode apresentar como uma saída do sofrimento, esta podendo ser em nível de fantasia, imaginário, no mundo real ou no cotidiano do seu viver por meio de atos e comportamentos explícitos. Cyrulnik (2004) destaca a importância das metamorfoses provocadas pelos traumas que podem ser revestidos através da ressignificação e reelaboração, reduzindo o impacto provocado por estresse ou infortúnios ocorridos com crianças, adolescentes e suas famílias. Para alguns indivíduos, as experiências adversas inscrevem-se na memória com uma precisão espontânea e uma colaboração muito intensa, tornando-se um rígido cerne da narrativa, mas o motor que move a narrativa é o individuo em direção a elaboração e metamorfoses. Essa forma de reagir ao estresse é configurada pelo ser humano desde o período intra-uterino e desenvolve-se até sua morte. Em caso de morte dos pais ou cuidadores, a criança representa a perda e descobre meios para enfrentar a realidade através da encenação do evento vivido por meio do desenho, da narrativa, do jogo ou do teatro.

Werner (1992) apresenta uma classificação feita através de uma síntese de trabalhos empíricos, agrupando assim 145 estratégias, de acordo com algumas características comuns foi possível reduzir esse numero para 15 categorias de Coping: atividades agressivas, comportamento de evitação, comportamento de distração, evitação cognitiva, distração cognitiva, solução cognitiva de problemas, reestruturação cognitiva, expressão emocional, resistência, busca de internação, atividades de isolamento, atividades de autocontrole, busca de suporte social, busca de suporte espiritual e modificação do estressor. O comportamento de evitação pode ser a única alternativa razoável para uma criança lidar com uma situação fora de seu controle enquanto que nos eventos com pares as estratégias de ação agressiva e busca de apoio são mais freqüentes (DELL’AGLIO, 2002). As agressões vivenciadas e/ou presenciadas por crianças e adolescentes se manifestam principalmente através de comportamentos agressivos. A vivência de tais situações adversas desencadeia nos indivíduos diferentes respostas, algumas adaptativas, outras que os expõem a riscos ainda maiores.

Considerações Finais

Eventos como estes até aqui citados têm contribuído com uma grande variedade de distúrbios mentais e físicos que acometem crianças e adolescentes que vivenciam com maior freqüência o risco e o estresse, um exemplo disso está no baixo nível sócio-econômico. Dentre outras situações que caracterizam famílias pobres e que operam com fatores de alto-risco, podem-se citar a baixa remuneração parental, a baixa escolaridade, as famílias numerosas e a ausência de um dos pais (HUTZ, KOLLER & BANDEIRA, 1996). Nessa perspectiva, a literatura menciona a família tanto como um fator de proteção como um fator de risco, pois por um lado, a hostilidade e a negligência parental contribui para o aparecimento dos distúrbios de conduta, assim também como as práticas afetivas e um bom funcionamento familiar favorece a criança e o adolescente resultando uma boa condição para seu desenvolvimento. Essa justificativa se dá ao se considerar que a família é o grupo social básico do individuo. (ROBINSON, HAYDES & MANTZ – SIMONS, 2000). É necessário salientar que o potencial de resistência não é desestruturado pela carência sócio-econômica apesar do comprometimento de ordem emocional e relacional. A interferência se dá em vários outros fatores que aqui foram abordados, além de aspectos como a morte de pais, amigos e irmãos; nascimento de novos membros na família; violência psicológica partindo de adultos e violência urbana. Neste sentido as adversidades de vida funcionam para elas (as crianças) como uma espécie de desafio de constituição subjetiva. Com isso, a criança e o adolescente buscam uma série de estratégias que possam levá-la à superação dos mesmos bens como uma tentativa de socialização através das relações que elas mantêm com o espaço de vida e com o outro. Para isso torna-se fundamental identificar como e quais as estratégias utilizadas por estes sujeitos para sobreviver no processo de desenvolvimento da sua vida.                            

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