Avaliação cognitiva, emocional e disponibilidade e adequação de suporte familiar e social de idosos assistidos no ambulatório do Hospital São Julião, Campo Grande, MS.

Fundamento

A população idosa apresenta um crescimento sem precedentes na história. Ao redor do mundo já são 476 milhões de pessoas com 65 anos ou mais de idade1. Este segmento da população passa por um processo natural de envelhecimento, gerando modificações que podem provocar algumas doenças e também alterações fisiológicas do organismo, diminuindo sua capacidade física e cognitiva2. Na presente pesquisa, realizou-se uma avaliação das condições cognitivas, emocionais e disponibilidade e adequação de suporte familiar e social de idosos assistidos no ambulatório do Hospital São Julião, Campo Grande, MS.
Depressão: A depressão é o problema de saúde mental mais comum na terceira idade, tendo impacto negativo em todos os aspectos da vida, sendo assim de grande relevância na saúde pública3. Para o rastreamento de sintomas depressivos, utilizou-se a Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage, com 15 itens (EDG-15)4.

Suporte Familiar e Social: Nas últimas décadas, o conceito de suporte social ganhou importância nos meios científicos, já que diversos estudos vêm apontando sua relação com o desenvolvimento e manutenção de diversos aspectos psicológicos do ser humano, tais como a auto-estima, dentre outros. O suporte social pode ser considerado como uma construção multidimensional, que envolve componentes variados e distintos, relacionando-se a mediadores entre o meio ambiente e seus efeitos no comportamento, bem-estar e saúde geral/mental.5. Para avaliação da disponibilidade e adequação de suporte familiar e social, foi utilizado o Inventário de Suporte familiar e social.

Demência: A Demência não é sinônimo de velhice, pois pode ser contraída em qualquer idade. Entretanto, a probabilidade de desenvolver a doença aumenta com a idade6. O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) destaca-se, em nível mundial, como um dos principais instrumentos utilizados para rastreamento de comprometimento cognitivo em pacientes geriátricos. Para o presente estudo, foram seguidas as sugestões para a utilização do MEEM no Brasil7.

Palavras-chave: Idosos. Demência. Depressão. Suporte familiar e Social.

Objetivo:

Avaliar as condições cognitivas, emocionais e disponibilidade e adequação de suporte familiar e social de idosos assistidos no ambulatório do Hospital São Julião, Campo Grande, MS.
Delineamento: Esta pesquisa se trata de um estudo descritivo, de corte transversal, orientado pelo método quantitativo em pesquisa. Para a análise estatística, utilizamos o programa Epiinfo versão 3.4.3, bem como fórmulas matemáticas.

Participantes:Participaram da pesquisa 78 (n=78) idosos. A amostra foi composta por 33 homens (42,3%) e 45 mulheres (57,5%), que foram avaliados no ano de 2007. A idade variou de 60 a 100 anos (mediana = 73 anos). Os participantes foram divididos em 5 subgrupos referentes a seu nível educacional. Grupos 1 – Analfabetos (n=28 (35,9%)); Grupo 2 – 1 a 4 anos de estudo (n=18 (23%); Grupo 3 – 5 a 8 anos de estudo (n=20 (25,6%)); Grupo 4 – 9 a 11 anos de estudo (n=10 (13%)) e Grupo 5 – Mais de 11 anos de estudo (n=2  (2,5%)).  

Resultados:

Da população estudada (n=78), 21 participantes (26,9% (M=12 (15,4%) H=09 (11,5%)) apresentaram possíveis comprometimentos cognitivos. Destes, 90,5% apresentavam escolaridade entre 0 e 8 anos de estudo, e 9,5% apresentavam escolaridade entre 9 a > ou igual a 11 anos de estudo, com idades com mediana de 70,5 anos.

Tabela 1. Avaliação de comprometimentos cognitivos por sexo, escolaridade e com mediana de idade (MEEM)


Comp. Cognitivo

MulheresM(Sim)

HomensH(Sim)

Analfabetos(Sim)

1 a 4 anos de estudo(Sim)

5 a 8 anos de estudo(Sim)

9 a 11 anos de estudo(Sim)

> a 11 anos de estudo(Sim)

Mediana de idade (Sim)

Sim

Não

12

09

06

03

10

02

00

70,5

21

57

 

 

 

 

 

 

 

 

%

%

%

%

%

%

%

%

%

M

H

26,9

73,1

15,4

11,5

7,6

3,9

12,9

2,5

00

71

69

49 participantes (62,3% (M=28 (35,9%) H=21 (26,9%)), com mediana de idade de 73,5 anos, apresentaram disfunção leve ou ausente em seu suporte familiar. 14 participantes (17,9% (M=09 (11,5%) H=05 (6,4%)), com mediana de idade de 68,5, apresentaram disfunção moderada em seu suporte familiar. 15 participantes (19,2% (M=08 (10,2%) H=07 (9,0%)), com mediana de idade de 70 anos, apresentaram disfunção acentuada em seu suporte familiar.

Tabela 2. Avaliação do Suporte Familiar por sexo e idade (Inventário de Suporte Familiar e Social)



Disfunção leve ou ausente

Mediana de idade

 

Disfunção moderada

Mediana de idade

 

Disfunção acentuada

Mediana de idade

49

73,5

 

14

68,5

 

15

70

%

 

 

%

 

 

%

 

62,3

 

 

17,9

 

 

19,2

 

M

H

 

 

 

M

H

 

 

 

M

H

 

 

28

21

 

 

 

09

05

 

 

 

08

07

 

 

%

%

 

 

 

%

%

 

 

 

%

%

 

 

35,9

26,9

 

 

 

11,5

6,4

 

 

 

10,2

9,0

 

 

Quanto ao Suporte Social, 41 participantes (52,5% (M=25 (32,0%) H=16 (20,5%)), com mediana de idade de 73,5 anos, apresentaram disfunção leve ou ausente em seu suporte social. 17 participantes (21,8% (M=07 (9,0%) H=10 (12,8%)), com mediana de idade de 69 anos, apresentaram disfunção moderada em seu suporte social. 20 participantes (25,6% (M=12 (15,4%) H=08 (10,2%)), com mediana de idade de 68 anos, apresentaram disfunção acentuada em seu suporte social.

Tabela 3. Avaliação do Suporte Social por sexo e idade (Inventário de Suporte Familiar e Social)


Disfunção leve ou ausente

Mediana de idade

 

Disfunção moderada

Mediana de idade

 

Disfunção acentuada

Mediana de idade

41

73,5

 

17

69

 

20

68

%

 

 

%

 

 

%

 

52,5

 

 

21,8

 

 

25,6

 

M

H

 

 

 

M

H

 

 

 

M

H

 

 

25

16

 

 

 

07

10

 

 

 

12

08

 

 

%

%

 

 

 

%

%

 

 

 

%

%

 

 

32,0

20,5

 

 

 

9,0

12,8

 

 

 

15,4

10,2

 

 

18 participantes (23,0% (M=12 (15,3%) H=06 (7,7%)), com mediana de idade de 68,5 anos, apresentaram depressão.


Tabela 4. Avaliação das condições emocionais por sexo e idade (EDG-15)


 Depressão 

Sim

Não

 18

60

%

%

23,0

77,0

M

H

M

H

12

06

33

27

%

%

%

%

15,3

7,7

45,0

55,0

Mediana de idade

Mediana de idade

68,5

73

Conclusão:

A análise dos instrumentos utilizados nas avaliações aponta que os idosos participantes da pesquisa apresentaram baixos índices de possíveis comprometimentos cognitivos, emocionais e em seu suporte familiar e social, o que demonstra que a maioria encontra-se em um bom estado de saúde. Os instrumentos utilizados nesta pesquisa demonstraram eficácia quanto ao rastreamento de possíveis comprometimentos cognitivos, emocionais e em seu suporte familiar e social da população idosa.


Referências bibliográficas

1. LIMA-COSTA, Maria Fernanda; MATOS, Divane Leite; CAMARANO, Ana Amélia. Evolução das desigualdades sociais em saúde entre idosos e adultos brasileiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 1998, 2003). Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro,  v.11,  n.4,  p.941-950, 2006. 

2. RUWER, Sheelen Larissa; ROSSI, Angela Garcia; SIMON, Larissa Fortunato. Equilíbrio no idoso. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. São Paulo, v. 71, n. 3, p. 298-303, 2005.

3. FERRARI, Juliane F.; DALACORT, Roberta R.Uso da Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage para avaliar a prevalência de depressão em idosos hospitalizados. Scientia Medica. Porto Alegre, v. 17, n. 1, p. 3-8, jan./mar. 2007.

4. PARADELA, Emylucy Martins Paiva; LOURENÇO, Roberto Alves; VERAS, Renato Peixoto.Validação da escala de depressão geriátrica em um ambulatório geral. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 39, n. 6, p. 918-923, 2005.

5. BAPTISTA, Makilim Nunes. Desenvolvimento do Inventário de Percepção de Suporte Familiar (IPSF): estudos psicométricos preliminares. Psico-USF. Itatiba, v. 10, n. 1, p. 11-19, jan./jun. 2005.

6. STUART-HAMILTON, Ian. A psicologia do envelhecimento: uma introdução. Porto Alegre: Artmed, 2002.

7. BRUCKI, Sonia M.D. et al. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arquivos de Neuropsiquiatria. São Paulo, v. 61(3-B), p.777-781, 2003.     

Autoras:
* Camila Sichinel Silva da Cunha Souza;
* Inês Perez Mello;
* Rosa Elena de Souza Oliveira Rezende.

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