Incidência do uso de Antidepressivos nos pacientes submetidos à cirurgia cardíaca

O paciente de cirurgia cardíaca apresenta muitas necessidades e exige um cuidado específico e esclarecido por apresentar uma crise de vida importante no processo de associação do coração com a vida e a morte, intensificando desta maneira suas necessidades emocionais e psicológicas demonstradas pelo stress e desconhecimento da cirurgia e complicações posteriores.
Romano (2001), salienta que a doença do coração é muito peculiar em relação às outras porque o órgão lesado é justamente o mais precioso do paciente. Para o coronariopata, essa sensação encontra-se exarcebada pela vivência e crença de que ele é “inquebrável”, poderoso, brilhante, até o evento mórbido.

Refere ainda que após o diagnóstico, o paciente tende a rever o significado de sua vida, suas crenças e seus valores, entrando nesse período de prostação emocional e tristeza, intensificando e agravando o seu quadro patológico.Barreto (2001) afirma que os pacientes submetidos à cirurgia cardíaca são cada vez mais graves: têm idade progressivamente mais avançada, cuja implicação mais óbvia é a de que tragam consigo maior prevalência de co-morbidade de outros órgãos como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), diabete e doença cerebrovascular; mesmo na ausência de doença clinicamente aparente, esses pacientes têm menor reserva funcional de, virtualmente, cada sistema orgânico.

Além disso, alerta que os pacientes encaminhados para cirurgia cardíaca, atualmente, apresentam doença cardíaca mais severa, caracterizada por maior prevalência de disfunção ventricular e de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) e maior freqüência de reoperações.Smeltzer & Bare (2005), reforçam que o cuidado pós-operatório inicial de cirurgia cardíaca requer atenção, paciência e cuidados específicos e criteriosos por parte da equipe, e, alguns pacientes podem ter dificuldade no aprendizado e na retenção de informações depois da cirurgia. O paciente pode experimentar perda de memória recente, espectro de atenção curto, dificuldade com operações matemáticas simples, escrita deficiente e distúrbios visuais. Os pacientes com essas dificuldades em geral ficam frustrados quando tentam retomar as atividades normais e aprender como cuidar de si próprios em casa.

O paciente e a família são tranqüilizados de que a dificuldade é temporária e diminuirá, em geral, em a 8 semanas.Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2000), a depressão pode ser considerada uma epidemia e, possivelmente, será uma das principais causas de morte no mundo em 2020. Para Guimarães (2002), a depressão caracteriza-se por um estado de prostação emocional e tristeza, com diminuição da atividade, da iniciativa e paralisação da decisão, manifestada através de sintomas físicos como a preocupação que poderá desencadear uma taquicardia.A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2001), defende que devemos atentar para os sintomas depressivos que podem afetar as pessoas em qualquer fase da vida, embora a incidência seja maior nos indivíduos adultos. Moreno (2003), diz que a depressão situa-se entre as doenças mais comuns do homem e, acredita que a mesma, afeta as pessoas de ambos sexos em quaisquer idades, mas na fase reprodutiva é duas vezes mais freqüente em mulheres.

É causada por uma somatória de múltiplos fatores (sociais, psicológicos, profissionais, de saúde física) que geralmente levam a desencadear a doença em pessoas geneticamente vulneráveis. Afirma ainda que é há muito considerada o principal fator de risco para complicações cardíacas em pacientes cardiopatas. A mortalidade em pacientes com doença cardíaca com depressão é 1,6 a 3 vezes maior que em pacientes com doença cardíaca não-deprimidos, mesmo após ajustar variáveis como tabagismo, pressão arterial, uso de álcool e índice de massa corporal.

Diante de tais evidências, fica compreendida a importância e gravidade da doença cardíaca juntamente com complicações externas aliadas como a depressão, tornando-se imprescindível, ao meu ver, uma interação dos profissionais da saúde para tratar tal patologia antes de tornar-se epidemia conforme estimativas para o ano de 2020. É importante compreendermos o contexto social que originou a doença para então estabelecermos uma relação entre a gravidade da doença e seu impacto psicológico para o paciente, não esquecendo das suas crenças, seus valores e o tipo de informações fornecidas ao mesmo e à sua família. 

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