Atendimento psicológico multidisciplinar de uma paciente com sequelas de um acidente vascular encefálico

7ª Jornada de Análise do Comportamento – UFSCar. 2008


Hintze, Simone S.[1]; Baptista, Adriana S. D.[1]; Pereira, Ada R.[1]
simone_silverio1@hotmail.com

[1]Centro Universitário Hermínio Ometto – Uniararas

A Terapia Comportamental é uma área de atuação da Psicologia que fornece elementos para a compreensão dos comportamentos humanos através dos fatores filogenéticos, ontogenéticos e culturais presentes no contexto em que o indivíduo está inserido,
considerando os estilos de vida e a relação que este mantém com o meio, através da aplicação de procedimentos e técnicas comportamentais, que contribuem para melhorar suas condições de vida. Dessa maneira, este estudo tem o objetivo de apresentar um caso de uma paciente que sofreu um Acidente  Vascular Encefálico, grau I (AVE) – frontal esquerdo, há dois anos, apresentando seqüelas do lado direito do corpo como, diminuição e perda de sensibilidade da face e dos membros inferior e superior com sensações de formigamento e baixa temperatura em membro  superior; afasia da fala; dificuldade de comunicação e falta de entendimento; perda de audição; coordenação motora e mastigação prejudicada; diminuição de paladar e olfato  e também perda de memória. A paciente é atendida em uma Clínica-escola de Fisioterapia e recebe acompanhamento psicológico de estagiários que participam de um projeto de extensão de Psicologia da Saúde, tendo como base a abordagem comportamental. Os atendimentos psicológicos realizados possibilitam a experiência da prática clínica para os alunos a partir do 5º período do curso de psicologia. A paciente em questão é do sexo feminino, com 36 anos. Foi encaminhada ao serviço de psicologia por intermédio do setor de neurologia e piscina terapêutica, com a queixa de que a “paciente às vezes chora na terapia e às vezes vem muito triste e isso está atrapalhando no andamento do tratamento”. Durante o processo de coleta de dados foram identificadas as seguintes queixas: chora durante a terapia por considerar os exercícios difíceis, por não aceitar a doença, pelo fato de  cair com muita freqüência e por não conseguir guardar os utensílios domésticos nos lugares pré determinadosantes do problema de saúde. No início do processo psicoterapêutico foi trabalhada a queixa referente ao choro, acompanhando a paciente em atendimento fisioterápico e discutindo com a estagiária sobre as atividades e suas funcionalidades, intervindo posteriormente com a paciente, informando-a sobre este processo. Em relação às quedas, foram discriminadas com a paciente, quais eram os estímulos antecedentes (sensações como tontura, peso nas pernas, formigamentos) que ela identificava antes das quedas, nomeados como “brancos”, de modo que se objetivou aumentar seu repertório comportamental a fim de proteger-se nas quedas. Quanto à queixa de guardar os utensílios, avaliou-se a memória através de jogos, em que paciente junto à terapeuta puderam identificar as limitações presentes nessa situação, sendo posteriormente investigadas no contexto “lar”, observando  que a paciente apresentava um déficit de atenção na realização de atividades extensas e, por meio de generalização, passou a realizar suas atividades domésticas de forma fracionada, objetivando uma maior concentração da atenção, em que as respostas eram reforçadas à medida que o comportamento esperado era alcançado. Considerou-se que a paciente obteve avanços significativos, uma vez que se encontra em processo terapêutico, com o intuito de adaptar-se a novas condições de vida, recuperando e melhorando seu repertório comportamental, desenvolvendo sua autonomia para discriminar os comportamentos que influenciam em seu processo de recuperação.   
 
Palavras-chave: clínica-escola, psicologia comportamental, psicologia da saúde.
Uniararas 

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