Filosofia da mente e neurociência: Visão materialista do mental

Este texto foi produzido a partir de diversos estudos e discussões realizadas no Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas da cidade de Rio do Sul/SC. O principal objetivo deste trabalho é o de apontar brevemente o foco principal desta área do conhecimento tão ampla, fazendo uma interface entre a perspectiva do monismo-materialista e a Neurociência.

A Filosofia da Mente tendo seu marco inicial no final da década de 1940 e início da década de 1950 continua caminhando em direção as descobertas contemporâneas acerca da natureza da mente. Esta área relativamente nova possui em seu leque de discussões uma ampla interlocução com as diversas áreas do conhecimento como a Psicologia, a Neurociência, a Lógica, a Linguística e as Ciências Cognitivas.   Um grande propulsor destas discussões filosófico-científicas foi Gilbert Ryle, que a partir de sua obra publicada em 1949 The concept of mind impulsionou outros pesquisadores e teóricos a tentar solucionar problemas milenares como a “mente”, “subjetividade” e “inteligência”.

A partir daí outros teóricos como, Daniel Dennett, John Searle, Donald Davidson, Thomas Nagel e o casal Churchland, começaram a desenvolver seus trabalhos das discussões até hoje vigentes.  A partir de questões ainda não completamente resolvidas, foi possível verificar que muitos filósofos da mente ainda lutam por uma definição de mente e dissolução do problema mente-corpo, e como resultado disto, para a resolução de termos advindos da Psicologia. Mais precisamente, a Filosofia da Mente preocupa-se com a análise conceitual de teorias por meio de uma investigação científica. Como resultado de discussões surgidas no escopo desta área do conhecimento voltadas para o esforço em desfazer a idéia de termos mentalistas, posicionamentos foram se configurando, e dentre eles, a postura monista ou como alguns preferem chamar, o materialismo, tem sido o grande desafio para os cientistas da mente.

A sustentação de seus argumentos filosófico-científicos vem sendo demonstradas pela refutação de adeptos de posições dualistas e agnósticas a partir das descobertas da Neurociência. Aparentemente, a posição monista não estaria enfrentando maiores problemas no que se refere as suas observações de métodos experimentais confiáveis. Tampouco, preocupa-se com o que chamamos de problema da causação mental, uma vez que esta se baseia na idéia de que estados mentais causam alguma reação física no cérebro, como acreditam os dualistas. No entanto, o monismo percebe sua teoria como aquela que conseguiria resolver todos os problemas encontrados pela Filosofia da Mente, inclusive os conceituais, o que mostra sua ingenuidade ao esquecer-se de que, como nos fala o Prof. João Teixeira, ao produzir ciência não podemos separar qualquer feito científico dos termos e conceitos utilizados para explicá-la. Ou seja, o fazer científico deve se pautar em comprovações empíricas cujos resultados não comprometam a linguagem que se utiliza para argumentá-la. Sobretudo, não bastam haver investigações científicas sem que para isso haja uma análise conceitual do seu objeto de estudo. 

Nesta mesma linha de pensamento, as posições materialistas têm em comum a idéia de que não é possível fazer uma divisão entre mente e cérebro. Dentre elas pode-se citar o Materialismo Eliminativo, Reducionista e Teorias da Identidade em que cada uma defende o conceito de mente a partir de uma perspectiva monista, isto é, consideram que mente e cérebro não podem ser consideradas como substâncias diferentes. Tais posições acreditam que a Neurociência poderá em um futuro não muito distante comprovar seus postulados, quais sejam a de encontrar todos os correlatos neurais para os estados mentais. Teríamos a certeza de quais regiões cerebrais estão envolvidas quando pensamos em uma vaca amarela, como também, olhando para o cérebro (através de fMRI ou PET-Scan, SPECT) afirmar que o sujeito estava, de fato, pensando em tal conteúdo! Dessa forma, a Neurociência é a ciência do cérebro que promete enterrar todas as dúvidas geradas pela ciência filosófica. Com o advento de técnicas de neuroimagem será possível pôr em xeque qualquer dúvida gerada pela linguagem psicológica, ou para alguns a folk psychology. Partindo da idéia de que todo o comportamento possui uma base biológica, todas as sensações subjetivas poderão ser traduzidas em estados físicos ou cerebrais.  Texto de Luciane Simonetti e Thiago Strahler RiveroSobre os autores: Luciane Simonetti é graduanda do curso de Psicologia da UNIDAVI / Rio do Sul-SC e membro pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas. Atualmente pesquisa sobre Filosofia da Mente, Neurociência, Psicologia Cognitiva e Evolucionismo. Thiago Strahler Rivero é mestrando pela Universidade Federal de São Paulo / UNIFESP … 

Referẽncias

CHURCHLAND, Paul. Matéria e Consciência: uma introdução contemporânea à Filosofia da Mente. Tradução: Maria Clara Cescato.

UNESP: São Paulo, 2004.  TEIXEIRA, João de Fernandes. Mente, cérebro e cognição. Vozes: São Paulo, 2003. 

______, Filosofia e Ciência Cognitiva. Vozes: Petrópolis, 2004.

______. Como ler Filosofia da mente. Paulus: São Paulo, 2008.

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