Voz também sofre processo de envelhecimento

Professor, o senhor pode falar mais alto?" Foi só quando os alunos reclamaram que o professor Masayuki Nakagawa, 81, percebeu que sua voz não era mais a mesma. "Na primeira meia hora, uma hora da aula, todo mundo ouvia bem. Mas depois começavam a pedir que eu falasse mais alto, e eu não conseguia", conta.

Professor, o senhor pode falar mais alto?" Foi só quando os alunos reclamaram que o professor Masayuki Nakagawa, 81, percebeu que sua voz não era mais a mesma. "Na primeira meia hora, uma hora da aula, todo mundo ouvia bem. Mas depois começavam a pedir que eu falasse mais alto, e eu não conseguia", conta.

A dificuldade que ele tinha para elevar a voz é um dos sintomas da presbifonia, que se caracteriza pelo desgaste das pregas vocais e pode se manifestar por volta dos 60 anos.

O processo é parecido com o que acontece com outros músculos, que, com o passar do tempo, vão perdendo a força, a agilidade, a coordenação e a capacidade de desempenhar bem certas funções. Com as pregas vocais (antes chamadas de cordas vocais) não é diferente.

À medida que passam os anos, elas podem sofrer um processo de envelhecimento que compromete a qualidade do som produzido, resultando em uma voz pouco compreensível -o que dificulta muito a comunicação.

Segundo Agrício Crespo, chefe da disciplina de otorrinolaringologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com o envelhecimento, a voz pode ficar mais fraca, irregular, rouca e trêmula, o que dificulta a comunicação.

O processo costuma se manifestar mais cedo nas mulheres, que, em geral, passam a apresentar uma voz mais grave. Mas é nos homens, cuja voz pode ficar mais aguda, que o quadro evolui mais frequentemente para a atrofia. A tendência é que, como ocorre na infância, as vozes de homens e mulheres voltem a ficar parecidas.

Na verdade, as alterações da voz ocorrem por causa de um processo generalizado de envelhecimento, que envolve não só as pregas vocais.

"A fonação (a emissão da voz) não depende só das pregas vocais mas também do ar que vem dos pulmões, de toda a estrutura da laringe, de uma boa articulação e ressonância. Se uma dessas partes apresentar problemas, o processo pode ser comprometido e alterar a qualidade da comunicação", explica Katia Nemr, fonoaudióloga e professora da USP (Universidade de São Paulo).

A maioria dos casos pode ser resolvida com terapias vocais. É como Masayuki está fazendo para conseguir recuperar a projeção da voz.

Docente de economia da USP há quase 40 anos, ele nunca usou microfones nas aulas e, como todo professor, sempre teve que falar muito. Mas nunca havia tido problemas antes, até os alunos começarem a reclamar do volume.

Após o diagnóstico de presbifonia, ele foi encaminhado ao serviço de fonoaudiologia da própria universidade, onde foi desenvolvido um programa específico para ele.

Uma vez por semana, o professor é orientado a fazer exercícios de alongamento muscular, respiração, fonação e articulação e ressonância, como a vibração dos lábios e da língua para melhorar o desempenho das pregas vocais.

Ele já aprendeu várias técnicas diferentes, que pratica todos os dias em casa, por cerca de 40 minutos. A única recomendação que ainda não adotou foi a de tomar pequenos goles de água em temperatura ambiente ao longo das aulas.

Como não é fumante nem costuma consumir álcool, a expectativa é a de que, em breve, só com a fonoterapia, ele seja capaz de melhorar a projeção da voz e consiga, novamente, se fazer ouvir bem pelos alunos.

E Masayuki ainda conseguiu mais uma vantagem com os exercícios de respiração. "Estão me ajudando a tocar flauta melhor", comemora ele, que toca flauta transversa há 60 anos.

A maior parte dos casos de presbifonia pode ser tratada apenas com a fonoterapia.

A fonoaudióloga da Unicamp Aline Epithanio Wolf desenvolve com seus pacientes uma técnica americana criada, inicialmente, para trabalhar a voz de doentes de Parkinson e que tem apresentado bons resultados com pessoas que apresentam presbifonia.

Como a presbifonia atrapalha a produção de um som estável, os exercícios, segundo ela, são focados na emissão de som, que se dá nas cordas vocais, em vez de na ressonância e na articulação, como a fonoterapia tradicional. "É como se fosse uma ginástica para as pregas vocais", compara.

Fonte: BOL Notícias

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